Começou por ser o dia-a-dia de uma linda roedora de forte temperamento, a Dulcineia. Este blogue perdeu o norte com a sua morte até que o Jonas, o peixinho que não é dourado tomou conta dele. Quando o peixe preto se foi, o Papagaio Gaio marcou o início de uma nova era, a era do animal com pena. Tivemos pena, pois tivemos porque durou pouco e bateu a asa.E quando o blogue estava deserto de almas sarcásticas, eis que por ironia do destino o Jonas passou a publicar do além. Até hoje!
quinta-feira, abril 27
Here she goes again...
A Ana deu duas moedas ao Júnior para comprar a minha papinha e ele lá foi todo contente. Voltou com a minha ração que foi logo colocar na minha taça. Está cada vez mais simpático e prestável, de vez em quando damo-nos tão bem que ele nem parece humano. O pior foi devolver o troco à mãe...Não queria largar o seu dinheirinho...A Ana comentou com o Pernas Peludas que este apego às moedas era mais um sinal de que o Júnior tinha mesmo carácter de pequeno judeu pois é do conhecimento geral que entre os judeus as questões financeiras são predominantes. Quando ouvi isto parei de mastigar porque com o ruído dos meus dentes a trincar a ração corria o risco de não perceber bem a resposta do Pernas que já estava com aquele ar "Here we go again..." e diz: Pensei que já tinhas ultrapassado essa situação! Então agora somos judeus outra vez? pergunta com ar de gozo. Somos não, que tu não és! Só sou eu e o Júnior. Olha que bom!, diz com ar sarcástico. E então quando é que se deu essa conversão? Ela argumentou logo que segundo alguns autores é judeu quem é filho de judeu e por que isso não houve necessidade de conversão. Aqui o Pernas quase se engasga a rir. Eu conheci o teu pai, lembras-te? Ele até podia ter mau feitio mas não era judeu. Segundo este livro sobre o judaísmo é judeu o filho de mulher judia, é uma transmissão matrilinear e a minha mãe tem uns parentes judeus e daí que...O Pernas nem a deixa acabar porque subitamente ficou interessado neste ramo familiar da Ana que não conhecia e que se fosse como o resto significava que em breve, quando os conhecesse, iria assistir a mais um bom número de circo grátis. Agora, quando ela lhe disse que tinha tomado conhecimento destes parentes através do livro do "Rol dos Judeus e seus descendentes" publicado pelo Arquivo Histórico da Madeira e que eram pessoas que teriam vivido lá para 1500...LIVROS, LIVROS, LIVROS! O teu mal é leres demais. Porque não fazes como a senhora tua mãe, A JUDIA, e vês umas novelas ou então melhor ainda porque não mandas uns argumentos para a TVI? E com isto o Pernas sai da sala a chamar pela mãe da Ana, Oh D. Livi então a senhora agora é judia? Qual foi a resposta da avó do Júnior? Fica para a próxima porque agora tenho que ir roer mais uns pedacinhos da minha apetitosa ração.
quarta-feira, abril 19
Pai Natal
Ainda durante a Páscoa, essa época de expiação e paz...Ofereceram ao Júnior um Pai Natal em chocolate. Pensavam o quê? Que tinha sido um Coelho de Chocolate, não? A criança que nunca tinha visto um apercebeu-se logo que aquilo era para comer e que pela cara do pai era artigo proibido. Não fez mais nada, agarrou no chocolate e fugiu da sala para o quarto onde se barricou com o seu refém comestível. O Pernas foi atrás e com a capacidade de negociação que o caracteriza iniciou as conversações com o Júnior. Ou seja, deu dois berros que até a mim me puseram as orelhas em pé (se é que isso é possível uma vez que nós coelhas temos sempre as orelhas mais ou menos espetadas senão estamos doentes ou a pensar atacar alguém), e disse "Sai já daí ou levas umas palmadas!" Do outro lado a resposta foi determinada "Não! Nããããããããoooooo!" ( ou não fosse esta a sua palavra de eleição). O Pernas lá forçou a porta ao melhor estilo Rambo e fomos encontrar o Júnior aquartelado debaixo da sua mesinha a tentar comer o chocolate o mais depressa possível. Assim que viu o Pernas engoliu a cabeça do Pai Natal, abraçou o que restava e não o quis largar. Já se está a ver como tudo isto acabou: entre choros e nódoas de chocolate pela roupa dos dois...Não chores Júnior que a tua Dulcineia viu onde te esconderam o chocolate e um dia destes ainda vamos arranjar maneira de o dividir entre os dois.
