quinta-feira, abril 23

Ser angolana não é para todas




A Ana anda de rastos!

Quinze dias depois da Morena ter regressado a Angola ainda sente dores no corpo dos dois dias que passou com ela.
Apesar da Ana ter dentro dela uma pequena angolana a crescer, o corpo ainda não está preparado para o que lhe é exigido em dois dias com a Morena.

E o problema nem foram as várias e demoradas refeições em restaurantes da moda, onde ela fica com grandes dores de bunda. Há que perceber que o matako dela não é tão almofadado como o da Morena!!!
Também não foram os múltiplos eventos, exposições ou concertos que a fatigaram.
Sobreviveu bem à partilha de intimidades, apesar de ter tido que inventar algumas da parte dela...
O que acabou com a Ana foram mesmo as compras! Aqueles bracinhos branquelas não conseguem carregar tantos sacos de compras durante tantas horas.
O problema nem foi na Av. da Liberdade porque aí o Hugo ia atrás delas recolhendo os sacos das compras no porta bagagens.
Mas e no El Corte Inglés? Aí não havia Hugo...

Horas e horas de ginásio e não aguentou dois dias de compras...
Lá para o fim, até conseguiu deslocar um ombro com a mala Hermés da amiga, a pesar uns 10Kg.
Foi ela sobreviver a todas as provas de angolanidade e veio a morrer perto da meta na prova de fôlego que é  o El Corte Inglés...

Ser angolana não é para todas...




terça-feira, março 31

O outro lado




Farta das amizades masculinas.
Farta de andar ao colo com os gajos quando estes se separam das mulheres, amantes ou/e namoradas. Ainda lhe doem os braços do esforço que fez da última vez. Gajos pesados como o caraças, de barba rija, chorões da treta!
Saturada de pedidos de demonstração de solidariedade masculina, como aqui, aqui e aqui.

É oficial,  a Ana finalmente deu para o outro lado.
É verdade. Resolveu deixar-se adoptar pela Morena. É certo que lhe tem dado uma trabalheira, como bem se sabe, as amizades femininas exigem sempre, mesmo em tempos normais, muito mais empenho.
Há que saber detalhes da biografia, conhecer traumas de infância, saber o nome dos filhos, dos ex-maridos, e actuais amores, quem são as amigas e as inimigas...
É muita informação a reter. É preciso muita força de vontade para mudar. 
Acabaram os almoços em silêncio em tascas barulhentas e começaram as refeições em locais trendy escolhidos a dedo.
Acabaram as refeições acompanhadas de Cola Light e Água Tónica e entrou o Champagne a rodos.

Face a isto nem é tanto o medo que o frágil aparelho digestivo fique knock out é duvidar mesmo que a Ana consiga sobreviver a tanta conversa, tanta partilha e tanta intimidade.

Dou-lhes 6 meses!

sexta-feira, março 27

De 4 com o 6




Depois de o iPhone 4 ter avariado de um dia para o outro, a Ana jurou a si mesma que nunca mais arranjaria outro. Nunca tinha gostado tanto de um telemóvel e levou a mal aquilo do iPhone ter deixado de funcionar.  Disse que não precisava daquilo para nada, que era um gadget demasiado sofisticado, indicado para pessoas modernas e cosmopolitas, e  entregou-se de novo ao fiel Nokia com 10 anos.
 
Foi uma surpresa geral quando, umas semanas depois, apareceu com um iPhone 6! 
Nos dias que se seguiram declarava sem cessar que o iPhone 6 era o melhor telefone da sua vida e que nunca outro lhe teria dado tantas alegrias.
De repente até parecia que tinha esquecido o desgosto que iPhone 4 lhe tinha dado!
 
Mas o que as pessoas ainda não sabem, é que dentro da Ana está a crescer uma pequena angolana, que se passeia pela Av. da Liberdade e pelo El Corte Inglés  cheia de sacos de compras.
Que gosta de coisas boas e caras, que se desunha por últimos modelos disto e daquilo.
Que ri alto e tem opinião sobre tudo.
Que cura os desgostos à grande, em vez do downsize europeu aposta no upgrade angolano.
 
E a culpa é da Morena. A culpa, já se sabe, é sempre dos mais escuros...

segunda-feira, março 23

Um amor apressado




Há nova temporada de Masterchef para grande felicidade do Júnior e da Boneca.
Acompanham o concurso. Escolhem os seus concorrentes preferidos. Brincam. Analisam as refeições lá de casa como se fossem os jurados.

O problema é que o Masterchef começa a dar cabo dos nervos da Ana. Ver um monte de gente a cozinhar coisas que ela adoraria comer, descontrola-a. Mas pior do que isso, é ter que levar com o stress dos concorrentes, com as lágrimas e com aquela coisa irritante de "cozinhar com muito amor".

