quarta-feira, fevereiro 4

Cerco ao Pai Natal à Fada dos Dendes....


Há já algum tempo que o Júnior anda a tentar passar a perna a estes dois.






Com fracos resultados mas ele bem que tenta.

No Natal, já há algum tempo que tenta  instalar sistemas de video-vigilância, cada vez mais sofisticados, utilizando os diferentes gadjets que vai recebendo. Alguns deles presentes do próprio Pai Natal...

Objectivo: provar que o Pai Natal não existe.

Colocar pimenta nas cenouras das renas, só para as ouvir espirrar, foi uma técnica já abandonada porque corresponde a outra época cujo objectivo era ver o Pai Natal.

O Júnior esperava que com os espirros de um monte de renas ele acordasse com o barulho...

Provavelmente nenhuma das técnicas funcionou devido a boicotes de diversa ordem dos acólitos do Pai Natal...

No entanto estas demarches têm apenas uma periocidicidade anual, já com a Fada dos Dentes a relação é mais frequente. O Júnior ainda só viveu onze Natais, em alguns era demasiado pequeno, por isso só contarão os últimos como anos em que fez questão de colocar à prova o Pai Natal,  já dentes caem-lhe de vez em quando e várias vezes ao ano.

Assim, sempre que lhe cai um dende, tenta dificultar a vida da Fada dos Dentes ao máximo. Da última vez escondeu o dente, em vez de o colocar debaixo da almofada, e foi uma carga de trabalhos para ela o encontrar. Ela a Fada dos Dentes, claro...

Esta semana cansado de tentar enganar a Fada dos Dentes, numa tentativa de desmascará-la provando que a dita cuja não existe resolveu aceitar que sim e deixou juntamente com o dente debaixo da almofada um recibo de quitação para que ela o assinasse.
É muito judeu este miúdo!

Como ela assinou, não se fala mais nisso! A Fada das Dentes, amiga da burocracia, só pode mesmo ser real...






quinta-feira, janeiro 22

D´us essa criatura imaginária...




Quando o Júnior quer que acreditemos numa história qualquer inverosímil, jura por D`us.

A avó Livi fica normalmente lívida e diz-lhe que isso não se faz, que se queremos mentir não devemos fazê-lo em nome do Senhor. A ter que mentir pelo menos que se jure por um cão, um gato, enfim um animal...

Ele, o Júnior fica chocado com a sugestão da avó, quer lá colocar em risco a vida de um ser vivo se pode simplesmente jurar por uma entidade que não existe.

O Júnior nunca leu A Grande Arte de Rubem Fonseca, nada sabe sobre o anão negro Zakkai e as suas histórias de palrador empolado mas se por qualquer motivo se encontrassem já teriam dois pontos em comum.

O Júnior tal como o anão Zakkai gosta de palrar sem parar e fazer apelo a seres imaginários em horas de aperto e assim prefere em caso de alguma história que conte com uma relação distante com a verdade jurar por D'us que a história é verdadeira.

O anão Zakkai, e estou a citar, ao contar uma das suas histórias que envolve uma mulher monumental diz que naquela situação concreta de aperto apelou à D'us porque gosta de trazer para o mundo real pessoas inventadas, seres do mundo da fantasia.

Mas o Júnior, apesar de não ter lido o livro A grande arte começa a dar mostra de conseguir dominar a "a grande arte" de contar uma história qualquer, inacreditável e exagerada, de forma a que pareça credível e natural.

E vocês bisbilhoteiros do caraças, se querem perceber do que estou falar leiam o livro pá!

PS: Tu não, Júnior, amigão que ainda não tens idade...

quarta-feira, dezembro 31

D'us dá e D'us tira


No último dia do ano houve lágrimas aqui no aquário, lágrimas daquelas gordas de saudade de tempos perfeitos, cheios de esperança de venturas sem fim.

Este ano alguém pensou que tinha encontrado a sua companhia para vida, na alegria e na tristeza, na pobreza e na riqueza. Conseguiu sentir mesmo que por pouco tempo o que é ter alguém que só nos quer a nós, que corre pra nós assim que chegamos, que nos faz respirar de felicidade só porque está por perto, que trepa por nós acima mesmo havendo tantos outros candidatos para cima dos quais poderia trepar.

Lágrimas que confirmam que há coisas que só se sentem uma vez, só se vivem uma vez. Essa do para sempre que apenas se suspeitava existir.

E por isso ficou decidido, entre mais lágrimas, que substituir esse grande amor, esse grande amigo, fora prematuro e que por mais que custe teremos que nos separar dos substitutos que agora se entendem extemporâneos.