terça-feira, abril 18
Mais um ano em que o Natal foi na Páscoa...
Depois dos últimos acontecimentos confesso que estava curiosa sobre a forma como iria ser celebrada a Páscoa aqui na colónia. Teria lugar a Páscoa Cristã ou a Pessach Judáica? Pois nem uma nem outra. No dia 15 de Abril celebrámos, tal como no ano anterior , o Natal! Passo a explicar a origem deste estranho ritual. Então é assim, a Ana tem uma Prima que invariavelmente todos os anos se apresenta aqui na colónia com a família dela para a troca de prendas e para a consoada de Natal na Páscoa! Durante todo o ano ela e a Prima falam ao telefone e todos os meses combinam um encontro para lanchar ou almoçar. Pelo que pude perceber de início o Pernas organizava tudo com o marido da Prima, o Oceano ( e eu ainda me queixo porque me chamo Dulcineia...) mas no último instante elas desmarcavam tudo e para surpresa de todos voltavam a combinar tudo para o próximo fim-de-semana para voltar a cancelar para voltar a marcar para voltar a desmarcar e assim passam normalmente os anos. Conversa típica para esses dias: A tua Prima não vem cá almoçar hoje? Hoje? Sim hoje! Vocês combinaram. De certeza que ela não vem! Não vem? Olha lá Pernas para que é tanto espanto então tu não sabes do acordo? É simples nós marcamos mas na prática não nos damos ao trabalho de aparecer...E agora quem é que come os frangos assados que comprei, e os rissóis e....Olha come tu quem é que te manda ser parvo e ligar às minhas combinações com a minha Prima? Não tens nada de te meter, isto dura há anos e não és tu que só cá anda há meia duzia deles que vais alterar isto. O Pernas já não ouve o resto, refugia-se na cozinha e entretanto tropeça nos sacos do supermercado cheios de coisas para o almoço...Perante isto uma questão impõe-se: porque carga de água escolhem elas a Páscoa para se encontrarem? A resposta é simples. Estamos a falar da Ana e da Prima duas gulosas de primeira que naturalmente não resistem aos bombons que só aparecem no Natal e que aproveitam para oferecer uma à outra e que como são frescos têm que ser consumidos poucos meses depois...ou então estão estragados. Ou seja, elas no fundo só se visitam no limite... não não é no limite da saudade...é no limite do prazo de validade. Bom Natal!
terça-feira, abril 4
Nunca pensei defender o Pernas Peludas mas...