Ontem passou-se e gritou, estou farta desta porcaria de cozinhar com amor, o que provocou, claro, as gargalhadas de Joker do Júnior.

Depois desta explosão dela, na TV o concurso continuou, o concorrente que cozinhava com amor faz agora um esforço para não chorar enquanto os jurados provam o seu prato.

- A sério! Estou-me a passar, ainda aguento isto do amor agora esta coisa das lágrimas é de vomitar! E depois, eu nunca cozinho com amor! Cozinho com pressa, diz já aos gritos.
Aqui o Júnior já ri às gargalhadas com lágrimas. Ele adora ver a mãe descontrolada...

A Boneca, que está sentada no chão mesmo em cima da TV, alheia, como sempre, a toda a agitação dos outros dois, volta a cabeça para a mãe e diz com a sua serenidade habitual:
- E fica bom!.

Silêncio.

A Boneca repete,cozinhas com pressa mas fica sempre muito bom, e faz um sorriso reconfortante.

E eu digo, com risco de perder o acesso definitivo à net, cozinha com pressa, com amor apressado...

quinta-feira, março 19

Bando de anormais...



Primeiro foi a rapariga das castanhas. Topou-a logo de início, de certeza, e um dia destes meteu conversa.
Até já lhe fiou um dia meia dúzia de castanhas assadas.
Falam sobre maquilhagem, roupa e do que calha. Elogiam-se uma outra.
Miram-se e admiram-se, as duas sem a menor noção do que devem vestir no seu dia-a-dia. 
A rapariga das castanhas porque se veste como se estivesse ao balcão de uma loja de roupa alternativa, sempre maquilhada num estilo cool chic e , no entanto está ali, no Campo Grande à chuva e ao vento a vender castanhas. 
Quando à Ana já se sabe, voltou a vestir-se de forma temática e cada vez mais se está nas tintas para o dress code implícito da sua profissão.

Hoje apareceu o Jójó. O Jójó refere-se a ele próprio na terceira pessoa do singular. Sempre. Vende à porta do Metro carteiras para o passe, malas para levar o almoço e outras coisas que consegue transportar. Porque o Jójó não tem banca.
Jójó sentou-se ao lado dela à espera do comboio e com a desculpa do frio desatou a falar com ela como se fosse habitual falarem todos os dias. É certo e sabido que há meses que a topou e espanta-se por ela confessar que nunca o viu a vender. Nunca o viu. 
Depois de hoje até sabe a que horas ele abre a torneira da banheira de manhã para tomar banho, é às cinco e quarenta e cinco.
Entra na carruagem e contínua a falar como se fosse a coisa mais natural do mundo, despede-se no Areeiro com a familiaridade de um velho conhecido.

E ela fica ali, a pensar que apesar do esforço que faz para passar despercebida, para ser normal e anódina, para se dissolver na multidão, é um esforço em vão, nunca irá funcionar.
Desde miúda que atrai gente perdida, só, com um parafuso a menos...a tribo dela.

Ana, a futura velha gaiteira



Um destes dias a Ana foi ao El Corte Inglés para mais uma sessão do Curso de Literatura Policial.

Ficar ali sentada durante duas horas,  a ouvir falar de livros onde pelo menos uma pessoa, por obra, morre dá-lhe uma paz de espírito suspeita.

No entanto hoje o prazer dela foi a dobrar. No piso onde decorrem as aulas estava a colecção nova de fatos de banho e biquínis e mais uma vez verificou que não há por lá nada que lhe fique bem.

Prazer dela, não meu ou vosso.

É que a Ana não é apenas ridícula quando se recusa a aceitar aquilo que tem de parecido com a mãe dela.

É ridícula quando insiste em usar, no verão, biquínis reduzidos alegando que os fatos-de-banho lady like não lhe ficam nada bem. Chega todos os anos do El Corte Inglés a dizer que não têm nada de jeito que lhe fique bem e acaba a comprar biquínis na net que não tarda nada servirão apenas à Boneca...

Temo que à medida que as carnes lhe mirrem se transforme numa daquelas velhas excêntricas, deitadas ao sol sem a menor noção de estética ou decência!

MEDO! MUITO MEDO...





segunda-feira, março 9

Tal mãe, tal filha


 
Todos sabem que a Ana trata a mãe dela abaixo de cão. Da mesma forma que tratava o pai acima de gato.
 
Não há nada a fazer.
 
Uma das coisas que ela mais detesta é que lhe digam que está ou é parecida com a mãe dela. Sente-se de imediato despromovida.
 
Quando era miúda, uma das coisas que ela mais detestava era que mãe se atirasse para cima da cama dizendo "estou morta". Aquilo assustava-a. Era uma brincadeira parva, cruel e sem sentido.
 