E foi assim, entre lágrimas de saudades e risos de felicidade,do que se teve, que o Júnior recordou as peripécias do Matrix tantas histórias de amizade entre dois grandes patifes ( um maior que o outro, claro!), histórias divertidas entre um hamster sírio e um rapaz português que gostaram um do outro assim que se viram tão diferentes.

E foi assim que foi decidido entregar os porquinhos da Índia, Caetano e Clarinha, a quem os quer muito ao ponto de querer patrocinar-lhes o romance.

E esperar. Esperar pelo próximo animal de estimação que o escolher. Andar por aí. Não falhar nenhuma loja de animais,nenhuma feira de adopção. Andar por aí. Porque quem sabe, à falta de um hamster sírio não aparece um gato sem vergonha que lhe arrebate o coração!

HAPPY NEW YEAR PEEPS !




segunda-feira, dezembro 22

There's no peace, says the Lord, for the wicked...


E estava a Ana ainda a tentar habituar-se ao seu recém adquirido estado de liberdade natalícia quando estranha não receber o telefonema matinal da criançada...

Resolve ligar, só para ouvir o Pernas dizer que vai a caminho do hospital da Cidade Satélite com a Boneca porque esta se sentiu mal.

Parou tudo para a minha pobre amiga que suspendeu de imediato o visionamento nonstop de Shameless, fechou aquela grande obra literária super mainstream intitulada Critique de la raison nègre, deixando semi-aberta uma lata de sardinhas sem pele e sem espinhas em azeite picante a 5.95€ lata, porque ela pode até não cozinhar mas não come qualquer coisa...

Ficou paralisada de preocupação! 
O que lhe valeu foi o apoio da Avó Livi que assim que soube passou o resto do dia a dizer pobre Boneca, se ainda tu lá estivesses, coitada da minha neta, mas porque a deixaste ir com o pai?,os filhos estão sempre melhor com a mãe, não sei o que tinhas na cabeça para concordares com isto, etc, etc...

O ambiente estava um bocado tenso e não melhorou quando a Ana lhe disse que curiosamente estava com a sua própria mãe e a sentir-se cada vez pior.

Mas não havia nada a fazer, o avó Livi finge sempre que não percebe indirectas e continuou a apoiar a Ana daquela forma tão peculiar...

Eis que tudo muda...para pior, quando chega a foto da Boneca no hospital...a avó olha e pára a meio de mais uma frase tipo coitada da minha neta sem a sua mãe para exclamar de pijama, levaram a miúda para o hospital de pijama!, francamente não sei o que o Pernas tem na cabeça!, disse fazendo um esgar de desprezo e atirando com o iPhone para cima da cama. A minha pobre neta todo o dia de pijama...eu é que deveria estar lá!!!!, lamenta-se a pobre senhora.

THERE'S NO REST FOR THE WICKED!!!

sábado, dezembro 20

Natal talvez feliz



E pronto, é oficial! Este ano a Ana conseguiu um presente de Natal antecipado, uma coisa especial que ela ambicionava há muito: tempo para ela!

Devido a este acontecimento, talvez se reconcilie com a época natalícia, ela que tanto se irrita com o Natal e a eterna guerra de oferendas instituída.

Com o Pernas, o Júnior e a Boneca a passar estes dias com os avós, perto da Cidade Satélite, a Ana tem finalmente a oportunidade, depois de muitos anos, de ter uns dias para fazer aquilo que mais gosta.

E o que faz uma tipa como a Ana quando tem algum tempo livre? 
Vai ao cinema ver filmes que ninguém vê. Vai às compras e compra roupas que ninguém usa, nem mesmo ela. Compra mini vestidos cheios de brilhantes que fazem conjunto com pochettes extravagantes para utilizar em festas a que nunca vai e muito menos irá com aqueles sapatos de salto tão alto. 
Come coisas que ninguém gosta, directamente de latas enquanto vê séries na TV com audiência limitada, tão limitada que ninguém que ela conheça ouviu falar.

O Pai Natal este ano foi mesmo generoso...

Para que aprendas, minha querida Ana, logo tu uma céptica, que duvidavas que um homem gordo, desajeitado e muito em baixo de forma te poderia satisfazer...



segunda-feira, outubro 13

Epílogo



A minha última publicação gerou algum descontentamento: ó pá Jonas o pessoal já estava habituado a seguir as aventuras do conservadorão retro sexual, não acabes com esse mambo; ê pá pelo menos vai dando umas dicas de como as coisas estão a correr, que o teu material é melhor que os diálogos de qualquer Casa dos Segredos; ó bráder essa tua amiga Ana é uma wi da onça, a arranjar desculpas para não ajudar um gajo em situação difícil, etc, etc, etc...

