domingo, dezembro 6

Pinocada


Na total impossibilidade de banir o Natal do nosso Aquário a Ana optou por fazer aquilo que é a sua especialidade: guerrilha psicológica. Dedica-se então afincadamente a actos terroristas com o fim de desmobilizar a população cá do sítio da celebração natalícia.

Assim, deixou que a decoração se fizesse até ao ridículo (será que era necessário a árvore plástica em miniatura dentro do meu aquário?) mas este fim-de-semana, por exemplo, organizou um campeonato de Jogo de Pinos com o apoio das crianças em que os pinos são, muito apropriadamente, as figuras do presépio que está debaixo da árvore.

As regras são muito simples: estando as figuras no presépio na sua posição habitual atira-se uma bola de bom tamanho e por cada imagem derrubada ganha-se um ponto. Quem conseguir tirar o menino Jesus das palhinhas ganha cinco pontos e pode repetir a jogada. Dá gosto ver o entusiasmo dos participantes...

O que é curioso é que se pensarmos que Jesus é o filho de Deus e foi criado à sua imagem então neste momento Deus já só tem um braço.

Ups...

sexta-feira, dezembro 4

Pila

- Mamã!!! Como é que se escreve pila?

- Pila? Como é que achas que se escreve?

-Então...é um pê e um i ...depois um ele e depois um i!

- Pensa bem. Assim não pode ser um pê e um i lê-se pi e um ele e um i lê-se li e dá pili e tu não tens uma pili pois não?

- Pois não, diz o Júnior a rir, então é um pê e um i e um ele e um a. Pi...la. Olha, vou já escrever pila no caderno para não me esquecer como se escreve.

- Boa! Faz isso!

- Júnior, gritou ela , e pelo sim pelo não escreve em maiúsculas!

Só mesmo uma mãe para pensar em tudo...

segunda-feira, novembro 16

Barak Obama e os Alentejanos

O Presidente dos Estados Unidos da América, Barak Obama, ouviu tanto falar dos alentejanos, que decidiu convidar um grupo deles para visitarem os Estados Unidos.
Mandou o seu próprio avião buscá-los ao Alentejo e prepararam uma grande recepção no hangar presidencial, onde colocaram um grande palanque, com banda, passadeira e cartazes de boas-vindas.
Ao chegar o avião, a banda começa a tocar, os coros a cantar, abre-se a porta do avião, assoma-se a hospedeira e,... nada, dos convidados… nada.
O presidente, descontrolado porque eles não descem, manda o seu secretário investigar. O secretário regressa, fala com o presidente e diz-lhe: "Senhor, os alentejanos não querem descer porque têm medo do Well"
O presidente não percebe nada e diz-lhe: "Mas... quem é o Well?"
Regressa o secretário e diz ao alentejano: - O Presidente pergunta quem é Well?
E o alentejano diz-lhe: - Não sei! Mas ali, naquele cartaz diz:
*"WELL COME ALENTEJANOS"*

sábado, novembro 7

Os sintomas do H1N1 explicados por uma criança de seis anos...



Febre Início súbito a 39ºC
Mamã! Estou a arder. Acho que vou derreter. Achas que uma pessoa pode derreter de repente?

Dor de cabeça Intensa
Mamã! Tenho uma pedra grande dentro da cabeça. Quando abano a cabeça ela anda lá dentro, mas pouco, porque não tem muito espaço.

Calafrios Frequentes
Tenho frio! Os meus ossos estão a tremer. Parece que os meus ossos vivem num planeta mais distante do sol.

Tosse Seca e contínua
Porque é que eu tusso e não sai nada?

Ardor nos Olhos Intenso
Tenho os olhos a arder. Ardem tanto que gostava de poder tirá-los e metê-los num copo água. Posso, mamã?

Diarreia
Mamã hoje fiz coco às bolinhas. Achas que um dia vou conseguir fazer aos triângulos? O professor Valter diz que se pode fazer tudo com figuras geométricas, foi isso que aprendemos ontem, propriamente foi isso.

Vómitos
Mamã! Eu não quero vomitar mais porque faço tanta força que tenho medo que o meu estômago saia e depois não posso comer!

Os peixes também podem contrair a gripe A ou há aqui uma impossibilidade zoomórfica?

Lutónia


-Mamã, que bola azul é aquela?

- ?

- Aquela ali no calendário, no dia que tem um 1 e um oito.

- Ah! Aquele é o símbolo da União Europeia. A União Europeia é um conjunto de países de que Portugal faz parte e naquele dia que é o dia 18 aparece no calendário para assinalar o dia da Letónia. A Letónia é um país distante de Portugal...

- ! Letónia? Pensei que era Lutónia. Até achei que estava cheio de sorte como gosto muito de lutas um dia podia ir lá passar férias. Assim já não dá. :

domingo, novembro 1

Conversa que não é cagada não é conversa não é nada!


(ditado popular da ilha dos ilhéus mais desbocados do planeta)


No WC ( também conhecida pela Casinha do Plof ) ao longe:


- Boneca, olha o cocó do mano!

- Uau! São dois!

- Não Bonequinha ( voz de mano mais velho), são três. Tu é que não estás a ver aquele ali escondido.

- É. São tês. Boa (voz alegre).


Barulho do autoclismo.


- Oh! Foi embora. :(

- Adeus, diz a Boneca, bom óóóó. Adeus

- Eles não vão dormir, diz o Júnior, vão para o planeta dos cocós. É assim: descem pela parede e vão para o sítio onde se juntam todas as porcarias. Os cocós, os xixis, o lixo, o vómito...É assim!

Uhau! Diz a Boneca olhando para a sanita como turista a admirar a Buracona e ...foi à vida dela, pois tá claro!
( os trocadilhos brejeiros que eu poderia articular em redor deste nome,mas hoje não estou para isso que o meu Benfica perdeu)

quarta-feira, outubro 28

sexta-feira, outubro 23

Level 2


Agora que o Júnior já tem seis anos agarrou na caixa cheia de Gormitis e deu-a à Boneca.

- Toma, Boneca. São para ti! O mano já não quer os Gormitis, já não gosto, podes ficar com eles todos. Agora só quero Bakugans.

A Boneca estendeu os braços para agarrar a caixa cheia de heróis musculados, feios e de voz grossa (esta só é revelada quando são espetados no altar...), e disse:

- Boa! A Boneca gosta muito.

E lá ficou a tirá-los da caixa enquanto os revirava entre os dedinhos só para voltar a colocá-los outra vez na caixa com uma naturalidade misturada com desdém só comparável à naturalidade e desdém com que tratará dentro de alguns anos os Gormitis de carne e osso que lhe couberem.
PARABÉNS JÚNIOR!

sexta-feira, outubro 16

Cena malaika

Como isto está uma pasmaceira do caraças deu-me para vasculhar a caixa de correio da dama cá de casa. Um gajo tem que se entreter com uma porra qualquer!
Olhem, apresento em baixo um documento que apreendi datado de ontem e que complementado com este SMS da passada sexta-feira levanta a seguinte questão:

MAS AFINAL AONDE É QUE ESTA GAJA CRESCEU? NA QUINTA DO MOCHO?

SMS:
Olá! Já tinha pensado ir no sábado mas afinal não vai dar. A policia está outra vez atrás de nós. Depois falamos.

E-mail:
V JANTA. 10.OUT.2009
********************
Da Adega à Polícia – assim se edificou uma noite fabulosa
*
Terminou em apoteose mais uma jantarada, a Quinta.
Este ano, alcançando horizontes só auspiciados pelos mais audazes.
Com abertura solene numa soberba Catedral Báquica, em noite prometedora, a 5.ª Janta ultrapassou as expectativas dos mais cépticos. Até os músicos esperados há cinco anos, compareceram.
Numa noite mirabolante, houve bebedeiras descomunais, porrada e tudo o que se pode esperar de uma noitada perfeita. Um dos presentes fez questão de comunicar à org que a melhor parte, foi mesmo a presença na Esquadra de Polícia.
Para o ano haverá mais surpresas.
Mas nada é perfeito, e as bailarinas Ucranianas - novamente em desatino -, voltaram a falhar.

Até pró Ano
Zor El Loco

sábado, setembro 19

De como as mulheres são determinadas, casmurras e de como não sabem escolher as companhias e de como um gajo nunca as poderá entender

A Boneca decidiu há alguns meses que não voltaria a dormir na sua cama de grades e passou a dormir com a mãe.