De nada servia a mãe da Ana dizer que já a mãe dela também tinha a mania de fazer esta brincadeira.
 
Um destes dias a Ana atirou-se para cima da cama e declarou que estava morta. Fê-lo porque estava cansada de aturar os miúdos, desesperada por uns momentos de paz. Ninguém se assustou. Mas ninguém achou piada.
 
A Ana ficou horrorizada porque de repente já não são apenas as outras pessoas que a consideram igual à mãe: ela está igual a mãe!
 
Mas para provar que não é apenas uma borboleta apardalada como a mãe, mas sim uma criatura maquiavélica, manipuladora e profética como o pai, disse aos miúdos que estavam na presença de uma brincadeira de forte tradição familiar e que deveriam dar-lhe continuidade.
 
Tem mau perder esta gaja!

quarta-feira, fevereiro 4

Cerco ao Pai Natal à Fada dos Dendes....


Há já algum tempo que o Júnior anda a tentar passar a perna a estes dois.






Com fracos resultados mas ele bem que tenta.

No Natal, já há algum tempo que tenta  instalar sistemas de video-vigilância, cada vez mais sofisticados, utilizando os diferentes gadjets que vai recebendo. Alguns deles presentes do próprio Pai Natal...

Objectivo: provar que o Pai Natal não existe.

Colocar pimenta nas cenouras das renas, só para as ouvir espirrar, foi uma técnica já abandonada porque corresponde a outra época cujo objectivo era ver o Pai Natal.

O Júnior esperava que com os espirros de um monte de renas ele acordasse com o barulho...

Provavelmente nenhuma das técnicas funcionou devido a boicotes de diversa ordem dos acólitos do Pai Natal...

No entanto estas demarches têm apenas uma periocidicidade anual, já com a Fada dos Dentes a relação é mais frequente. O Júnior ainda só viveu onze Natais, em alguns era demasiado pequeno, por isso só contarão os últimos como anos em que fez questão de colocar à prova o Pai Natal,  já dentes caem-lhe de vez em quando e várias vezes ao ano.

Assim, sempre que lhe cai um dende, tenta dificultar a vida da Fada dos Dentes ao máximo. Da última vez escondeu o dente, em vez de o colocar debaixo da almofada, e foi uma carga de trabalhos para ela o encontrar. Ela a Fada dos Dentes, claro...

Esta semana cansado de tentar enganar a Fada dos Dentes, numa tentativa de desmascará-la provando que a dita cuja não existe resolveu aceitar que sim e deixou juntamente com o dente debaixo da almofada um recibo de quitação para que ela o assinasse.
É muito judeu este miúdo!

Como ela assinou, não se fala mais nisso! A Fada das Dentes, amiga da burocracia, só pode mesmo ser real...






quinta-feira, janeiro 22

D´us essa criatura imaginária...




Quando o Júnior quer que acreditemos numa história qualquer inverosímil, jura por D`us.

A avó Livi fica normalmente lívida e diz-lhe que isso não se faz, que se queremos mentir não devemos fazê-lo em nome do Senhor. A ter que mentir pelo menos que se jure por um cão, um gato, enfim um animal...

Ele, o Júnior fica chocado com a sugestão da avó, quer lá colocar em risco a vida de um ser vivo se pode simplesmente jurar por uma entidade que não existe.

O Júnior nunca leu A Grande Arte de Rubem Fonseca, nada sabe sobre o anão negro Zakkai e as suas histórias de palrador empolado mas se por qualquer motivo se encontrassem já teriam dois pontos em comum.

O Júnior tal como o anão Zakkai gosta de palrar sem parar e fazer apelo a seres imaginários em horas de aperto e assim prefere em caso de alguma história que conte com uma relação distante com a verdade jurar por D'us que a história é verdadeira.

O anão Zakkai, e estou a citar, ao contar uma das suas histórias que envolve uma mulher monumental diz que naquela situação concreta de aperto apelou à D'us porque gosta de trazer para o mundo real pessoas inventadas, seres do mundo da fantasia.

Mas o Júnior, apesar de não ter lido o livro A grande arte começa a dar mostra de conseguir dominar a "a grande arte" de contar uma história qualquer, inacreditável e exagerada, de forma a que pareça credível e natural.

E vocês bisbilhoteiros do caraças, se querem perceber do que estou falar leiam o livro pá!

PS: Tu não, Júnior, amigão que ainda não tens idade...

quarta-feira, dezembro 31

D'us dá e D'us tira


No último dia do ano houve lágrimas aqui no aquário, lágrimas daquelas gordas de saudade de tempos perfeitos, cheios de esperança de venturas sem fim.