Jeffrey Archer no primeiro volume do "Diário da Prisão" afirma que quase não existem judeus detidos nas prisões inglesas porque pertencem a um grupo com maior coesão social e familiar o que previne os comportamentos desviantes. Esta declaração teve grande impacto na Ana que à falta de outro interlocutor acabou por comentar comigo esta ideia. Matutámos as duas sobre isto e chegámos à conclusão que para bem do futuro do Júnior ele deveria tornar-se judeu. Esta conversão seria no fundo um seguro de bom comportamento para ele. Eu concordei porque tenho dias assim, em que não me apetece discordar e também claro porque estava em pulgas ( salvo seja) para ver a cara do Pernas quando soubesse deste novo projecto. Sabes, acho que devíamos aproveitar o facto do Júnior ainda não ser baptizado para o convertermos ao Judaísmo. E disse isto assim de chofre e sem aviso. O PP olha, suspira, revira os olhos e tenta parecer interessado mas na verdade pensa "como é que eu fui acabar com esta louca, porque não casei com aquela magrinha que gostava de mim, como é que era mesmo o nome dela?" E com isto tudo distrai-se...Acorda com um já não me estás a ouvir irritado. É para o bem do Júnior e de seguida dispara com as estatísticas das prisões inglesas. Mas nós somos católicos! Mas podemos deixar de ser! É para o bem do teu filho! E no fim de contas Judeus, Católicos é tudo a mesma coisa. A única diferença é aquela situação pendente de Jesus Cristo e não será por isso que não nos iremos converter! Nós também temos que nos converter? Claro! Não me digas que o miúdo vai ficar em minoria religiosa na sua própria casa , não é? O.K. ( é mas é K. O....) Trata lá disso. Eu fico abismada o que este tipo é capaz de fazer para não se chatear, é mesmo um molengão! ( "A magrinha, era enfezada, mas tinha sido uma boa aposta, tinha, tinha..."). PP tenho que te avisar que há um pequeno senão: a circuncisão. Tu e o Júnior vão ter que ser circuncisados! Foi a gota de água para o PP...Chega! Parou! Já não aguento mais! Em Dezembro devíamos unir-nos aos católicos ultra-conservadores para travar a ameaça islâmica e as seitas. Em Fevereiro só porque a criança não entrou no colégio Jesuíta que queríamos passou-te a fé e o ideal era inscrevê-lo na Escola Islâmica de Palmela porque aí sim há princípios e tradição. Hoje já temos que ser Judeus. Têm paciência mas não. E foi à vida dele quase a rosnar. Eu ainda lhe sussurrei o Animismo...o Animismo é que está a dar. Sim, porque o que é preciso é muito ânimo para aturar este tipo delírios dela. (Nunca na vida pensei defender o Pernas Peludas mas never say never...)
segunda-feira, abril 3
NÃO!!!!
Estou completamente reconciliada com o Júnior. É verdade! E não é por ele ter resolvido a questão gastro-intestinal porque essa procissão ainda vai no adro. (Lá estou eu querer antecipar o 13 de Maio em Fátima mas eu sou assim, muito influenciável pelas vibrações que chegam.) Na verdade a nossa reconciliação foi feita mais numa base linguística como duas criaturas educadas que somos. Passo a explicar: durante os últimos dois meses o Júnior desenvolveu aquilo que poderiamos chamar uma muleta discursiva ou seja a palavra NÃO. Até aqui tudo bem, se eu aguento o "Pá" de quem nos visita...O problema é que nos últimos tempos tem sido demais porque a tudo responde NÃO mesmo quando é Sim. Quer uma bolacha? Não! Quer ir passear? Não! E grita, grita, grita Nãaaaaaaaaaaaao pelos corredores da casa de manhã à noite. Com voz estridente, com voz grossa, acho que tentou todas as entoações possíveis para a palavra... Quando está a comer desata a cantarolar "não" baixinho e vai subindo de tom até gritar...Dias difíceis quando me fazia esperas na gaiola de dedo em riste e a gritar não, não, não... Bom, continua a fazê-lo, mas agora, milagre, já diz sim. Muito baixinho com ar envergonhado de quem acabou por ceder às pressões, quase sem levantar a vista. Olhem aconteceu-lhe o mesmo que eu que quase já não rosno nem bufo. Estamos tããããããooo civilizados...
sexta-feira, março 24
A veterinária do Júnior
Finalmente! Lá decidiram levar o Júnior ao médico! Quer dizer, no outro dia só porque tive uma diarreiazita fui logo parar à Vet para ser apalpada e massacrada e a este "cuspidor de água turva" nada lhe acontecia...Não é justo. No entanto parece que a explicação se deve ao facto de os veterinários das crianças estarem menos disponíveis que os dos animais...Como é que a consulta correu? Correu como sempre. O Júnior que tem estado muito sossegado e indisposto mal viu a médica começou aos gritos e a correr e claro teve que ser agarrado. A médica perante isto achou que ele estava óptimo e cheio de vigor e que isso dos vómitos não era nada. Ou seja deu-lhe ordem para continuar a vomitar e proibiu a Ana e o Pernas de se preocuparem! Quanto aos dias de atestado que a Ana queria para ficar em casa com o Júnior : "Nem pensar. Não faz qualquer sentido". E ainda bem, só eu sei o que passo quando ela está muito tempo em casa...Mas confesso que fiquei confusa...Como é tudo tão normal será que terei que viver para sempre com esta faceta pouco higiénica do Júnior ou isto vai passar? Tenho mas é que vêr se os convenço a levarem o Júnior à minha veterinária porque a verdade é esta depois de lá ter ido passou-me a diarreia!