No verão decidiu que queria dormir com o mano mas como a cama dele era pequena foi comprado este beliche. Assim o Júnior passou a dormir em cima e a Boneca em baixo num colchão que não aparece na imagem.

Logo na primeira noite decidiu que queria dormir no tapete. E foi deitada nele que se passou a ser encontrada todas as manhãs. Era para lá que se mudava a meio da noite! Entretanto passou a pedir para dormir directamente no tapete sabe-se lá porquê! Não lhe fizeram a vontade e muito triste queixou-se aqui ao Jonão:


- Não me deixam fazer nada!

Continuou entretanto a dormir no tapete. Levantasse as vezes que forem necessárias e vai para este tapete.


Foi colocada uma grade como esta para impedir que dormisse no chão. Também não funcionou. Todas as noites a meio da noite a Boneca dá a volta ao beliche levando consigo o Ursinho Castanho e o Noddy e lá adormece no tapete.



Invariavelmente todas as noites alguém acorda e volta a levá-la para a cama. Porque é que alguém acorda? Porque o Noddy é um bufo que não sabe estar calado. A meio da noite a Boneca fica por cima dele e esmaga-o e o pérfido boneco em vez de aguentar com um sorriso naquela cara de palerma grita muito alto:
-My name is Noddy!
E acorda o pessoal do aquário...e mesmo assim a Boneca não desiste de o levar sempre nos seus passeios nocturnos.
Vai-se lá perceber as mulheres.

(reparem como estou cada fez mais contido e como posso ser elegante porque na verdade esta minha história facilmente poderia ter descambado para a mais fantástica e ordinária vulgaridade)


quinta-feira, setembro 17

POÉSIA

:)

Estes são uns versitos que me dedicaram no Terra Longe:


ICTUS IONAM

Ictus esse fortunae est — dizia menino
n’Pelourim d’pexe d’Soncent, nas raias da vida
e com tempo e escudos contados.
Liberdade era longe.
Não distinguia
a da mãe,
a do partido que silenciava até as moscas,
a do pescador da galileia e, pior:
a que tens, ó fidge d’terra
— ser peixe, e não ter grande para te comer
nas novas de águas novas
ou ventre abrupto.

Ah, como são profundos os rios espúrios,
os mares de sal e as alegrias de doce e neve...
— balidos descarnados de argo-internautas
sem vinho doce,
o que gosto em ébano e oiro,
abacate fêmea; a natureza das coisas és.
E escuto-me, de avental: hueles muy bien desde mañana…

Ictus, ó ictus, tem sempre este destino.
Antes de ti já o era: Deus também aprendeu
que uns são pão e vinho, e outros
sabor de cachupa
e arte, digo eu:
arte-nós.

Não percebi nada mas enfim não quero ser mal agradecido...agora o que eu queria saber mesmo era o nome da babe a quem ele dedica isto....


O ENFORCADO

Sonhei esta noite que morria.
Tive um orgasmo. Acordei para o Mundo
— esse rameiro de flores que dá mel ao mal .
Testemunha, putrefacta, a essência de tudo
enquanto novas de eternidade revisitam-me.

E queria escrever os poemas que não és capaz de ler
com os teus olhos. Despertar-te para a roça,
sobreviver-te e aos teus sonhos
num grão de açúcar no mar d’Kepóna.

Há uma fronteira que não se cruza, saberias
— o sabor do mar é o nome da saudade.

Sonhei esta noite que morria,
que morria enforcado, docemente enforcado
num laço de poemas, nos poemas que não és
capaz, não chegas para ser capaz de ler.
E tive um orgasmo!
Era teu.

domingo, setembro 13

A Língua Portuguesa é Muito Traiçoeira...

- És mesmo puta, Boneca! Mamaããããã! A Boneca é uma puta!

O Júnior gritou isto a plenos pulmões na sua vozinha infantil num tom mesmo zangado e eu que estava a boiar de barriga para cima fiquei na vertical como se fosse um cavalo-marinho. Não que eu goste de boiar. Só o faço porque me diverte ver a aflição da Ana quando me encontra assim porque pensa logo que bati a barbatana e fui desta para melhor. De qualquer forma mantive-me mais calado que uma alga filiforme à espera da reacção dos ditos responsáveis pela educação do petiz.
-Júnior, isso não se diz ,disse a Ana naquele tom de voz esta porcaria é mesmo importante mas eu vou fingir que uma situação banal e corrente. Não se diz, é feio.
- É feio? Feio é a Boneca destruir a minha igreja que eu estava a construir. Até tinha três torres! A Boneca é uma puta. Mesmo puta
- Não estou a perceber o que é que uma coisa tem a ver com a outra, diz a mãe já com outro olhar (quando é que o miúdo acaba com esta trampa da construção de igrejas?...) ao mesmo tempo que olhava para a apocalíptica Boneca com um certo ar de aprovação, afinal a filha tinha destruído uma igreja!
- Então, diz o Júnior cada vez mais exasperado, na minha escola quando eu faço alguma coisa de mal os mais velhos dizem que eu sou um puto e dizem sai puto, sai. Sai puta! Sai diz ao virar-se para a irmã.
A Ana faz um ar sério, aquele ar tipo se disseres mais alguma coisa vou desatar a rir mas não quero que te apercebas. Eu por esta altura já ria abertamente fazendo baloiçar o aquário (pronto estou a exagerar um bocadinho...)
-Ouve,fofinho não podemos dizer isso.
-Então se os meninos são putos as meninas são putas.
- Fofinho os meninos podem ser putos mas as meninas não podem ser putas (conforme diz isto quase que lhe sai um gargalhada mas controla-se ela lá sabe porquê). Não se diz assim. Há nomes que se pode chamar aos rapazes mas que não se pode chamar as raparigas.
- Não é justo, diz o Júnior. Eu não acho justo.
- É! A vida nem sempre é justa, Júnior, diz ela com um riso atrás da orelha...
Eu concordo. A vida não é justa. Mas é divertida pa caraças!

domingo, setembro 6

O Cérebro do Júnior


- Mamã! Olha o Gormitti que eu pintei!

- Está muito giro...mas diz-me uma coisa porque é que não utilizaste outra cor? Assim ficou todo amarelo.

- Não sei. O meu cérebro é que manda. Ele disse-me para pintar o Gormitti de amarelo e eu pintei. Também não pintei nada nestes dois bocadinhos do joelho, vês?, porque o meu cérebro disse-me para não pintar.

:0

- Agora por exemplo o meu cérebro está a dizer-me para recortar o desenho e colá-lo na porta da cozinha. Tens aí a tesoura?

Começa a recortar o papel...

-Afinal vou colá-lo na porta do quarto da avó! O meu cérebro mudou de ideias (ar cansado). Há vezes que não percebo o meu cérebro. Não percebo porque me manda fazer isto ou aquilo. Mas acho que os cérebros são mesmo assim (ar conformado).

-Há vezes que acho que o meu cérebro não é lá grande coisa (encolher de ombros).

Pergunta minha: Será o Júnior apenas mais um esquizofrénico simpático ou terá herdado as capacidades paranormais da mãe?

Anythougts? Anybody?

quinta-feira, setembro 3

UM PRETO BATEU-ME...

Um tipo que eu conheço, branco, foi um dia destes a um casamento de um camarada de armas e levou a mulher e o filho que tem uns 4 anos.
Um casamento de pretos como ele explicou cândidamente. Cento e tal negros e meio dúzia de pulas festejaram alegremente como se não houvesse amanhã.
Segundo ele a coisa correu bem até porque ele não é nada mas mesmo nada racista. Como prova disso apresenta uma lista grande de pretas e mulatas que diz ter comido à fartazana e agora apresenta mais um comprovativo: a sua presença neste casamento confirmada por convite e fotografia com os noivos.
O problema põe-se aparentemente com o filho dele. Parece que o petiz já nasceu racista.

:)

A criança esteve a brincar o tempo todo com os outros miúdos, todos eles negros, mas a dada altura um deu-lhe uma lambada. Acontece!
Desatou a chorar, atravessou o salão a correr (onde como já se sabe se encontravam cento e tal negros e meia dúzia de brancos) e, quando chega ao pé do pai diz bem alto:

-Pai, um preto bateu-me!

E ficou ali parado a olhar para o pai.

:)

Pagava para ver.

quarta-feira, agosto 26

Férias num Colonato Britânico

O meu aquário foi cuidadosamente transportado para o local de férias dos últimos anos destes cromos com quem vivo. É divertido para caraças.