Este ano alguém pensou que tinha encontrado a sua companhia para vida, na alegria e na tristeza, na pobreza e na riqueza. Conseguiu sentir mesmo que por pouco tempo o que é ter alguém que só nos quer a nós, que corre pra nós assim que chegamos, que nos faz respirar de felicidade só porque está por perto, que trepa por nós acima mesmo havendo tantos outros candidatos para cima dos quais poderia trepar.

Lágrimas que confirmam que há coisas que só se sentem uma vez, só se vivem uma vez. Essa do para sempre que apenas se suspeitava existir.

E por isso ficou decidido, entre mais lágrimas, que substituir esse grande amor, esse grande amigo, fora prematuro e que por mais que custe teremos que nos separar dos substitutos que agora se entendem extemporâneos.

E foi assim, entre lágrimas de saudades e risos de felicidade,do que se teve, que o Júnior recordou as peripécias do Matrix tantas histórias de amizade entre dois grandes patifes ( um maior que o outro, claro!), histórias divertidas entre um hamster sírio e um rapaz português que gostaram um do outro assim que se viram tão diferentes.

E foi assim que foi decidido entregar os porquinhos da Índia, Caetano e Clarinha, a quem os quer muito ao ponto de querer patrocinar-lhes o romance.

E esperar. Esperar pelo próximo animal de estimação que o escolher. Andar por aí. Não falhar nenhuma loja de animais,nenhuma feira de adopção. Andar por aí. Porque quem sabe, à falta de um hamster sírio não aparece um gato sem vergonha que lhe arrebate o coração!

HAPPY NEW YEAR PEEPS !




segunda-feira, dezembro 22

There's no peace, says the Lord, for the wicked...


E estava a Ana ainda a tentar habituar-se ao seu recém adquirido estado de liberdade natalícia quando estranha não receber o telefonema matinal da criançada...

Resolve ligar, só para ouvir o Pernas dizer que vai a caminho do hospital da Cidade Satélite com a Boneca porque esta se sentiu mal.

Parou tudo para a minha pobre amiga que suspendeu de imediato o visionamento nonstop de Shameless, fechou aquela grande obra literária super mainstream intitulada Critique de la raison nègre, deixando semi-aberta uma lata de sardinhas sem pele e sem espinhas em azeite picante a 5.95€ lata, porque ela pode até não cozinhar mas não come qualquer coisa...

Ficou paralisada de preocupação! 
O que lhe valeu foi o apoio da Avó Livi que assim que soube passou o resto do dia a dizer pobre Boneca, se ainda tu lá estivesses, coitada da minha neta, mas porque a deixaste ir com o pai?,os filhos estão sempre melhor com a mãe, não sei o que tinhas na cabeça para concordares com isto, etc, etc...

O ambiente estava um bocado tenso e não melhorou quando a Ana lhe disse que curiosamente estava com a sua própria mãe e a sentir-se cada vez pior.

Mas não havia nada a fazer, o avó Livi finge sempre que não percebe indirectas e continuou a apoiar a Ana daquela forma tão peculiar...

Eis que tudo muda...para pior, quando chega a foto da Boneca no hospital...a avó olha e pára a meio de mais uma frase tipo coitada da minha neta sem a sua mãe para exclamar de pijama, levaram a miúda para o hospital de pijama!, francamente não sei o que o Pernas tem na cabeça!, disse fazendo um esgar de desprezo e atirando com o iPhone para cima da cama. A minha pobre neta todo o dia de pijama...eu é que deveria estar lá!!!!, lamenta-se a pobre senhora.

THERE'S NO REST FOR THE WICKED!!!

sábado, dezembro 20

Natal talvez feliz



E pronto, é oficial! Este ano a Ana conseguiu um presente de Natal antecipado, uma coisa especial que ela ambicionava há muito: tempo para ela!

Devido a este acontecimento, talvez se reconcilie com a época natalícia, ela que tanto se irrita com o Natal e a eterna guerra de oferendas instituída.

Com o Pernas, o Júnior e a Boneca a passar estes dias com os avós, perto da Cidade Satélite, a Ana tem finalmente a oportunidade, depois de muitos anos, de ter uns dias para fazer aquilo que mais gosta.

E o que faz uma tipa como a Ana quando tem algum tempo livre? 
Vai ao cinema ver filmes que ninguém vê. Vai às compras e compra roupas que ninguém usa, nem mesmo ela. Compra mini vestidos cheios de brilhantes que fazem conjunto com pochettes extravagantes para utilizar em festas a que nunca vai e muito menos irá com aqueles sapatos de salto tão alto. 
Come coisas que ninguém gosta, directamente de latas enquanto vê séries na TV com audiência limitada, tão limitada que ninguém que ela conheça ouviu falar.