Por esse motivo passo a explicar sem mais delongas aquilo que é óbvio pelo menos para alguns de nós: o tipo está todo funhatado e está numa de pocólica!

Mais afirmo, a gaja que paga as contas aqui do blogue tem bué de defeitos, é um bocado mafiosa, mas é sempre uma amiga para a vida, capaz de aguentar qualquer maka, mas por este muadiê não pode fazer mais nada porque o tipo se entregou nas mãos da Ana Paula ( o gajo não perdoa com esta cena das Anas!), psiquiatra de profissão, que pela módica quantia de 100 euros por sessão, vai ajudá-lo a reescrever os acontecimentos recentemente passados de forma a evitar a depressão em que caiu, quando se apercebeu que foi um patético filho da mãe. Prevejo que devidamente medicado, dentro de alguns meses irá ficar reorganizado e desta vez, só para variar, irá iniciar uma relação, vá, com uma Susana...

Quanto às damas envolvidas, vocês sabem como são as gajas. Depois de chorar baba e ranho, noites sem dormir e falta de apetite a gaja vai também à procura de cuidados profissionais. Começa a dormir melhor, mas continua sem apetite e quando se pesa ao fim  de um mês perdeu três quilos, o que lhe dá o momento de felicidade que precisava para iniciar a recuperação. Pela primeira vez em trinta dias pára numa montra de uma loja, neste caso uma sapataria, entra e gasta nuns botins todos xpto, o dinheiro da segunda consulta reparadora. Com menos três quilos e uns sapatos novos nos pés, pelos quais se apaixonou, desce a avenida rebolando de novo, daquela maneira que tanto gosto,o seu lindo traseiro tribal...

Quanto a vocês, como diria o grande Gilmário Vembameus cámones e minhas cámonas, fica a dica, cuidado com o que fazem e dizem às vossas damas porque vocês não são o Anselmo Ralph.


E é assim, o Jonão avisou, as gajas é que sabem viver!

PS: Tentem ler isto com pronúncia angolana, vai-te cuiar bué!

segunda-feira, outubro 6

Hora di bai


A Ana almoçou hoje pela última vez com aquele seu amigo conservadorão retro sexual.
 
Mudanças de circunstâncias pessoais e profissionais ditaram o fim desta profícua relação em que a Ana tanto aprendeu.
 
Aprendeu, acima de tudo, que há gajos com um forte modo de gaja e que normalmente o disfarçam sobre a capa do conservadorão.
Mas aprendeu principalmente que é uma gaja, vá com um forte modo de gajo, mas uma gaja e isto é um marco para quem até ao dia em que lhe pareceu o período, pela primeira vez, esperava que por milagre lhe nascesse uma pilinha. 
 
O amigo em questão é aquele que tinha uma mulher chamada Ana Maria, que ele detestava, e uma namorada chamada Mariana que adorava.
Acabou por se separar da mulher Ana Maria só que, quando a Mariana se preparava para se mudar para a casa dele,  conheceu a Maria Ana e acabou tudo com a Mariana.
Confusos? Nãããããããããã.....
 
À mulher Ana Maria, ele deixou-a porque encontrou umas mensagens vagamente eróticas, para outro tipo, no PC dela, e a Mariana também está neste momento dispensada, por suspeitas, segundo ele existem fortes indícios!, de troca de mensagens eróticas com outro fulano. Já da Maria Ana prescindiu porque descobriu que afinal gostava mais da namorada Mariana,  mas isso foi antes de constatar que ama mesmo é a mulher, Ana Maria, de quem nunca se deveria ter separado.
 
De facto assim,neste estado não há condições para beber um café quanto mais para almoçar.
 
Eu neste momento e face a esta história só tenho duas questões: primeira, que porra de fixação tem este gajo com as variações do nome Ana?! , segunda como escapou a nossa Ana, a gaja que paga a conta da net que mantem este blogue e que almoçou dezenas de vezes com este cromo, de uma carnificina sentimental? Será que o gajo tem uma fixação apenas por nomes compostos? Mistério...
 
E o que faz um gajo nesta situação para não pensar no que sente? Afoga-se em trabalho! E nos tempos livres paga a uma psiquiatra para lhe dizer que "temos que falar sobre isso", e que em breve, estará curado.
 
Mas mais importante do que relatar tudo isto é explicar, gritar e proclamar que apesar deste gajo não saber para que Ana se há-de virar não deixa de olhar à socapa para a Ana que tem à sua frente, a almoçar, numa tentativa de tentar perceber que tipo de soutien ela tem vestido.
 