É uma moca alugar uma Villa pela internet e ir parar a uma vivenda (ou moradia para os mais pindéricos) depois de preencher uma Booking Form e de pagar a Invoice em euros depois de feito o câmbio de libras.

Quem diria que isto tudo se passou em Portugal?

Mais ainda, quem diria que a porra do invoice quer dizer factura em português?



Quando chegámos ao Colonato estava, está claro, tudo em Inglês: a mensagem de boas-vindas, as instruções de funcionamento de tudo e mais alguma coisa excepto as da máquina de lavar roupa que estavam em alemão. Sim! os alemães que lavem a roupa suja dos ingleses ou será que é mesmo verdade que os ingleses não tomam banho e não gostam de usar roupa interior lavada? Também as indicações em caso de incêndio e até as normas da piscina estavam afixadas apenas em inglês. Aquele aquário de tamanho gigante, fantástico, onde segundo parece, o meu inglês é fraco, não se podia mergulhar: NO DIVING.

Não que os tugas precisassem de desculpas para não cumprir as normas...

- É proibido mergulhar? Oh, man, não acredito, ainda disse o Júnior, saltando para dentro da piscina pela centésima primeira vez naquele dia desta vez a fazê-lo em passo de corrida como se fosse de repente começar a andar sobre a água caindo de pernas abertas e lançando a confusão. Como é que o gajo não se magoa nas cerejas ao entrar na água daquela maneira?! Balls of steel, I guess.

Proibido, também, era dar de comer às formigas. Aliás, a formiga algarvia, é descrita no manual de instruções da casa como se fosse a formiga africana. Um gajo depois de ler aquilo até pensa podem engolir um aquário.

Fiquei com a ideia que para os britânicos o hábito de fim de tarde do Júnior de espalhar migalhas pelos portões da piscina só para vê-las aparecer aos montes estará equiparado às funções de domador de leões.


Foram de facto umas férias arriscadas para estes tugas devido ao problema da língua. Imaginem o que é ter comido durante tantos dias take-way de restaurantes chineses e indianos com menu apenas em inglês. Requer um espírito de aventura acima da média, people. Acima da média!


Outra coisa que me deixou de boca aberta foi a falta de confiança dos ingleses no esgoto português. É verdade! Para eles, e passo a citar o manual ( a tradução é da Ana), a canalização em Portugal é geralmente pouco eficaz pelo que não é permitido atirar lá para dentro fraldas!!!, excessos de papel e etc.
Querem lá ver que se eu estivesse no UK e mandasse pelo cano abaixo um par de fraldas aquela trampa não entupia?
Querem lá ver que se o filme do Nemo tivesse sido gravado em Londres a célebre cena em que o peixinho vai pelo sifão abaixo podia muito bem ser protagonizada pela baleia Keiko do Free Willy?
Querem lá ver?


Enfim. Não dá para acreditar que há cromos ainda mais cromos que cromos os portugueses!

domingo, junho 14

Epifania


De repente percebi o que está errado na minha vida!


Estou preso num episódio do Ruca.

quarta-feira, junho 10

As mulheres são melhores em tudo...


O MEC escreveu não sei onde que as mulheres são melhores em tudo...mais inteligentes. Não podia concordar mais com ele.

Basta pensar num exemplo qualquer aqui do meu aquário.

Segundo parece o Júnior decidiu começar a andar com 9 meses. Estava farto de estar sentado e resolveu por-se de pé e andar. Caiu inúmeras vezes. Bateu com a cabeça milhentas vezes numa fase que é conhecida aqui pela fase da "melancia no chão" porque era exactamente esse o barulho que a cabeça dele fazia quando acertava no soalho em mais uma tentativa de andar: uma melancia que cai e se parte em mil pedaços. Quando finalmente conseguiu dar mais de três passos gargalhou de triunfo enquanto ia de uma parede a outra a andar como se estivesse a aprender a patinar dentro dum barco. Só parou quando bateu violentamente com a cabeça na parede. Chorou, levantou-se e voltou a andar para voltar a cair. Não estava preparado mas a sua truculência não o deixava desistir.

Já a Boneca começou a andar como se estivéssemos a visualizar um episódio bíblico: um dia levantou-se e andou. Arrumou os brinquedos no tapete, levantou-se e foi buscar o que queria à outra ponta da sala e voltou sentar-se. Andou à primeira tentativa e nunca caiu.


É. As mulheres são melhores em tudo...e mais inteligentes.


Ontem a Boneca caiu pela primeira vez. Ia a correr no terraço e caiu. Ficou de joelhos sem saber se era par rir ou para chorar. Quando viu a cara da avó chorou. Afinal era para chorar. Arranhou os joelhos e sangrou um bocadinho. Chorou como se não houvesse amanhã. Quando parou disse que não queria andar mais. Olha para o chão com ar de superioridade ressentida, como se estivesse a disciplinar o solo. Só vai voltar a tocar aquela matéria ignóbil quando lhe decidir perdoar. Até lá é transportada pelos adultos como se fosse uma santa num andor mas, pôr os pés no chão por agora nem pensar.

O Júnior quando decidiu correr não estava preparado e batia violentamente em tudo o que era móvel ou parede. Chorava furioso quando se magoava mas em vez de se mostrar superior a tudo pontapeava as paredes ou as estantes até magoar os dedos dos pés e voltar chorar deitado de barriga para baixo dando murros no chão até ver pelo canto do olho algo interessante num sítio qualquer. Rastejava até lá já calado para voltar a berrar furioso porque afinal o bolo de passas que tinha apanhado estava duro e lhe tinha magoado a boca para voltar a parar de chorar e rastejar até outro objecto qualquer. Acabava por adormecer todo negro, inchado e ranhoso debaixo da mesa ou atrás do sofá.


É! As mulheres são mais inteligentes...


Não estou a ver a Boneca daqui a um par de anos a saltar do sofá para cima do aparador só porque estava meio aborrecida e parar apenas depois de ter errado o alvo acertando de chapa no chão ficando com o nariz a deitar sangue e com a cara com o dobro do tamanho. Isto depois de ter entalado um dedo e caído nas escadas. Tudo no mesmo dia. Quando chegou à escola na segunda pensaram que tinha tido um acidente de automóvel. A avó até sugeriu levá-lo ao médico. Afinal tanto tropeçar só podia ser sinal de danos neurológicos graves...


É! As mulheres são melhores e mais espertas. Em todas as idades...


Não me parece que a Boneca decida no dia em que fizer cinco anos descer as escadas montada na bicicleta só porque lhe "pareceu que era capaz" e que como resultado fique toda esfolada da gravilha do terraço como aconteceu com o Júnior. O miúdo ainda gritou um bocado. Aquilo deve ter doído mas começou logo a rir de felicidade. Afinal, por sorte, não se tinha magoado nos tin-tins e maravilha das maravilhas não tinha largado o Bolicau que levava na mão, já meio comido, que aproveitou para devorar antes de se levantar.


É! As mulheres são melhores em tudo. E mais inteligentes!


Mas a verdade, people, é que os gajos é que se divertem comó caraças!

:)