O Pai Natal este ano foi mesmo generoso...

Para que aprendas, minha querida Ana, logo tu uma céptica, que duvidavas que um homem gordo, desajeitado e muito em baixo de forma te poderia satisfazer...



segunda-feira, outubro 13

Epílogo



A minha última publicação gerou algum descontentamento: ó pá Jonas o pessoal já estava habituado a seguir as aventuras do conservadorão retro sexual, não acabes com esse mambo; ê pá pelo menos vai dando umas dicas de como as coisas estão a correr, que o teu material é melhor que os diálogos de qualquer Casa dos Segredos; ó bráder essa tua amiga Ana é uma wi da onça, a arranjar desculpas para não ajudar um gajo em situação difícil, etc, etc, etc...

Por esse motivo passo a explicar sem mais delongas aquilo que é óbvio pelo menos para alguns de nós: o tipo está todo funhatado e está numa de pocólica!

Mais afirmo, a gaja que paga as contas aqui do blogue tem bué de defeitos, é um bocado mafiosa, mas é sempre uma amiga para a vida, capaz de aguentar qualquer maka, mas por este muadiê não pode fazer mais nada porque o tipo se entregou nas mãos da Ana Paula ( o gajo não perdoa com esta cena das Anas!), psiquiatra de profissão, que pela módica quantia de 100 euros por sessão, vai ajudá-lo a reescrever os acontecimentos recentemente passados de forma a evitar a depressão em que caiu, quando se apercebeu que foi um patético filho da mãe. Prevejo que devidamente medicado, dentro de alguns meses irá ficar reorganizado e desta vez, só para variar, irá iniciar uma relação, vá, com uma Susana...

Quanto às damas envolvidas, vocês sabem como são as gajas. Depois de chorar baba e ranho, noites sem dormir e falta de apetite a gaja vai também à procura de cuidados profissionais. Começa a dormir melhor, mas continua sem apetite e quando se pesa ao fim  de um mês perdeu três quilos, o que lhe dá o momento de felicidade que precisava para iniciar a recuperação. Pela primeira vez em trinta dias pára numa montra de uma loja, neste caso uma sapataria, entra e gasta nuns botins todos xpto, o dinheiro da segunda consulta reparadora. Com menos três quilos e uns sapatos novos nos pés, pelos quais se apaixonou, desce a avenida rebolando de novo, daquela maneira que tanto gosto,o seu lindo traseiro tribal...

Quanto a vocês, como diria o grande Gilmário Vembameus cámones e minhas cámonas, fica a dica, cuidado com o que fazem e dizem às vossas damas porque vocês não são o Anselmo Ralph.


E é assim, o Jonão avisou, as gajas é que sabem viver!

PS: Tentem ler isto com pronúncia angolana, vai-te cuiar bué!

segunda-feira, outubro 6

Hora di bai


A Ana almoçou hoje pela última vez com aquele seu amigo conservadorão retro sexual.
 
Mudanças de circunstâncias pessoais e profissionais ditaram o fim desta profícua relação em que a Ana tanto aprendeu.
 
Aprendeu, acima de tudo, que há gajos com um forte modo de gaja e que normalmente o disfarçam sobre a capa do conservadorão.
Mas aprendeu principalmente que é uma gaja, vá com um forte modo de gajo, mas uma gaja e isto é um marco para quem até ao dia em que lhe pareceu o período, pela primeira vez, esperava que por milagre lhe nascesse uma pilinha. 
 
O amigo em questão é aquele que tinha uma mulher chamada Ana Maria, que ele detestava, e uma namorada chamada Mariana que adorava.
Acabou por se separar da mulher Ana Maria só que, quando a Mariana se preparava para se mudar para a casa dele,  conheceu a Maria Ana e acabou tudo com a Mariana.
Confusos? Nãããããããããã.....
 
À mulher Ana Maria, ele deixou-a porque encontrou umas mensagens vagamente eróticas, para outro tipo, no PC dela, e a Mariana também está neste momento dispensada, por suspeitas, segundo ele existem fortes indícios!, de troca de mensagens eróticas com outro fulano. Já da Maria Ana prescindiu porque descobriu que afinal gostava mais da namorada Mariana,  mas isso foi antes de constatar que ama mesmo é a mulher, Ana Maria, de quem nunca se deveria ter separado.
 
De facto assim,neste estado não há condições para beber um café quanto mais para almoçar.
 
Eu neste momento e face a esta história só tenho duas questões: primeira, que porra de fixação tem este gajo com as variações do nome Ana?! , segunda como escapou a nossa Ana, a gaja que paga a conta da net que mantem este blogue e que almoçou dezenas de vezes com este cromo, de uma carnificina sentimental? Será que o gajo tem uma fixação apenas por nomes compostos? Mistério...
 