quarta-feira, março 22
Os vómitos do Júnior
Desde Domingo que o Júnior vomita. Vomita a toda a hora e em qualquer lugar. De início eu estava indiferente. Queria lá saber se o miúdo vomitava a sala, a cozinha, o WC, o sófa, o chão, a Ana ou o Pernas...Desde que não me vomitasse em cima! Pois é, mas ontem senti os primeiros salpicos no pêlo e comecei a temer pela minha higiene. Sim, porque não anda uma coelha a lamber-se 12 horas por dia para vir uma cria humana estragar tudo! Mas qué esta merda? Como esta frase passou dá para vêr que a Ana anda tão preocupada que já nem tem tempo para censurar este blog. Alguma vantagem tenho que ter por viver com o Júnior também conhecido agora pelo "esgoto a céu aberto". LOL. Sou tão mázinha!!!
quinta-feira, março 16
Agradecimento
Quero agradecer à fulana dos óculos que costuma vir cá à colónia aos fins-de-semana a quem a Ana chama mãe, o Júnior avó e o Pernas Peludas Senhora (é um vendido este tipo, acho que até já o apanhei a fazer-lhe uma vénia...). Pois é, oferecer uma coberta para tapar o sófa veio mesmo a calhar. Já sei que a intenção era tapar um pequeno rasgão que tinha e que era uma obra conjunta minha e do Júnior, que enquanto a Ana não descobriu, ele foi aumentando com o dedo indicador, benza-o Deus digo eu para utilizar uma expressão muito utilizada pela avó quando se refere ao Júnior. Passo então a informar que esta nova coberta está a uma arranhadela de ter um lindo buraco com o patrocínio desta que vos escreve. Deus me livre que isto se descubra...
domingo, fevereiro 26
Vet
Eu bem me parecia que aquela nova toca que me compraram não era bom sinal. Afinal é uma caixa de transporte e serve para que me possam levar a todo o lado sem ter que ir sentada dentro do automóvel à minha vontade. Assim, como tinha sido iludida nem protestei quando me colocaram dentro dela e lá fui para a vacina...Fui apalpada, pesada, auscultada e foi tudo tão rápido que nem tive tempo para reclamar...Olhem, depois comecei a ficar esquisita e muito murcha, tão murcha que até quase fiz as pazes com a Ana. Quase porque depois recuperei, arranhei os tapetes, comi a planta da sala e escondi-me a rosnar atrás do sófa. Fica sabendo, ó agulha da bata branca, para me derrotarem é preciso muito mais do que uma seringa cheia de microorganismos!