segunda-feira, maio 25

O construtor de igrejas


Enquanto observo o Júnior a construir mais uma igreja, usando para tal os blocos de madeira e de plástico, há muito que deixou de construir castelos, carros ou casas agora só faz igrejas, recordo a nossa ida ao cemitério, sim porque eu também fui, uma vez que a ideia era visitar o avô Moisés que ainda não me conhecia a mim nem à Boneca...e lá fomos.
Na verdade a Ana pensava que resolvia, com uma ida ao cemitério,o problema espiritual do Júnior assim que percebeu qual era. Ele só queria ir para o céu como o Jesus para visitar o avô Moisés de quem sente muito falta. Quando confessou a coisa estava até meio a choramingar porque tinha medo de no regresso do céu não conseguir dar com a casa dele...e a mãe lá lhe prometeu que ficaria à janela a gritar o nome dele até vê-lo chegar o que o deixou logo mais descansado.
A ida ao cemitério foi normal, acho eu, se é que é normal entrar num cemitério um miúdo de cinco anos com um peixe preto dentro de um saco de plástico...mas se era isso que chamava a atenção rapidamente o foco se alterou. O Júnior assim que chegou à campa do avô ficou todo contente, apresentou-nos a mim e à Boneca e começou a empurrar a pedra. Então ninguém ajuda? Assim nunca o avô vai sair daqui com esta pedra tão pesada em cima. Vá lá ajudem!
A partir daqui foi a espiral de loucura típica deste aquário com o Júnior a fazer cada vez mais perguntas, cada vez mais alto e Ana a dar cada vez menos respostas e cada vez mais baixo enquanto uma multidão de viúvos e viúvas olhava na expectativa para ver qual seria a próxima questãozinha. De nada serviu explicar que só o corpo do avô estava ali porque o espírito já estava no céu porque o puto queria saber porque é que só uma parte do avô tinha ido para lá se o Jesus tinha ido todo!!!! Até porque ele não fazia ideia do que era o espírito...mesmo quando lhe disseram que o dele estava dentro dele perguntou se era no estômago ou nos pulmões que estava acrescentando ufano ,para quem quisesse ouvir, que tinha dois pulmões como se malta já não tivesse percebido pela gritaria dele.Depois quase gritou a perguntar, olhando para a vastidão do cemitério, se todas aquelas pessoas estavam mortas começando a percorrer as campas dando gritinhos de espanto sempre que via alguma coisa que lhe interessava. Tudo lhe interessava!!! Porque é que estão duas fotografias aqui?Uau! Este tem o Jesus na Cruz para quê? O avô não tem o Jesus porquê? Anda cá ver este, tem a mãe do Jesus em cima duma nuvem! Não sabia que ela também podia andar nas nuvens!!!... Está toda lá ou só uma parte, mamã?

Porque é que o avô tem uma árvore se toda a gente tem uma cruz e se é a árvore da vida porque é que o avô está morto? E se o Jesus era especial e por isso foi todo para o céu porque é que tu dizes que ele era um homem como outro qualquer? E porque é que o avô não tem uma cruz nem um Jesus? Estavam zangados? Mamã e o que é que está aqui escrito?

...

Não serviu de nada tudo isto. Tanta resposta e tanta pergunta... o miúdo continua a construir igrejas e, pior ainda, agora diz que quando for grande quer ter uma igreja só para ele.....(isto soa-me a qualquer coisa familiar...)

segunda-feira, maio 11

sexta-feira, maio 8

Dulcineia



Hoje dei por mim a ler o que a Dulcineia escreveu neste blogue entre 2005 e 2008 e fiquei cheia de saudades dela.
Saudades do pelo macio, dos dentinhos dela na minha pele, do barulho que as suas patinhas vaziam no soalho quando dava aquelas corridinhas repentinas, ...enfim na prática gostava que fosse possível chegar hoje a casa e ser recebida por aquele narizinho cor de rosa sempre no ar.
Jonas, desculpa lá, mas ter um peixe não é a mesma coisa!

quarta-feira, maio 6

AP/DP

Imagem:Jesus na versão do Júnior


A vida do Júnior mudou. Podemos mesmo falar da vida dele Antes da Páscoa e Depois da Páscoa.

Antes da Páscoa brincava aos piratas na hora do banho, havia sempre muito barulho, muita água na casa de banho ( na prática se eu me atirasse do aquário para o chão do wc continuaria a conseguir nadar...), gritos guerreiros, assaltos a barcos, pancadaria entre os bonecos, alguns feridos graves, tiros e disparos de canhões e havia sempre um pirata vencedor.
Enfim, tudo normal!
Agora brinca ao Jesus. É já sei. Está para lá de estranho. E é mais ou menos assim:
- Pessoal, olha ali! Estão ali uns para baptizar.
- Bora lá malta! Não podemos perder tempo!
- Rápido, rápido, que eles querem fugir....
Barulho, gritos, vozes várias, água por todo o lado.
- Onde está o Jesus? Precisamos do Jesus!
- Está ali em cima da nuvem com o pai dele, o Deus!
- Vou chamá-lo!
- Jesus, sai da nuvem, temos aqui muitos para baptizar.
- Vou já! Não os deixem fugir.
Barulho, confusão, gritaria, tudo com várias vozes, água por todo o lado até ao grito de vitória:

-Conseguimos! Estão todos baptizados!
- Viva! Viva!
Os bonecos são os mesmos, os piratas, e o Jesus é o boneco que representa o capitão pirata...

Repito a pergunta de uma amiga minha, minha irmã na fé, perplexa e horrorizada quando lhe contei a história:

-Mas afinal qual foi a versão da vida de Jesus que o puto viu, meu?

domingo, maio 3

De novo as aranhas...


- As aranhas também fazem coisas para o dia da mãe?

Pergunta o Júnior enquanto tenta dizimar as aranhas da varanda com uma pequena vassoura.

- Acho que sim..., responde a mãe.

- Ah! ´tá bem, diz indiferente, enquanto continua a tentar matá-las.
E eu é que sou cruel!!!

segunda-feira, abril 27

As Gajas já nascem cruéis!

Uma noite destas a Boneca pulava dentro da cama de grades como se tivesse um par de baterias novas enquanto na outra cama o Júnior pulava também...enfim mais um fim de dia calmo no aquário... o que me vale é que som passa mal através da água.
De repente o Júnior pára para despir as calças e vestir as calças do pijama deitado de barriga para cima e sempre ao pulinhos e é aí que a Boneca pára também e começa a rir, um hihihih gozão, divertido e com um arzinho muito superior enquanto aponta para os genitais do mano que abanam alegremente. Hihihihihih ri com gosto enquanto aponta para baixo. Como se os genitais do mano fossem a coisa mais despropositada que alguma vez viu.
O Júnior suspende a galhofa com um ar meio apalermado e faz um sorriso amarelo olhando para baixo inseguro verificando se está tudo bem a sul.
- Porque é que ela está a rir?-pergunta incomodado.
- Mi nã tem - diz a Boneca com o ar mais cândido que conseguiu encontrar como se não estivesse há poucos segundos a provocá-lo.
A Boneca tem apenas dois anos e já sabe o que fazer para transformar um macho vibrante e seguro numa criatura cheia de problemas.
As gajas já nascem cruéis!

quarta-feira, abril 22

O JESUS


No Domingo de Páscoa enquanto eu dormitava no meu aquário, atravessado por um radioso raio de sol, pousado no ventre da Ana, para que assim estivéssemos mais próximos enquanto sonhávamos com o dia em que peixes e homens, neste caso este peixe e esta mulher, pudessem viver juntos no mesmo meio físico sem perigo de vida, sou interrompido por um Júnior muito excitado que entra no escritório para dizer que o Jesus expulsou os vendedores da igreja.

Suspiro contrariado, abrimos os dois os olhos e a Ana pede-lhe que repita.

- O Jesus! Sabes? Expulsou uns homens que vendiam porcarias na igreja.

Ao ver a nossa perplexidade acrescenta:

- Ele podia expulsar, sim, porque a igreja era do pai dele, o Deus! E ele agora já não é um bebé, cresceu.

E com isto volta para o quarto da avó muito apressado.

Quando é que deixam de passar estes filmes na TV?

Regressa passado uma hora muito ansioso para nos explicar que o Jesus, como ele diz, carregou uma cruz muito grande, quase que desistiu, mas foi forte e conseguiu levar tudo até ao fim. E tinha uma coroa que lhe fazia doer porque se via uma gotinhas de sangue a sair e no fim martelaram uns pregos na mãos e nos pés e ficou preso na cruz e a mãe dele esteve sempre lá.


Eu estava horrorizado e só pensava, pronto o petiz vai ficar com stress pós traumático para a vida e pensar que a mãe não o deixa ver o CSI por causa da violência. Coitada da criança!


Fiquei na expectativa para ver como é que a Ana iria reagir aquilo tudo. Mas não foi necessário porque depois desta descrição o Júnior pergunta:


- Mamã, se eu quiser posso ser o Jesus? Posso? Não sei é se vou conseguir carregar uma cruz tão grande. Há cruzes mais pequenas? Se houver compras-me uma mais pequena? Do meu tamanho. E uma coroa que não faça doer tanto. Compras? Mamã, e quem é que me vai pregar na cruz? Tu não podes porque me vais ter que dar água. Onde vamos arranjar alguém para me por os pregos? Achas que doí muito? O Jesus não chorou por isso não deve ser assim tão mau. Posso? Posso? Diz que sim!

Eu fiquei de boca aberta para aí 30 segundos. A Ana deve ter entrado em apneia só de tentar compreender o que se passava naquela cabeça a fervilhar.


-Mas afinal porque é que queres ser Jesus? Ainda no mês passado querias ser o Obama!?


- Posso ou não?-pergunta já meio aborrecido.