E o que faz um gajo nesta situação para não pensar no que sente? Afoga-se em trabalho! E nos tempos livres paga a uma psiquiatra para lhe dizer que "temos que falar sobre isso", e que em breve, estará curado.
 
Mas mais importante do que relatar tudo isto é explicar, gritar e proclamar que apesar deste gajo não saber para que Ana se há-de virar não deixa de olhar à socapa para a Ana que tem à sua frente, a almoçar, numa tentativa de tentar perceber que tipo de soutien ela tem vestido.
 
E é isto que fica pessoal, um gajo pode estar destroçado, incapaz de decidir sobre seja o que for, mas gajo que é gajo até nos piores momento, se consegue descortinar o tipo de soutien, consegue imaginar o tipo de cueca e daí é só continuar, mas só para o gajos mesmo à séria, é só prosseguir e passar à grande questão lírica, fará ela ou não depilação integral? Sim ou não?
 
É que há coisas que por mais baralhado que o gajo esteja que são automáticas.
 
Um gajo é sempre um gajo! 
 

domingo, agosto 31

Não sabe o que vestir...




A Boneca encontra a mãe sentada na borda da cama, com a cabeça entre as mãos, como quando alguém se preocupa com alguma coisa que mais do que apoquentar, inquieta, desassossega, desespera e pergunta-lhe, naquela vozinha infantil com muita cautela o que se passa, estás bem ?

A Ana levanta a cabeça, controla a respiração e o olhar e responde aquilo que todas as mães respondem às suas filhas de sete anos, que sim que está tudo bem, que está bem, que está apenas a pensar numas coisas que tem que resolver...

Que coisas, pergunta a miúda, curiosa, olhando a mãe nos olhos, pouco convencida. Afasta a dúvida sobre o que vê nos olhos da mãe , agita o cabelo e diz: já sei! não sabes o que vestir! Eu ajudo-te! vais ver que ficas gira.

Sorriem as duas.

Meus amigos, até uma criança pequena sabe quais são os grandes problemas de uma mulher! Pensavam o quê? No anúncio de uma doença grave, um cataclismo?

E EU É QUE SOU INSENSÍVEL????? !!!!!



quinta-feira, maio 29

Ajusta-me que eu gosto

A Ana tem poucos amigos e são todos estranhos. Tão estranhos que a Lhena, a irmã dela, diz maldosamente que se fossem miúdos nos tempos que correm ,teriam sido diagnosticados com múltiplos síndromes. Aliás, esta brilhante psicóloga/psiquiatra de trazer por casa gosta de dizer que se a Ana fosse uma criança nos dias que correm teria até mesmo um diagnóstico incapacitante. Enfim...o amor fraterno não tem limites...

Na segunda-feira um desses amigo deu sinal de vida. Quando a Ana chegou ao seu trabalho, aquele que ela agora tem e que segue o mantra que o Júnior lhe incutiu, em vez de teres um trabalho em que ajudes os outros arranja um trabalho em que te ajudes a ti própria, tinha um envelope grande que dormia na secretária dela desde quinta-feira de tarde, entregue por mão própria, com a "obra" da imagem autografada e com, pasme-se! com uma longa dedicatória.

Quando soube da história fiquei passado e fartei-me de lhe dizer que aquilo não era um presente, era antes uma vil provocação, uma sem vergonhice, onde é que já se viu alguém se vangloriar de tal programa de ajustamento!?!?! Então e ela?  Fica sem parte do seu salário, passa a vida a dizer que estamos na miséria, que nunca mais poderá ir de férias  e ainda conta que assim que abriu o envelope, quando viu o que continha desatou a rir, desatou a rir sozinha, na sala enorme, do prédio enorme,com vista sobre Lisboa...Não se percebe.
- É sempre bom quando um amigo se lembra de nós, diz-me em tom pedagógico enquanto começa a catarolar uma música que inventa na hora, cujo refrão é "Ajusta-me que eu gosto". E continua a rir tal como ria naqueles fins de tarde, na esquina da rua dele com a rua dela, depois das aulas, enquanto ouvia as confidências e os sonhos de quem gostaria de deixar a sua marca no seu país. Rir é de facto o melhor remédio, riu-se porque se sentiu cúmplice de uma partida qualquer, riu-se porque é irónico ser ajustada por um ajustador tão amigo...