quarta-feira, fevereiro 22
Discriminação e tortura
Um destes dias enquanto folheava ou melhor mordiscava uma Flash da avó pensei cá para mim: estes gajos das revistas só aparecem com cães! Será que só é bem ter cão? E então os outros animais? Continuamos a ser discriminados claro! E eis que propósito deste pensamento me vem à memória uma cena que aconteceu aqui na colónia e que exemplifica bem isto. Um dia destes apareceram cá uns familiares da Ana. Vieram lanchar ou qualquer coisa do género. Quando chegaram escondi-me na minha casota pelo sim pelo não. Depois do barulho da praxe ter acalmado e já todos sentados oiço a voz da femea mais madura (podre?): Oh Ana o que é que tens ali? É uma coelha. Uma coelha? Num apartamento? (como se fosse a coisa mais estranha do mundo) Olhe tia Tágide, a tia Lídia (os nomes delas dão cabo de mim) deixou-a cá em casa contra a nossa vontade e como na altura não tive tempo para me desfazer dela foi ficando e agora estou tão habituada que já não era capaz. Estou a ver filha...(É aqui que entra o episódio dos Sopranos) Olha, a tia até não gosta muito de fazer isto (ar conspirador) mas se quiseres a tia mata-te a coelha e pronto tiras esse peso de cima! (ar de satisfação tipo o que uma pessoa faz pela sobrinha preferida). Sabe tia a Dulcineia não é do tipo de coelha que se come. Ai deste nome à coelha? (olhar avaliador da sanidade mental da Ana) Muito bem (pausa). É uma raça especial, é uma coelha anã. Oh, Ana, lá grande não é agora anã já é um exagero dava para um ensopado, tu é que sabes a tia matava-te a coelha mas se isto está neste pé... (ar tipo coitada da minha sobrinha) E assim se passou a tarde: eu na minha casota e a pseudo-ninfa do Tejo a olhar constantemente para mim pelo canto do olho com um olhar mortífero. Assim e para aqueles que pensam que ser abanada é mau imaginem o que é quando a Ana para me torturar começa a recitar o canto I de "Os Lusíades": E vós, Tágides minhas, pois criado Tendes em mim um novo engenho andante... É tenebroso.
quarta-feira, fevereiro 15
Física avançada
Instalou-se o caos na cozinha durante à hora do almoço! O Júnior estava sentado à mesa pronto para almoçar peixe com batatas e cenouras cozidas ( crua é que é bom mas pronto gostos não se discutem...) quando de repente começa a rir, abre as mãos e espalma-as dentro do prato, esmaga a comida toda e depois espalha tudo pelo chão, paredes, mesa, roupa: o delírio. A mim pareceu-me bem, nada como boa disposição e descontração e aproveitei logo para roer o tapete da cozinha...Agora imaginem a fúria da ditadora com excesso de peso que todos conhecemos! Bom, o Júnior acabou por ser também sacudido ( é muito democrática esta pseudo- educadora infantil e coelhil) e acabou preso na cadeira da papa no meio de muito choro e protesto. Só eu e ele sabemos como é desolador interromperem as nossas experiências mais interessantes...É fácil de vêr que o Júnior só estava a tentar compreender as leis da gravidade para os diferentes tipos de alimentos, assim como estudava a consistência, plasticidade e capacidade de aderência dos mesmos! E é este tipo de ignorância que temos que aguentar...BURRA (sem querer ofender todos os asnos que por aí andam, claro).
terça-feira, fevereiro 14
Mais uma dentada
Ontem dei mais uma dentada à Ana. Uma dentadinha de nada, uma mordiscadela mas ela ficou furiosa. De nada valeu tentar explicar que tinha sido tudo um equívoco.Ficou furiosa perseguio-me, apanhou-me, abanou-me e meteu-me na gaiola. Eu claro fiquei com uma crise de nervos, tremia por todos os lados (tremiamos porque aquela alface murcha não estava melhor..). Como é que eu podia adivinhar que aquilo que se aproximava era a mão dela? Todos sabemos que os coelhos vêem mal ao perto e optimista como sou pensei logo que aquilo perto do meu nariz era um bom pedaço de comida, olhem pensei que era naco de pão torrado e claro abocanhei-o logo. Agora expliquem isto a esta descompensada com a mania das perseguições e armada em domadora de coelhas. Livra!
domingo, fevereiro 12
Com um bebé na barriga...