-Podes, claro. Porque não. Olha vai falar com avó e pede-lhe que te compre uma cruz. Ela é que é a perita.


- Avó!!!A mãe diz que eu posso ser o Jesus. Como é que fazemos para arranjar a cruz? Avóóóóóó



Hehehehehehehe.

Cardume de malucos

sábado, abril 18

Berlusconi


"Of course, their current lodgings are a bit temporary. But they should see it like a weekend of camping."


Italian Prime Minister Silvio Berlusconi, comenting on the thousands left stranded and homeless by the country`s worst earthquake in 30 years



Ora aqui está um peixe que nunca morrerá de engasgo!!!


;)

terça-feira, março 3

Polícia de Família


Como a todos os portugueses já têm Médico de Família o governo achou que mereciam um up grade e vai criar o Polícia de Família.



Segundo um peixinho que eu conheço num aquário da Scotland Yard andam aí uns polícias ingleses a explicar aos agentes da PSP como é que de repente se podem transfigurar desta maneira.



É do caraças! Imaginem só! Um polícia atribuído a cada família que irá incluir as famílias como parceiros nas investigações e oferecer informações sobre o decorrer das mesmas atempadamente.



É claro que esta medida será implementada antes das eleições. Mais uma medida exemplar do vosso querido Pinóquio português.



Só para Inglês ver, claro


segunda-feira, fevereiro 16

Duas maneiras de ver o mesmo fim-de-semana




(Aviso: Esta é uma história verídica, people!)




Ele


Chega a casa na sexta-feira decidido a colocar tudo em ordem. Afinal ele é o líder da casa. As crianças vão passar a fazer pouco barulho e só comerão comida saudável. A casa vai passar a estar em ordem e arrumada e mais importante ainda ela vai passar a fazer os seus pratos favoritos como a sua mãe. Está farto de comida sensaborona. E é isto que lhe diz assim que a encontra.


Acorda sábado de manhã deitado no sofá com um leve ruído de pratos: ela está a pôr a mesa com o serviço reservado às ocasiões especiais e serve-lhe um pequeno-almoço reforçado. Parece que a conversa da noite anterior deu resultados.


Volta a adormecer para voltar a acordar e adormecer. Na prática dormiu todo o fim-de-semana.




Na segunda-feira, muito descansado, resolve combinar uma pescaria em alto mar com os amigos: afinal sente-se como novo e tem direito a um sábado só para si.


Só na sexta feira lhe comunica este momento de lazer para que ela não ande toda a semana a azucrinar-lhe o juízo. Depois de algumas recriminações ela acaba por se levantar na madrugada de sábado só para lhe preparar um termo com café para a pescaria. Nada mau, comenta com os amigalhaços. Ela está a amansar. A pescaria corre bem e, o melhor peixe fica logo escolhido para oferecer à mãe, pena foi as dores de barriga e a diarreia que lhe deu umas horas depois de embarcar, situação muito pouco prática num barco de pesca, e que se prolongou pelo dia todo.




No Domingo, já recomposto, resolve ligar a uma amiga lá do trabalho para combinar um cafezinho. Não se passa nada, claro. É só uma amiga mas sempre que tenta ligar para o número que gravou no telemóvel vai parar a outro lado. As novas tecnologias são lixadas.




Ela


Chega a casa na sexta-feira já meio aborrecida porque sabe que ele vai começar com as suas tentativas de intervenção doméstica. Afinal estamos a falar do gajo que lhe queria ensinar a amamentar as filhas!!!


Serve-lhe a sopa que ele diz que não sabe a nada, a da mãe é que é boa, com um pouco de Sedoxil triturado. Para ela um almofariz é um bem essencial em qualquer lar moderno.


Surpreendentemente ele acorda no sábado para o pequeno-almoço. Ou o gajo está mais gordo ou ela enganou-se na dose. Tira a loiça especial por causa do açucareiro que já tem o açúcar com o sedativo. Por causa das miúdas tem que estar escondido.


Graças ao Sedoxil lá consegue salvar o fim-de-semana.




Na semana seguinte quando ele lhe diz que vai para uma pescaria fica lixada. Tinha pensado mantê-lo acordado pelo menos no sábado. Para ir ao cabeleiro precisa que alguém olhe pelas miúdas. Filho da mãe que não serve para nada!


Um casal deve manter-se unido e se ela vai levar outra vez com as crianças os dois dias ele também vai sofrer. Lá se levanta de madrugada para esmagar o Dulcolax que dissolve no termo com café que lhe prepara. Volta, então, para a caminha que aqui não há pão para malucos.




Quando ele chega no sábado à noite, muito mal disposto e com o rabo a arder pondera dissolver um sedativo mas desiste. Aposta que depois do que passou no barco vai dormir sem ajuda.




Aproveita a ocasião para lhe controlar o telemóvel. Lá está o número em marcação rápida que o parvalhão passa a vida a ligar a toda a hora e que ela não conhece. Altera o último dígito e grava novamente. A ela ninguém a come por parva!






E eu é que sou o peixe palhaço!!!???




terça-feira, fevereiro 10

Manneken Pis

Sempre que o Júnior está em casa e decide fazer xixi grita Bonequinha, o mano vai fazer xixi e de seguida oiço os passinhos dela a correr cheia de pressa pelo corredor. Esta corridinha é acompanhada por algumas interjeições de alegria. Anda! Anda, diz o míudo, depressa.
Quando chegam ao WC os gritinhos de alegria da Boneca aumentam e assim que vê a pilinha do irmão chega mesmo a bater palmas. Ele ri-se e diz é a pilinha do mano, a Boneca não tem uma mas não faz mal, é do mano...
E é sempre assim até passarem à fase em que ele tem que lhe desviar as mãos porque ela quer por força colocá-las debaixo do jacto de líquido amarelo e ele diz não Boneca, não não pode é xixi enquanto ri muito satisfeito.
Assim que se esgota o xixi lá sai à Boneca um grande oooooooooooh desolado mas tem sempre a resposta consoladora do Júnior que diz daqui a bocado há mais.
O Júnior,claro, pensa que todo o entusiasmo da irmã é pela sua extremidade de micção e fica com o ego em cima , muito feliz, sente-se importante e superior às meninas, até porque ele não sente nenhum entusiamos especial por qualquer parte da anatomia dela, dá-lhe tempo, penso eu. O que ele não sabe, e não sou eu que lhe vou dizer, é que ela reage com essa mesma alegria e entusiasmo quando vê a torneira do bidé aberta. Rsrsrsrsrsrsr
Eu não lhe vou dizer nada, afinal tem muito tempo para perceber, que não vai nunca perceber a motivação de uma mulher se a analisar com o seu cérebro masculino. É que as gajas são do caraças!
PS (salvo seja): Agora não pensem que estou na casa de banho desde o mês passado...Eu sou é um animal de estimação que gosta do contacto com a água.

terça-feira, janeiro 20

Nozes




Numa das minhas idas ao piso de cima, a Ana tem dias que me leva para todo o lado e é essa a razão porque comprou um aquário tão pequeno (não é que eu me esteja a queixar, certo?), ouvi uma conversa com o Júnior que não posso deixar passar em branco.

Ora a criança tinha acabado de fazer o seu xixi antes de ir dormir quando de repente se vira para nós e pergunta naquela sua vozinha de macho em formação:

- Mamã, o que são estas bolinhas debaixo da minha pilinha? - e pergunta isto segurando cada uma das referidas bolinhas com as mãos.

A Ana que estava a olhar para mim com ar meio perdido a pensar, talvez, em como seria bom ser ela também um peixe, responde:

- Então essas bolinhas chamam-se testículos e só os rapazes é que as têm. A criança vira e revira os ditos cujos e volta a perguntar:

- Então e os testículos servem para quê?

Para nada, apeteceu-lhe ela dizer mas depois olhou para mim e decidiu dar uma resposta mais pedagógica, afinal tinha uma testemunha.

- Olha, fofo, essas bolinhas são uma espécie de fábricas de bebés. Quando quiseres ter um vão ser-te muito úteis.

Foi então que as coisas se descontrolaram com o Júnior com um ar muito aflito a dizer que não queria ter bebés e a virar e a revirar os dois apêndices para ver por onde é que poderiam sair os tais bebés como se procurasse um buraquinho...enquanto dizia:
-Mas eu não quero ter bebés! Eu não quero ter bebés!
Como se de repente eles pudessem começar a chover no chão da casa de banho...LOL


sexta-feira, dezembro 12

Um Falso Natal

Este ano, por motivos profissionais, sigo de perto uma campanha de Natal de recolha de brinquedos, vestuário e equipamento para crianças carenciadas.