E é isto que fica pessoal, um gajo pode estar destroçado, incapaz de decidir sobre seja o que for, mas gajo que é gajo até nos piores momento, se consegue descortinar o tipo de soutien, consegue imaginar o tipo de cueca e daí é só continuar, mas só para o gajos mesmo à séria, é só prosseguir e passar à grande questão lírica, fará ela ou não depilação integral? Sim ou não?
 
É que há coisas que por mais baralhado que o gajo esteja que são automáticas.
 
Um gajo é sempre um gajo! 
 

domingo, agosto 31

Não sabe o que vestir...




A Boneca encontra a mãe sentada na borda da cama, com a cabeça entre as mãos, como quando alguém se preocupa com alguma coisa que mais do que apoquentar, inquieta, desassossega, desespera e pergunta-lhe, naquela vozinha infantil com muita cautela o que se passa, estás bem ?

A Ana levanta a cabeça, controla a respiração e o olhar e responde aquilo que todas as mães respondem às suas filhas de sete anos, que sim que está tudo bem, que está bem, que está apenas a pensar numas coisas que tem que resolver...

Que coisas, pergunta a miúda, curiosa, olhando a mãe nos olhos, pouco convencida. Afasta a dúvida sobre o que vê nos olhos da mãe , agita o cabelo e diz: já sei! não sabes o que vestir! Eu ajudo-te! vais ver que ficas gira.

Sorriem as duas.

Meus amigos, até uma criança pequena sabe quais são os grandes problemas de uma mulher! Pensavam o quê? No anúncio de uma doença grave, um cataclismo?

E EU É QUE SOU INSENSÍVEL????? !!!!!



quinta-feira, maio 29

Ajusta-me que eu gosto

A Ana tem poucos amigos e são todos estranhos. Tão estranhos que a Lhena, a irmã dela, diz maldosamente que se fossem miúdos nos tempos que correm ,teriam sido diagnosticados com múltiplos síndromes. Aliás, esta brilhante psicóloga/psiquiatra de trazer por casa gosta de dizer que se a Ana fosse uma criança nos dias que correm teria até mesmo um diagnóstico incapacitante. Enfim...o amor fraterno não tem limites...

Na segunda-feira um desses amigo deu sinal de vida. Quando a Ana chegou ao seu trabalho, aquele que ela agora tem e que segue o mantra que o Júnior lhe incutiu, em vez de teres um trabalho em que ajudes os outros arranja um trabalho em que te ajudes a ti própria, tinha um envelope grande que dormia na secretária dela desde quinta-feira de tarde, entregue por mão própria, com a "obra" da imagem autografada e com, pasme-se! com uma longa dedicatória.

Quando soube da história fiquei passado e fartei-me de lhe dizer que aquilo não era um presente, era antes uma vil provocação, uma sem vergonhice, onde é que já se viu alguém se vangloriar de tal programa de ajustamento!?!?! Então e ela?  Fica sem parte do seu salário, passa a vida a dizer que estamos na miséria, que nunca mais poderá ir de férias  e ainda conta que assim que abriu o envelope, quando viu o que continha desatou a rir, desatou a rir sozinha, na sala enorme, do prédio enorme,com vista sobre Lisboa...Não se percebe.
- É sempre bom quando um amigo se lembra de nós, diz-me em tom pedagógico enquanto começa a catarolar uma música que inventa na hora, cujo refrão é "Ajusta-me que eu gosto". E continua a rir tal como ria naqueles fins de tarde, na esquina da rua dele com a rua dela, depois das aulas, enquanto ouvia as confidências e os sonhos de quem gostaria de deixar a sua marca no seu país. Rir é de facto o melhor remédio, riu-se porque se sentiu cúmplice de uma partida qualquer, riu-se porque é irónico ser ajustada por um ajustador tão amigo...

- É uma provocação indecente!, quase grito do além.
- Não é nada, diz ela calmamente, ele está orgulhoso do seu trabalho e quer partilhar essa alegria comigo e eu fico feliz por isso. E sinto orgulho. É como se fosse também um bocadinho uma vitória minha. Ele conseguiu o que queria. A isto chama-se amizade, sabias?
- Muito bem, digo eu, então e se aquele teu amigo de infância que queria matar parte da família e parte da população da Cidade Satélite te enviasse,vá , um pedaço do corpo da sua primeira vítima, vais-me dizer que também ficavas orgulhosa porque ele cumpriu o seu sonho e vais-me dizer que também punhas a coisa em cima da tua secretária só para ficares a olhar para ela.
- Depende, diz cautelosamente, de que parte do corpo humano estamos a falar? É que a minha secretária não é assim tão grande, diz piscando-me o olho.  Ri-se muito e com o dedo em riste faz  Bang Bang e  começa a cantarolar "Pim pam pum cada bala mata um, qual foi o porcalhão que de um pum...".