- É uma provocação indecente!, quase grito do além.
- Não é nada, diz ela calmamente, ele está orgulhoso do seu trabalho e quer partilhar essa alegria comigo e eu fico feliz por isso. E sinto orgulho. É como se fosse também um bocadinho uma vitória minha. Ele conseguiu o que queria. A isto chama-se amizade, sabias?
- Muito bem, digo eu, então e se aquele teu amigo de infância que queria matar parte da família e parte da população da Cidade Satélite te enviasse,vá , um pedaço do corpo da sua primeira vítima, vais-me dizer que também ficavas orgulhosa porque ele cumpriu o seu sonho e vais-me dizer que também punhas a coisa em cima da tua secretária só para ficares a olhar para ela.
- Depende, diz cautelosamente, de que parte do corpo humano estamos a falar? É que a minha secretária não é assim tão grande, diz piscando-me o olho.  Ri-se muito e com o dedo em riste faz  Bang Bang e  começa a cantarolar "Pim pam pum cada bala mata um, qual foi o porcalhão que de um pum...".

- Lhena! Volta que estás perdoada!!!!

quarta-feira, janeiro 15

Frieza feminina explicada

O mundo tremeu com a morte do grande Matrix mas, não tremeu o mundo de todos!

No meio daquela aflição toda, a avó a prestar os primeiros socorros com o animal na palma da mão aplicando-lhe uma suave massagem cardíaca, o Pernas a lamentar-se por ter sido ele a soltar o Matrix, o Júnior a chorar e a urrar completamente destroçado, como só se vê nos filmes italianos a preto e branco ou então nos enterros ciganos e a Ana a fazer já uma súmula do que poderiam ser umas exéquias dignas para um roedor tão aventureiro, esta tipa tem mesmo vocação para cangalheiro, tem tanto jeitinho para os mortos, já para os vivos...Havia uma pessoa que se mantinha calma e impávida: a Boneca!

A Boneca impávida e o Júnior a repetir sem parar "Matei um amigo, matei um amigo...". São tão sentimentais os machos, sejam machos humanos ou não. Nós os machos temos coração!
Passada a comoção dos primeiros dias era inevitável comentar a frieza da Boneca face a tão funesto acontecimento até porque tanta emoção e agitação lhe provocavam olhares de estranheza. Via-se que ela pensava, serão eles normais? Enquanto que eles pensavam será ela normal?

A Boneca lá explicou porque não chorou a morte do Matrix naquela sua vozinha infantil de seis anos mas já no tom muito douto da mulher que será. Aquele tom conciliatório, aquela paciência na voz mas ao mesmo tempo uma assertividade calma que nos faz querer colocar a nossa vida nas suas mãos.

Lá foi explicando docemente empertigada que não chorou, primeiro porque o Matrix não era uma pessoa, depois nem sequer era dela e por último, e esta última estocada de racionalidade provocou mais uns urros e grossas lágrimas ao Júnior, e por último "não fui eu que lhe pus o pé em cima!"

As gajas, como se pode ver aqui e aqui, já nascem cruéis!!!

sexta-feira, janeiro 10

Matrix, o hamster em cativeiro mais livre do mundo

Andava há que tempos para escrever sobre o filho da mãe do hamster sírio que passou a habitar o ecossistema de que fiz parte até partir para o além. As suas aventuras eram tantas que até a mim me deixaram baralhado. Nem sabia por onde começar e assim, fui adiando adiando...
Para principio de conversa, deixem que vos diga que este mamífero esteve sempre ao mais alto nível, com uma prestação à altura deste que vos escreve e quiçá até da grandiosa Dulcineia.
Explorador nato, conquistador de novos espaços, evadia-se da gaiola regularmente tal qual um Houdini de quatro patas, superando todas as artimanhas humanas com intenção de bloquear a porta da sua jaula, sim porque um animal com tanta garra não habita numa gaiola como se fosse um mísero ser vivo com penas, habita sim numa jaula como qualquer leão sem juba. 
Escondia-se durante horas, fazias ninhos de retaguarda, subia para todos os móveis, mesmo os mais altos, escalava aquecedores de onde caía em grande estilo. Roía só o que lhe apetecia e roeu até ser descoberto a base do sofá da sala, que começou a explorar por dentro. Quando queria variar , trepava pelo seu companheiro acima, o amigo Júnior, e faziam juntos o que lhes apetecia...
Foram meses intensos!
Morreu ontem num acidente exploratório, junto ao cortinado que mais gostava de trepar.
Foram-lhe prestadas as homenagens fúnebres devidas aos mamíferos que vivem neste cardume, demasiado grandes para serem enterrados nos vasos da varanda, onde dormem os da minha espécie. Foi a enterrar em caixão de cartão no bosque, ao lado da Dulcineia, levando consigo a sua comida preferida, alguma lã para fazer o ninho no Reino de Hades, e um gorro do Júnior, que fez o favor de roer, até ficar irreconhecível, numa noite de fúria.
Deixou uma família de mamíferos bípedes enlutada e um grande amigo inconsolável. Pobre Júnior...
Amigão, Matrix, que sejas muito bem-vindo! Cá te espero ao pé de mim, neste blogue, cheio de espíritos de animais mortos, mais vivos que muitos humanos vivos.

segunda-feira, janeiro 6

Save a prayer for me now...