Tudo, como é evidente, dentro de Espírito de Natal.

As pessoas dão imensas coisas e sentem-se bem por isso. Acham que fizeram a sua boa acção anual mas em muitos casos limitam-se a esvaziar a casa ou a arrecadação de toda a tralha que juntaram durante anos.
Que generosidade será esta em que se dá aquilo de que se não precisa? Em que não se dá como se gostaria de receber...

O que se passará pela cabeça de um pessoa quando entrega uma cadeira bebé, para automóvel, tão suja que nem para cesto de cão vadio serviria?
E o que dizer da entrega de bonecos tipo "doudou" tão cheios de nódoas e porcaria? Os exemplos são muitos.
Para que houvesse verdadeira dádiva os artigos seriam entregues limpos, impecáveis. Usados mas tratados como se estivessem prontos para receber mais um bebé lá de casa. Acho eu.

Eu não gosto do Natal.
Até porque ele nem existe.

quarta-feira, dezembro 10

Tristeza

A minha Branquinha está triste e disse-me que não é por causa do abominável Natal.
Está triste e pronto. No entanto disse-me para não me preocupar porque é uma tristeza criativa. Seja lá o que isso for.
Desabafando eu também tenho que dizer que nestas alturas dava muito mais jeito que eu fosse um homem e não um peixe. Talvez assim a conseguisse consolar...ou não!

Pensando bem, acho que estou melhor assim...Estas gajas são muita complicadas!

sexta-feira, novembro 28

A Amadora Conta?

Um destes dias durante uma pausa no serviço a conversa foi parar aos imigrantes e à imigração. Um dos meus colegas, que é super divertido, e a quem perdoo todas as afirmações polémicas, que acabam por nos fazer rir até às lágrimas disse:
- Pois é, people, há zonas de Lisboa em que um gajo pensa que não está Portugal. É só p...
Aqui pára, olha para mim a pedir ajuda porque quer evitar aquela palavra que quer sair. Eu ajudo e digo já meio a rir:
-É só minorias étnicas.
Claro que esta afirmação provoca muito mais gargalhadas nos outros do que se ele dissesse o que estava a pensar.
- No outro dia fui ao Babilónia e aquilo estava cheio de lojas de p..., olha de novo para mim com ar divertido, está cheio de lojas de minorias étnicas. Supermercados, cabeleireiros, é o caraças. Pá até parece que um gajo está em África!
- A Amadora conta? é o que se ouve quase em coro na sala assim que ele termina a frase já com o pessoal todo a rir à gargalhada. Quem é que não viu esta peça dos Gatos Fedorentos com o Professor Chibanga a fazer a pergunta? É de facto hilariante.

Esta história da "Amadora conta?" levou-me de imediato para uma outra história que se passou comigo na Amadora no inicio dos anos 80...
Aproveitando o feriado municipal de Cidade Satélite, no tempo em que até as escolas faziam ponte, rumei à Amadora onde vivia uma das minhas tias para um fim-de-semana prolongado (o que não era de todo um hábito). Fui ter com ela à Escola Secundária onde trabalhava. Cheguei cedo e tive que esperar dando uma volta por lá. Recordo-me que estava muito nervosa/curiosa porque estávamos no final do ano lectivo e no ano seguinte eu iria passar do Ciclo Preparatório para a Escola Secundária (para o 7º ano unificado como se dizia na época).
Fui até ao campo de jogos onde decorria um partida de andebol. Jogos de equipa nunca foram o meu forte se exceptuarmos o futebol ou o rugby. Assim quando me convidaram para jogar recusei dizendo que não me podia demorar. Voltaram a insistir mais tarde, deviam ter mesmo falta de um jogador, e disseram-me que se mudasse de ideias só tinha que dizer.
A dada altura vi a minha tia ao longe a fazer sinais para ir ter com ela, despedi-me do pessoal do jogo e lá fui toda satisfeita. Afinal ir para o Liceu não seria assim tão mau. Ela, que afinal de contas me tinha tido sempre debaixo de olho sem que eu soubesses, assim que me aproximo diz com um ar pesaroso:
- Então foste pedir para jogar e não te deixaram jogar...
- Não. Eles é que me convidaram, disse eu.
A minha tia arregalou os olhos incrédula.
-Eles queriam que tu jogasses com eles!? Filha isso não é normal. Aqui nesta escola há uma grande rivalidade entre brancos e pretos. ( Escusado será dizer que mais uma vez nem sequer me passou pela cabeça pensar neles como pretos ou brancos. Era uma classificação que eu ainda não tinha interiorizado. E lá tive que levar com a questão racial sem estar mesmo nada à espera.) Aqui os pretos só se juntam aos brancos para andar à pancada. Como é que é possível? Pediram-te para jogar? O que é que eles viram em ti?
Não se calava com isto. Olhava para mim com um ar curioso, perplexo, como se de repente tivesse descoberto que a sua sobrinha era encantadora de serpentes ou domadora de leões. Aquilo já me estava a enervar até porque não acreditava que as coisas fossem assim tão radicais.
Mas o pior ainda estava para vir porque optou por contar isto tudo à família toda sempre com um ar de quem tinha presenciado um milagre qualquer e queria passar testemunho. Fartei-me de receber olhares do tipo "esta miúda não é normal"...
E foi assim que ganhei fama de Negro Lover ... É que nem dá para acreditar!...

quarta-feira, novembro 26

São pretos

O Júnior partiu o coração à Ana e não foi porque ela teve que ir novamente com ele para o Hospital de Santa Maria, pela segunda vez em 5 meses, por causa de mais uma brincadeira mal calculada. Não. O problema é que o miúdo está naquela fase em que começa a pensar por ele próprio e como já seria de esperar não pensa como ela em algumas coisas. E isto provoca-lhe uma certa melancolia.

Um noite destas, pedagogicamente, os dois comentavam os artigos da Newsweek desta semana, quando ouvi a Ana dizer apontando para uma fotografia:
- Olha Júnior, este é o novo presidente dos EUA. E esta é a sua família. Os EUA é o país onde mora a tia. Já viste?
O Júnior olhou com ar meio desinteressado, maçado e lança a bomba:
- São pretos, e volta para o desenho que estava a fazer de uma máquina de não sei o quê.
O "são pretos" foi dito num tom pouco simpático, de descaso, semelhante ao tom que utiliza para se referir às meninas e às suas brincadeiras pouco interessantes e até mesmo patetas. Para ele as meninas são mais do que de um género diferente são mesmo uma espécie à parte.
- Então se eles são pretos tu és o quê?, pergunta a Ana.
- Eu sou claro!, diz como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Claro, resmungou a Ana...Eu acho que se eles são pretos tu és branco, não é?
- ´tas tonta , não? Eu não sou branco, branco é isto , diz apontando para a folha de papel que tem no colo.
- Eles não são pretos, preto é isto diz a Ana apontando para o casaco, tentando imitá-lo. Eles não são pretos. Quanto muito são castanhos ou então escuros.
- Não é nada, voz de nanainina, não são nada escuros. Eles são pretos, não vês que são pretos? E aponta para a fotografia da revista, já com um leve tom de desprezo, tipo a mãe está cega ou que? Eu sou claro, diz. E acabou. Não quero falar mais sobre isto.

Eu continuei a nadar como se de nada se tratasse mas pelo canto do olho bem via o ar desanimado dela.

Jonas, ouviste isto? Como é que é possível que isto me esteja a acontecer? Logo comigo que sou colorblind até ao absurdo. Já sei que em relação às meninas isto vai passar de desprezo a preso em alguns anos mas, e o resto? Onde é que ele foi buscar esta ideia?
Branquinha, minha linda, estás a exagerar. As coisas são como são. E muitas vezes são mesmo assim. A preto e branco.

segunda-feira, novembro 24

As aranhas têm família???