- Lhena! Volta que estás perdoada!!!!

quarta-feira, janeiro 15

Frieza feminina explicada

O mundo tremeu com a morte do grande Matrix mas, não tremeu o mundo de todos!

No meio daquela aflição toda, a avó a prestar os primeiros socorros com o animal na palma da mão aplicando-lhe uma suave massagem cardíaca, o Pernas a lamentar-se por ter sido ele a soltar o Matrix, o Júnior a chorar e a urrar completamente destroçado, como só se vê nos filmes italianos a preto e branco ou então nos enterros ciganos e a Ana a fazer já uma súmula do que poderiam ser umas exéquias dignas para um roedor tão aventureiro, esta tipa tem mesmo vocação para cangalheiro, tem tanto jeitinho para os mortos, já para os vivos...Havia uma pessoa que se mantinha calma e impávida: a Boneca!

A Boneca impávida e o Júnior a repetir sem parar "Matei um amigo, matei um amigo...". São tão sentimentais os machos, sejam machos humanos ou não. Nós os machos temos coração!
Passada a comoção dos primeiros dias era inevitável comentar a frieza da Boneca face a tão funesto acontecimento até porque tanta emoção e agitação lhe provocavam olhares de estranheza. Via-se que ela pensava, serão eles normais? Enquanto que eles pensavam será ela normal?

A Boneca lá explicou porque não chorou a morte do Matrix naquela sua vozinha infantil de seis anos mas já no tom muito douto da mulher que será. Aquele tom conciliatório, aquela paciência na voz mas ao mesmo tempo uma assertividade calma que nos faz querer colocar a nossa vida nas suas mãos.

Lá foi explicando docemente empertigada que não chorou, primeiro porque o Matrix não era uma pessoa, depois nem sequer era dela e por último, e esta última estocada de racionalidade provocou mais uns urros e grossas lágrimas ao Júnior, e por último "não fui eu que lhe pus o pé em cima!"

As gajas, como se pode ver aqui e aqui, já nascem cruéis!!!

sexta-feira, janeiro 10

Matrix, o hamster em cativeiro mais livre do mundo

Andava há que tempos para escrever sobre o filho da mãe do hamster sírio que passou a habitar o ecossistema de que fiz parte até partir para o além. As suas aventuras eram tantas que até a mim me deixaram baralhado. Nem sabia por onde começar e assim, fui adiando adiando...
Para principio de conversa, deixem que vos diga que este mamífero esteve sempre ao mais alto nível, com uma prestação à altura deste que vos escreve e quiçá até da grandiosa Dulcineia.
Explorador nato, conquistador de novos espaços, evadia-se da gaiola regularmente tal qual um Houdini de quatro patas, superando todas as artimanhas humanas com intenção de bloquear a porta da sua jaula, sim porque um animal com tanta garra não habita numa gaiola como se fosse um mísero ser vivo com penas, habita sim numa jaula como qualquer leão sem juba. 
Escondia-se durante horas, fazias ninhos de retaguarda, subia para todos os móveis, mesmo os mais altos, escalava aquecedores de onde caía em grande estilo. Roía só o que lhe apetecia e roeu até ser descoberto a base do sofá da sala, que começou a explorar por dentro. Quando queria variar , trepava pelo seu companheiro acima, o amigo Júnior, e faziam juntos o que lhes apetecia...
Foram meses intensos!
Morreu ontem num acidente exploratório, junto ao cortinado que mais gostava de trepar.
Foram-lhe prestadas as homenagens fúnebres devidas aos mamíferos que vivem neste cardume, demasiado grandes para serem enterrados nos vasos da varanda, onde dormem os da minha espécie. Foi a enterrar em caixão de cartão no bosque, ao lado da Dulcineia, levando consigo a sua comida preferida, alguma lã para fazer o ninho no Reino de Hades, e um gorro do Júnior, que fez o favor de roer, até ficar irreconhecível, numa noite de fúria.
Deixou uma família de mamíferos bípedes enlutada e um grande amigo inconsolável. Pobre Júnior...
Amigão, Matrix, que sejas muito bem-vindo! Cá te espero ao pé de mim, neste blogue, cheio de espíritos de animais mortos, mais vivos que muitos humanos vivos.

segunda-feira, janeiro 6

Save a prayer for me now...