Ao Júnior deu-lhe agora para rezar antes de dormir. Faz o sinal da cruz no início e no fim da oração e, apesar de lhe terem dito que não é baptizado, como tal católico, não abdica deste novo hábito.
Preocupado como sempre em não infringir as regras ainda perguntou se era ilegal rezar na sua condição, mas quando lhe explicaram que D´us não se importaria com certeza ,ficou satisfeito porque rezar lhe dá uma sensação de segurança: tem a convicção que D'us assim olhará pela sua segurança e pela segurança de toda a família.
Depois de rezar, deita-se, ajeita os Puffles na cama, garante serem essenciais à sua segurança na medida em que D´us também precisa de ajuda para o proteger e essa ajuda materializa-se ,tendo por intermediários  estas simpáticas criaturas, que de acordo com ele são espíritos que só conseguem ajudar porque têm espírito judaico.
E é assim,  que as coisas vão evoluindo nesta alma ecuménica e ecléctica, que aos quatro ou cinco anos queria ter a sua própria igreja sendo que neste momento reza a la católica a um D´us judaico enquanto sonha em ir viver para os Estados Unidos da América, comprar uma mota e ter por lá o seu próprio tribunal.

terça-feira, julho 30

Solidariedade masculina os tomates...


Quando algum dos amigos da Ana se separa, a vida dela muda e, não muda para melhor. De repente aqueles almoços de gajos que ela tanto aprecia transformam-se em momentos complicados ,com uns  tipos hiper mega sensíveis, em que ela já não pode fazer simplesmente de conta que os está a ouvir. Tem mesmo que os ouvir, dar opiniões, concordar com eles, fingir ao nível de um Oscar que está muito interessada no desmoronar daquela vidinha de gajo. Porque acreditem, ela quer lá saber. Ela só vai almoçar com eles porque se quer distrair e, enquanto eles falam ela consegue organizar o seu dia e a sua cabeça tendo ainda por cima o bónus de parecer normal porque está a sociabilizar. Já almoçar com uma amiga é cansativo e por isso mais raro porque lá está, não há gaja que ature almoçar com outra que só lhe dá atenção intermitentemente durante todo o almoço...

A parte boa é que passada a fase do desgosto os tipos entram na fase eufórica da recém adquirida liberdade e aí, aí os almoços retomam o seu vigor, e o telemóvel deixa de tocar com um tipo inconsolável do outro lado a exigir atenção. Foi o que aconteceu recentemente, e a Ana estava de novo feliz, foi almoçar com o amigo retrossexual cool chic que já não anda de lágrima no canto do olho e pôde deliciar-se com um almoço vegetariano emitindo apenas meia dúzia de simpáticos grunhidos que remeteram o tipo, relaxadíssimo, para a última Timeout. Parecia tudo ter voltado ao normal quando de repente os seus pensamentos são interrompidos por esta frase do tipo:
- Se resolvesses a tua situação poderíamos fazer uma viagem juntos no próximos Verão.
- Desculpa? pergunta ela meio engasgada com uma garfada de bolo de chocolate.
- Então, repete o tipo com a sua voz calma de crooner, assim que resolveres a tua situação já não tens nenhum impedimento e podíamos combinar fazer uma viagem juntos. Onde gostarias de ir? Veneza? Bologna?
- Mas de que situação falas?, pergunta ela a medo, começando a temer pela sanidade do tipo.
- Então, a tua separação. Se te separares ficas livre para fazeres o que te apetecer...
- Tu queres que eu me separe só para ir viajar contigo no próximo Verão!?, pergunta atarantada.
- Não, apressa-se a dizer o tipo, não é só para isso. Também podíamos passar juntos os fins-de-semana. Íamos ao cinema, ao teatro, jantar fora, andar de bicicleta. Sei lá. Há tanta coisa para fazer. Que dizes da ideia?, continua o tipo olhando directamente para ela com aquele olhar hipnótico, característico dos míopes.
- Olha, não sei o que te diga..., responde com a boca cheia do recheio do bolo, esta coisa da solidariedade masculina ainda é um bocado confusa para mim...

( Solidariedade masculina os tomates, minha linda, ouve o que te diz o Jonão, estes tipos parecem cordeiros mas são lobos e dançam conforme a música, se tu gostas de brincar ao almoços de gajos eles dão-te almoços de gajos mas a verdade é só uma: tu és uma gaja e eles são gajos! Fica a dica! )