Ao contrário da minha antecessora não costumo comentar aqui o que acontece no aquário. Sou uma criatura mais virada para o exterior. A Dulcineia é que era dessas coisas talvez porque estivesse quase sempre em conflito com a Ana. Havia de facto uma competição entre fêmeas. Eu, ao contrário da Dulcineia, gosto incondicionalmente da Ana. Agrada-me, diverte-me e se postasse sobre ela seria sempre parcial.
No entanto esta noite não resisti porque aquilo que se passou deixou-nos a mim Jonas e a ela Ana a pensar.
Hoje à noite a Ana distraiu-se ocupada num dos seus projectos alternativos e esqueceu-se do Júnior na sala. Passou a hora de dormir e eu e o miúdo ficamos a ver a novela. Quando de repente a Ana chega à sala, meio apressada, o Júnior aponta para a TV e diz:
- Este é o senhor que matou um cão. É mau. E o cão morreu de olhos abertos, sabias?
- Não devias ver isto, já é muito tarde, vamos dormir, respondeu a Ana com um ar culpado.
- Mas ele matou o cão, insistiu ele.
- Como é que sabes? Se calhar não foi ele...
- Já vi isto mais vezes com a avó. Ele é mau. Tem mau humor. Olha, é como o pai!
- O pai não é mau, Júnior. Por exemplo o pai nunca matou um cão!
- Pois não. Mas matou uma aranha, que eu vi! E uma aranha é um animal, não é? Então matou um animal. E uma aranha tem família, não é? Então? É mau.
A Ana ficou a olhar para ele sem dizer uma palavra. Eu fiquei de boca aberta, impressionado com o pensamento lógico dele, afinal tem só cinco anos. Ele ficou a olhar para nós os dois. Abanou a cabeça e disse:
- Então, mãe, anda lá, vamos para o meu quarto. Hoje quero que me contes uma história que não venha num livro!
Subiram a escada e eu fiquei a pensar:

Mas será que as aranhas têm família?

sexta-feira, novembro 21

Mais humor branco

Foto: Louva a Deus, pois claro!

Já a Palin tem uma atitude diferente face à derrota e a propósito de se recandidatar às próximas presidenciais diz:

"I´m like, OK, God, if there is an open door for me somewhere...show me where the open door is"

E viva a auto-estima.

quinta-feira, novembro 20

Humor branco


Não pude de deixar de ficar surpreendido com a resposta que John McCain deu a Jay Leno quando ele lhe perguntou como estava a reagir ao facto de ter perdido as eleições com Obama:


"Well, I´ve been sleeping like a baby. I sleep two hours, wake up and cry. Sleep two hours, wake up and cry"

("Bem, tenho dormido como um bebé. Durmo duas horas, acordo e choro. Durmo duas horas, acordo e choro")


Então não é que o cota tem sentido de humor!!!

segunda-feira, novembro 10

A 2ª vez que vi um preto

E ela a dar-lhe, disse-me o Jonas, quando lhe falei nesta ideia de retomar este tema. Achas mesmo que alguém vai querer ler uma postagem dessas?
Jonas, se eu quisesse que me lessem publicava um livro de autor e vendia-o porta a porta, não achas? Não escrevia neste blog mal frequentado, não é?
Porque é que não consigo arranjar um animal de estimação que me estime?
Não consigo parar as minhas memórias só porque são meio despropositadas. As minhas desculpas desde já aos três leitores desde blog.

Como disse antes a questão da cor não se colocava na Cidade Satélite. Era uma cidade pequena e sossegada com meia dúzia de personagens exóticas como o pastor protestante de que já falei ou o vizinho que se dizia ser cigano e que pirateava aquelas K7 enormes que existiam na época ou ainda aquele bêbedo que levava a vida a fazer de polícia sinaleiro.
Esta monotonia só era quebrada pelas férias de verão no Algarve. Todos os anos passávamos pelo menos um mês em Lagos. Lagos estava cheia de estrangeiros principalmente nórdicos cabeludos mas também se viam alguns espanhóis, franceses, portugueses, etc. Era a época das praias desertas e do pessoal de rabo ao léu. Havia espaço para tudo e para todos.
Todas as tardes me sentava lá fora a ver passar as pessoas ao fim do dia. Havia um casal que me tinha despertado especialmente a atenção. Falavam em francês e ele era mesmo muito alto e ela mesmo muito pequenina. Tinham um filho pouco mais velho do que eu, talvez 8 ou 9 anos, mas que já estava mais alto que a mãe. Aquilo fazia-me uma impressão horrível. Só pensava como é que era possível uma mulher tão pequena ter um filho tão grande e sobreviver ao parto? Ficava toda arrepiada só de pensar...

Um dia eles passaram enquanto o meu pai estava sentado ao meu lado e eu fiz um comentário qualquer sobre essa família porque queria perceber qual seria o risco se um dia casasse com um homem enorme. Não me lembro da pergunta que fiz mas lembro-me da resposta do meu pai. O meu pai começou a discorrer por aquilo que ele pensava ser o assunto. Disse-me que em Angola tinha visto alguns casos assim. Que não era comum mas que podia acontecer. Mas que muitas vezes não funcionava por razões culturais. Eu que estava à espera de outro tipo de resposta fiquei de olhos arregalados com a resposta. Pensava que eram todos franceses, disse. Isso não sei, disse o meu pai, mas sabes estes casamentos entre pretos e brancos acabam por ser relacionamentos mais frágeis. Acho que o deixei de ouvir. Pretos e brancos?... Mas então não estamos a falar de homens grandes e mulheres pequenas?, pensei eu. O meu pai continuou a discorrer enciclopedicamente como de costume sobre aquilo que era para ele o assunto quando eu o interrompi para perguntar qual deles era o preto e qual era o branco. Aqui o meu pai olhou para mim como se de repente a sua inteligente filha tivesse desaparecido. Mas tu não vês que ela é preta?, perguntou. Não me digas que não consegues destinguir um preto de um branco? Ainda balbuciei que ela parecia um bocadinho mais escura mas que ele também estava escuro...

Agora até a mim me parece incrível esta história mas naquela época as pessoas passavam tanto tempo na praia e ao sol que todos mas todos acabávamos pretos. Até eu. Durante alguns dias passei o tempo a tentar destinguir os pretos dos brancos na praia. Enganei-me tantas vezes que o meu pai um dia aborreceu-se comigo a sério porque acreditava que por alguma razão eu só queria gozar com ele e eu dei por terminada a minha pesquisa.

Voltámos para a Cidade Satélite e a questão nunca mais se colocou. Mas os tempos estavam a mudar com a independência das colónias e o afluxo dos portugueses ultramarinos de todas as cores...

sexta-feira, novembro 7

Dilema de pobre

Jonas,
Que fazer quando nos pedem para apoiar um partido e nós já nos comprometemos com o partido concorrente? Estou com um problema ético.
Problema ético? Tu estás é com um problema de pobre! Tens que pensar como um rico: apoias os dois! Um deles vai ganhar e tu ganhas sempre!!!
Branquela burra...

quarta-feira, novembro 5

Pila

No words. É assim que fiquei. Sem palavras. De boca aberta com a conversa que ouvi entre a Ana e e mãe dela.
Tudo começou com a mania que o Júnior tem agora de dizer Pila. Assim sem mais nem menos e por tudo e por nada. Está sentado a ver o Canal Panda e de repente grita Piiila seguido de uma risada tipo Joker do Batman. A meio da refeição grita Pila e diz que almoçou na escola cocó com xixi e depois Pila. Ou então diz o já histórico "vê lá se levas com a pila". Tudo isto acompanhado com gargalhadas de voz grossa.
Eu pessoalmente acho isto espectacular. Revela a sua masculinidade. Afinal ele é um macho e tem pila.
Infelizmente as fêmeas deste aquário não pensam o mesmo. Excepto a Boneca que acho o máximo tudo o que o Júnior diz e tenta também dizer Pila mas como ainda não fala imita só o tom de voz.
Apanhei a avó Livi a tentar reconfortar a Ana dizendo o típico, isso passa, é só uma fase, vais ver que ele esquece o assunto...
Isso passa? É só uma fase? Ele esquece o assunto? Como é que alguém consegue chegar a uma idade tão avançada sem perceber nada de nada?
É CLARO QUE NÃO PASSA! É ÓBVIO QUE NÃO É UMA FASE! E NEM SEQUER CONVÉM QUE ELE ESQUEÇA O ASSUNTO!
A PILA COMANDA A VIDA DE QUALQUER MACHO. CAMBADA DE IMBECIS.

domingo, novembro 2

Se os peixes pudessem votar...