Ao Júnior deu-lhe agora para rezar antes de dormir. Faz o sinal da cruz no início e no fim da oração e, apesar de lhe terem dito que não é baptizado, como tal católico, não abdica deste novo hábito.
Preocupado como sempre em não infringir as regras ainda perguntou se era ilegal rezar na sua condição, mas quando lhe explicaram que D´us não se importaria com certeza ,ficou satisfeito porque rezar lhe dá uma sensação de segurança: tem a convicção que D'us assim olhará pela sua segurança e pela segurança de toda a família.
Depois de rezar, deita-se, ajeita os Puffles na cama, garante serem essenciais à sua segurança na medida em que D´us também precisa de ajuda para o proteger e essa ajuda materializa-se ,tendo por intermediários  estas simpáticas criaturas, que de acordo com ele são espíritos que só conseguem ajudar porque têm espírito judaico.
E é assim,  que as coisas vão evoluindo nesta alma ecuménica e ecléctica, que aos quatro ou cinco anos queria ter a sua própria igreja sendo que neste momento reza a la católica a um D´us judaico enquanto sonha em ir viver para os Estados Unidos da América, comprar uma mota e ter por lá o seu próprio tribunal.

terça-feira, julho 30

Solidariedade masculina os tomates...


Quando algum dos amigos da Ana se separa, a vida dela muda e, não muda para melhor. De repente aqueles almoços de gajos que ela tanto aprecia transformam-se em momentos complicados ,com uns  tipos hiper mega sensíveis, em que ela já não pode fazer simplesmente de conta que os está a ouvir. Tem mesmo que os ouvir, dar opiniões, concordar com eles, fingir ao nível de um Oscar que está muito interessada no desmoronar daquela vidinha de gajo. Porque acreditem, ela quer lá saber. Ela só vai almoçar com eles porque se quer distrair e, enquanto eles falam ela consegue organizar o seu dia e a sua cabeça tendo ainda por cima o bónus de parecer normal porque está a sociabilizar. Já almoçar com uma amiga é cansativo e por isso mais raro porque lá está, não há gaja que ature almoçar com outra que só lhe dá atenção intermitentemente durante todo o almoço...

A parte boa é que passada a fase do desgosto os tipos entram na fase eufórica da recém adquirida liberdade e aí, aí os almoços retomam o seu vigor, e o telemóvel deixa de tocar com um tipo inconsolável do outro lado a exigir atenção. Foi o que aconteceu recentemente, e a Ana estava de novo feliz, foi almoçar com o amigo retrossexual cool chic que já não anda de lágrima no canto do olho e pôde deliciar-se com um almoço vegetariano emitindo apenas meia dúzia de simpáticos grunhidos que remeteram o tipo, relaxadíssimo, para a última Timeout. Parecia tudo ter voltado ao normal quando de repente os seus pensamentos são interrompidos por esta frase do tipo:
- Se resolvesses a tua situação poderíamos fazer uma viagem juntos no próximos Verão.
- Desculpa? pergunta ela meio engasgada com uma garfada de bolo de chocolate.
- Então, repete o tipo com a sua voz calma de crooner, assim que resolveres a tua situação já não tens nenhum impedimento e podíamos combinar fazer uma viagem juntos. Onde gostarias de ir? Veneza? Bologna?
- Mas de que situação falas?, pergunta ela a medo, começando a temer pela sanidade do tipo.
- Então, a tua separação. Se te separares ficas livre para fazeres o que te apetecer...
- Tu queres que eu me separe só para ir viajar contigo no próximo Verão!?, pergunta atarantada.
- Não, apressa-se a dizer o tipo, não é só para isso. Também podíamos passar juntos os fins-de-semana. Íamos ao cinema, ao teatro, jantar fora, andar de bicicleta. Sei lá. Há tanta coisa para fazer. Que dizes da ideia?, continua o tipo olhando directamente para ela com aquele olhar hipnótico, característico dos míopes.
- Olha, não sei o que te diga..., responde com a boca cheia do recheio do bolo, esta coisa da solidariedade masculina ainda é um bocado confusa para mim...

( Solidariedade masculina os tomates, minha linda, ouve o que te diz o Jonão, estes tipos parecem cordeiros mas são lobos e dançam conforme a música, se tu gostas de brincar ao almoços de gajos eles dão-te almoços de gajos mas a verdade é só uma: tu és uma gaja e eles são gajos! Fica a dica! )

domingo, maio 19

Quando eu for grande vou ser...

O Júnior acabou de comunicar que, se quando for grande não conseguir ter o seu próprio Club Penguin , não se vai atrapalhar. Se não conseguir trabalhar por conta própria criando o seu próprio site para crianças, aquele que será o melhor do mundo, irá trabalhar para o Club Penguin que já existe.