Se os peixes pudessem votar eu votava Obama! E depois quem sabe? Com Obama na Casa Branca the sky is the limit, right? Se um mestiço pode chegar à presidência dos EUA imagino a que destino glorioso pode aspirar um peixe preto como eu...I have a dream today.

sábado, novembro 1

A 1ª vez que vi um preto


Talvez este não seja o blog mais adequado para uma postagem desta natureza afinal foi iniciado por uma coelha, entretanto falecida, e está a ser continuado por um peixe. No entanto este tema da cor era muito querido à Dulcineia tendo sido abordado por ela algumas vezes. Ela que era preta e branca sem ser mulata. E depois o continuador deste blog é completamente preto e eu sou branca. Há ou não há condições de continuidade?

A ideia desta postagem surgiu depois de ler um artigo na Revista Sábado em que se retrata a vida em duas cidades separadas por uma ponte, a maior ponte do mundo, porque vai da América a África. :-) Benton Harbor tem 92% de habitantes pretos e em St. Joseph 90% são brancos. A dada altura uma das entrevistadas diz que a primeira vez que viu um preto era já uma adolescente.

Isto fez-me pensar também. E eu? Quando foi a primeira vez que vi um preto? Não que isto tenha muita importância, ou tem? No entanto lá vasculhei a memória até encontrar aquela primeira vez.

Na Cidade Satélite, onde cresci, não havia pretos. Só brancos. Um dia correu um zunzum no bairro que o irmão do pastor evangélico que lá vivia tinha casado na América, para onde tinha ido estudar, com uma preta americana. Eu tinha 5 anos e aquilo entusiasmou-me imenso. Fiquei com a cabeça cheia de questões práticas. Para mim um preto era um tipo pequenino com uma lança e uma saia de palha. Tal e qual como a aparecia nos filmes a preto e branco do Tarzan que passavam ao Sábado ou ao Domingo na TV. Uma das coisa que me preocupava imenso era se ela não teria frio no Inverno vestida daquela maneira. Tencionava também perguntar-lhe se era verdade que comia pessoas porque me parecia uma fantasia estranha. Queria ainda saber se conhecia o Tarzan e se sabia porque é que ele e a Jane viviam numa árvore e não numa casa como a dela lá em África. E porque é que o Tarzan só se dava com macacos e outros animais e não com as pessoas que lá viviam? E porque é que ele não conseguia aprender a falar a língua da Jane em condições? E depois queria que me explicasse como é que conheceu o marido na América se ela vivia em África. Estava tão excitada que até tinha dificuldade em respirar.

Era um Domingo e estávamos todos em casa. Assim que pude escapei-me para casa deles 3 ou 4 vivendas acima da nossa e fui lá bater à porta. O pastor tinha uma filha Ana, como eu, de quem era amiga e por isso tinha acesso quase livre à casa deles. Para grande desgosto meu já iam a sair todos. Eram mais do que o costume mas acho que nem olhei bem para as pessoas. Ainda pensei em perguntar à Ana pela tia preta porque não a via em lado nenhum mas não sei porquê contive-me e ainda bem acho eu. Voltei para trás com eles, sem fazer nenhuma das minhas perguntas.Passámos em frente à nossa casa, eu entrei para o meu quintal e eles continuaram. A minha mãe estava ao portão assim como a vizinha do lado e outros vizinhos das outras casas.

Quando se afastaram gritei com a minha mãe. Afinal enganaste-me não havia preta nenhuma! A vizinhança começou toda a rir. Então, não me digas que não viste aquela senhora alta e escura? Era ela a preta. Eu olhei para a minha mãe sem querer acreditar e ainda argumentei com um certo desdém ( quando era miúda achava quase todos os adultos pouco inteligentes, excepto o meu pai claro, e mais um ou outro felizardo...de resto dificilmente tinham resposta para as minhas inúmeras e muitas vezes disparatadas questões...) que a tal senhora devia era ter apanhado muito sol na praia. Mais risota dos adultos e eu acabei por me desinteressar pelo tema: afinal um preto era uma pessoa igual às outras e aquela senhora escura deveria saber ainda menos do que eu sobre os problemas do Tarzan.

quarta-feira, outubro 22

Cheguei!

Cheguei e já tenho a responsabilidade de manter um blog! E ainda por cima um blog de babes. O que é que um peixe pode dizer num blog de gajas? ´Tá bem que uma morreu e a outra nunca escreve mas mesmo assim é um blog de gajas, ou não? ( Não sou tão insensível como pareço. Só não sou é piegas. Morreu? Enterra-se!)
E depois se não existe moderação de comentários existe moderação de linguagem e todos sabemos que isso não combina com as hormonas masculinas.
Por falar em hormonas, quem já não ouviu falar do caso dos peixes do Reno ou do Tamisa que viraram peixas devido ao nível de hormonas femininas a circular nos rios? Quem é que me garante que o mesmo não pode acontecer por partilhar um blog?
Bom! Vamos lá ver como isto corre.

sexta-feira, outubro 10

Dia Mundial do Animal

Querida Dulcineia,


No dia 4 foi celebrado o Dia Mundial do Animal. Já sei que detestas estas datas comemorativas. Eu também não gosto. Quando se fala do Dia das Mulher até fico arrepiada.

De qualquer forma eu nem sabia que existia o Dia Mundial do Animal. Ou se sabia já tinha esquecido e como esquece muito a quem não sabe...

Na escola do Júnior resolveram fazer um projecto sobre este dia. Já viste o azar. Se estivesses viva tinha sido possível levar-te na tua caixa de transporte até à sala dele para que todos os amiguinhos te pudessem ver e tocar. LOL! Acho que ias detestar. Todo aquele barulho e aquelas mãozinhas ansiosas...Por outro lado que bela oportunidade para distribuíres arranhadelas e dentadas.

Dei ao Júnior uma fotografia tua e fizeste muito sucesso no meio de todas aquelas fotografias de cães, alguns gatos e poucos pássaros. É claro que todos os outros bichos estão vivos...Who cares? O que conta é marcar a diferença, não é?

Abraços e Abracinhos.

domingo, setembro 7

Girassol de estimação


Cara Dulcineia agora temos um girassol de estimação que levamos para todo o lado. Já podes imaginar a quantidade de pragas que o meu marido roga ao pobre vegetal só porque teve que o transportar da Vila para a Cidade Satélite e da Cidade Satélite para o Algarve e depois de novo no regresso do Algarve para a Cidade Satélite e para a Vila. Afinal é só um girassol com pouco mais de um metro de altura se contarmos com o vaso que cabe na perfeição entre os dois bancos da frente do carro. Pronto não dá muito jeito para meter as mudanças mas não é caso para tanto.Esta coisa das pragas deixa-me perplexa. Quando é que ele começou a praguejar? É raios partam isto e raios partam aquilo a toda a hora. Depois claro o Júnior também já começou a imitá-lo e chega a ser cómico vê-lo a tentar montar um brinquedo qualquer enquanto diz raios partam esta peça que não encaixa com a sua vozinha infantil. E depois não penses que este é um hábito novo do meu marido. Não! O mais chocante é que me disse que sempre praguejou só que para dentro. Que mais fará ele para dentro? Estar casada pode ser um bocadinho assustador.


Por falar em ter medo a Boneca tem medo de moscas e sempre que vê uma chora desesperadamente como se tivesse num filme de terror e lá vamos nós a correr enxotar a mosca. De resto nada de novo a minha mãe continua cada vez mais surda e abstracta, como ela diz. A surdez não a admite mas da abstracção da realidade faz gala. Ontem perguntou-me quais eram as minhas novas funções no serviço porque não se conseguia lembrar apesar de não termos falado de outra coisa antes das férias. Para me vingar voltei pedir-lhe para usar pendurado ao pescoço uma bolsinha daquelas que as crianças utilizam para colocar o passe ao pescoço com um papelinho lá dentro a dizer chamo-me fulana de tal e vivo em tal sítio para o caso de se perder na rua...


Ai Dulcineia que falta me fazes cá em casa. Agora a única criatura normal cá de casa sou eu. ( Bom, não sei se é muito normal uma pessoa falar constantemente com o seu animal de estimação falecido. Uhps!)

Que fazer com este blog?

Não sei o que fazer com este blog que herdei da Dulcineia. Gostava de lhe dar continuidade mas sem ela é difícil. Há por aí algum humano que já tenha herdado o blog do seu animal de estimação ou este é caso único? Se ao menos ela me tivesse deixado algumas instruções...
DULCINEIA FAZES-ME FALTA! E já agora feliz aniversário porque farias 4 anos este mês. Que tal uma dentada espiritual nesta tua amiga?
Bom, estou a conseguir ser ainda mais patética do que é normal...Caramba! Deve ser do regresso ao trabalho...