Mas já tem um plano C,se o B não funcionar, já decidiu que vai cientista o que também não é mau, afirma satisfeito.

Se não conseguir ser cientista é que a coisa se complica, no entanto, afirma com um ar desenrascado o pior que lhe poderia acontecer é ter que ser político. É mesmo o pior que se pode ser, grita para a mãe com convicção.

- Bolas! Estou tramado se não conseguir ser cientista porque não estou a ver assim mais nenhuma profissão...Já sei, grita cheio de entusiasmo, vou ser polícia! Mamã, mamã, achas que quando for adulto ainda há manifestações? É que eu quero ser polícia para andar atrás dos manifestantes com o meu escudo e o meu bastão a bater nas pessoas. Há profissões que são o máximo!, ri satisfeito.

E sai da sala, a correr, para escrever isso no seu diário para não se esquecer...e eu escrevo aqui não sei bem para quê...

quinta-feira, março 7

Portaria de extensão infantil

Até há bem pouco tempo o Júnior era um fervoroso cliente das lojas chinesas. Achava que era tudo muito mais barato do que nas lojas "normais" que vendiam os produtos originais e era lá que gastava a sua mesada. Até ao dia em que comprou um baralho de cartas de um jogo qualquer que acabou por se revelar inútil porque as cartas não eram uma cópia fidedigna das que ele já tinha e como tal não dava para jogar.

A Ana aproveitou para lhe explicar, mais uma vez que os chineses, copiam tudo e que muitas vezes não copiam como deve de ser e as coisas acabam por não ter qualidade e não prestam para nada. Há que estar atento às imitações.

O miúdo acabou por lhe dar razão, mais tarde...

Assim quando um destes dias a avó propõe irem almoçar ao restaurante chinês lá perto o Júnior interrompe a celebração antecipada da Boneca, que gosta muito de lá ir, para perguntar em tom cauteloso:

- Mamã, a comida chinesa também é uma cópia da nossa só que mais barata? É que se for eu acho que não deveríamos lá ir...

quarta-feira, janeiro 30

Vigaristas!

Ontem havia correspondência endereçada à Boneca e ao Júnior. Era aquela carta que os CTT enviam, pateticamente, às crianças fazendo-se passar pelo Pai Natal.

O Júnior ficou muito entusiasmado por receber uma carta. É daquele tipo de miúdo de um modelo pré profusão de gadjets interactivos: gosta de ler livros e quando vê a capa de um jornal percebe o que é e não desata a carregar nos títulos das notícias à espera que abra uma nova janela.

Assim que começou a ler passou do entusiasmo à perplexidade. Ficou muito encarnado e repetia confuso: é do Pai Natal? É do Pai Natal?...

Enquanto isso a Boneca guinchava de prazer porque o Pai Natal lhe tinha escrito uma carta cheia de desenhos para pintar.

O Júnior na sala lia a carta pela segunda vez quando teve um acesso de raiva e começou a gritar: VIGARISTAS! VIGARISTAS! ESTES TIPOS DOS CTT SÃO UNS VIGARISTAS. A FAZEREM-SE PASSAR PELO PAI NATAL!!!

Nisto agarra na carta e quase a esfrega no nariz da mãe. Estás a ver? Não é nada do Pai Natal! Basta ler esta frase para perceber, "Acabei de ler a tua carta", acabou de ler a minha carta?! Então como é que eu recebi de prenda de Natal aquilo que pedi se acabou agora mesmo de ler????

SUBESTIMAM A INTELIGÊNCIA DOS MIÚDOS - grita furioso atirando tudo para o lixo.

E não é que o Júnior tem razão?!...


terça-feira, janeiro 8

A ordem das coisas

Mamã, pergunta de repente a Boneca sentada no sofá a ver televisão, o que é que acontece primeiro? O bebé ou o casamento?

sexta-feira, novembro 2

Os novos traumas do Júnior

Um destes dias a meio de um telejornal qualquer o Júnior começou a chorar muito assustado com a crise. Os malditos comentadores, que agora são mais que as mães, e os seus cenários negros, assustaram o miúdo que soluçava a plenos pulmões que não queria que Portugal saísse do Euro.

É claro que o Pernas levou isto muito a sério e passou a considerar o Telejornal, seja ele de que canal for, impróprio para a idade dele e o Júnior ficou proibido de ver as notícias que estão agora equiparadas pelo pai ao Naruto que o miúdo não pode ver por lhe darem pesadelos e provocarem ansiedade. E enquanto o Júnior soluçava ao colo da mãe ela lá lhe ia prometendo que Portugal não ia sair nada do Euro embalando-o como se ele ainda fosse um bebé.

Eu e ela estávamos obviamente perdidos de riso para vos ser franco, convenhamos que era uma cena cómica vista aqui do aquário ou de outro ponto qualquer: um miúdo de oito anos a chorar baba e ranho por causa da crise financeira...

Mas a situação ficou ainda mais descontrolada com o jeitinho que a Ana tem para consolar as almas dos outros com a dura realidade e o Júnior ficou ainda mais fora de si quando a mãe lhe disse que não se preocupasse porque ela tinha um plano para o caso de Portugal sair do Euro que iria impedir que a família ficasse na miséria, que iria impedir que a casa da família fosse pilhada, que não haveria por cá fome e não ficaríamos sem nada como a grande maioria da população naquela fase revolucionária da transição do euro para o escudo.

E lá lhe explicou que como toda a família ficaria sem rendimentos por alguns meses porque todos trabalham para o Estado, estado esse que está e estará ainda mais insolvente e não haveria dinheiro para lhe pagarem os salários, ela já tinha juntado alguns dólares que estariam escondidos para as despesas correntes. Também acumulava comida não perecível. Explicou-lhe que o arroz e o açúcar duram dez anos bem armazenados, as massas cinco, as conservas também e que agora andava a juntar sal para conservar a carne que o papá teria que caçar, durante os primeiros meses, se a situação do país se agravasse. Tinha tudo planeado. Quanto mais ela explicava mais o miúdo chorava e até o Pernas que ouvia tudo com aquela perplexidade dos maridos que são sempre o últimos a saber não escondeu o espanto quando soube que teria que caçar!  Ainda perguntou mas vou caçar aonde? E o quê? Vais-me dizer que vou andar aos coelhos e aos pássaros não? Dispenso-me de relatar aqui o plano dela para caçar coelhos, javalis e veados na Tapada de Mafra e o plano de ocupação militar desse espaço de recreio porque só isso daria mais um artigo de ir ás lágrimas...

Mas, quem lagrimava cada vez mais era o Júnior : chorava e soluçava porque tudo lhe parecia cada vez mais real....

A mãe tentava acalma-lo dizendo que se tudo ficasse mesmo impossível em Portugal iriam viver para os  EUA: estava tudo combinado com a tia Lhena e tudo se resolveria.

E lá foi a criança a soluçar para a cama só conseguindo adormecer de mão dada com a mãe que lhe sussurrava Portugal não vai sair do euro, Portugal não vai sair do euro, Portugal não vai sair do euro....

domingo, agosto 26

A importância do guarda roupa

A Boneca insistiu que a Mamã tinha mesmo que ver com ela este filme e foi este o programa cinéfilo, esta tarde, no Aquário. Inicialmente pensei em esquivar-me e enfiar a cabeça debaixo da barbatana mas logo me deixei encantar pelo excelente argumento dentro do género Monty Phyton.

A miúda estava muito entusiasmada com a película que já tinha visto ontem e minutos após o início começa a relatar o que se vai passar na intrincada história e seus mui variados personagens.

A Ana tentava sem grande êxito disfarçar o tédio. Afinal estamos a falar da fulana que durante toda a sua infância se recusou a ter uma Barbie e a quem todos reconhecem apenas uma atitude feminina nesse período - maltratar a sua irmã - todos sabemos que a as gajas são umas cabras umas para as outras.

Adiante. Estava, como já disse, a Mamã a pensar como se poderia safar do visionamento desta grande obra filmatográfica "Barbie e as Três Mosqueteiras" quando a pequena começa em prolepse total.

- Fofinha, diz a mãe já conformada com o programa da tarde, não me contes tudo porque assim já não vai ser surpresa.

- Eu só te contei a história, reclama a miúda muito espantada, como é que não vai ser surpresa se não de disse como eram os vestidos?!

Coisas de gajas....

segunda-feira, julho 2

Grande macacada

A Ana decidiu finalmente abandonar o seu "voluntariado", seguir o conselho do Júnior e arranjar um trabalho em que em vez de ajudar os outros se ajudasse a si própria.
E não é que parece que funcionou?
Regressada do primeiro dia de trabalho disse ao jantar que tinha ido a uma reunião ao Jardim Zoológico e que até tinha dado para ver a Aldeia dos Macacos mas, não conseguiu dizer mais nada porque a Boneca interrompeu logo com aquela vozinha de menina caprichosa:
- Que sorte! No primeiro dia foste logo a uma visita de estudo!

PS: Este novo emprego da Ana promete...agora sim está entregue à bicharada!