A Lhena está grávida! Alegria, alegria...Estão todos muito felizes com esta notícia menos eu que me estou verdadeiramente nas tintas. Quem é que se pode interessar por mais uma criancinha aos gritos que muito provavelmente me irá perseguir montada num triciclo? Coloquem-se no meu lugar, bolas! Claro que foram logo contar ao Júnior e delícia das delícias detestou a notícia. Abana a cabeça e diz que não que a tia não tem um bebé na barriga, faz um ar horrorizado, incrédulo e vira a cara, abana a cabeça quando lhe falam no assunto. É claro que face a isto as teorias multiplicam-se...Será que o Júnior quer ficar para além de filho único também neto único? Será que já não gosta da tia? Será que é um sinal do ancestral mau feitio desta família? Nada disso...Ora vejam! Ele tem dois anos, certo? Ainda é um bebé, certo? Como é que acham que ele pensa que um bebé foi parar à barriga da tia? Só o pode ter comido!!!Daí o pânico e o desespero. Deixem de atormentar a criança! E depois dizem que ele dorme mal...São pesadelos antropofagos essa é que é essa. LOL
terça-feira, janeiro 31
Barulhos nocturnos
Ontem foi uma noite daquelas...Barulho e mais barulho às três da manhã. O Júnior a chorar, uma doideira! A Ana levantou-se hoje de manhã e resolveu afixar um papel nos elevadores a chamar à atenção para isto mas claro o Pernas não concordou: que ficava muito expôsto e etc e tal. Aqui vai a versão dela que foi censurada...
"Ao Vizinho Barulhento
Caro vizinho,
Uma vez mais teve o privilégio de nos acordar durante a madrugada. Aquelas pancadas fortes e peculiares que ressoaram ontem à noite pelas paredes e nos fizeram despertar em sobressalto era mesmo o que nos faltava.
O Júnior, que tem dois anos, agradece-lhe vivamente que entre cada pancada tivesse deixado tempo suficiente para que ele voltasse a dormir para depois acordar novamente a chorar...Todos nós sabemos que quem chorar tudo em pequenino não o fará em adulto e assim com a sua colaboração o nosso menino será poupado no futuro. Desde já a nossa vénia.
No entanto e porque somos pessoas aborrecidamente convencionais uma vez que dormimos de noite, preferíamos que NÃO FIZESSE BARULHO DURANTE A NOITE! PARE POR FAVOR!
Obrigado.
Ana, Pernas e Júnior
Bloco A 3ºC"
É um poema...Vejam lá se a minha versão não é melhor:
AO VIZINHO DO 5º C
MEU GRANDECÍSSIMO FILHO DA P***UMA VEZ MAIS FIZESTE UM BARULHO DO C******É MELHOR PARARES COM ISTO OU VOU-TE AOS CORNOS E ACABO COM ESSA CARA DE C*
Dulcineia
Gaiola azul da sala.
segunda-feira, janeiro 30
O Nevão

Ontem nevou em Lisboa...Sim é verdade nevou durante a tarde e de forma muito empenhada tanto que os carros ficaram brancos e eu não pude sair para a varanda. Não me deixaram...A Ana e o Júnior estão constipados e a casa está um caos e tudo o que a Ana não precisa é de uma coelha doente! A mim tanto me faz como fez desde que me soltem e não me toquem. Adoro passear por cima dos sofas da sala e foi de lá que vi os meus primeiros flocos de neve, eu o Júnior claro. A Ana pediu ao Pernas para filmar mas a máquina não tinha bateria. Depois pediu para fotografar mas a máquina mão tinha pilhas. Olhem e depois pediu aos gritos que ele lhe saisse da frente porque a uma mulher doente ninguém faz frente...
quinta-feira, janeiro 12
O Avô morreu!
É verdade, o Júnior já não tem avô. Agora só tem o pai do Pernas Peludas que é apenas o pai do papá. É assim que Ana se refere a ele, dizia ela que era para não confundir o Júnior com as história de ter dois avôs...A mim sempre me cheirou a discriminação mas como era feita contra a família do Pernas sempre me pareceu bem. Aparentemente o Avô está no Céu que é o sítio para onde vão todos os avôs a dada altura. Este é um conceito novo para o Júnior que sempre que ouve a palavra céu desata a fazer adeus e a mandar beijinhos ao Avô...Claro que a Ana fica sempre de coração apertado quando ele faz isto e fica triste e como ainda por cima em Lisboa no meio dos prédios vê-se muito pouco o céu é difícil explicar o conceito do Avô estar a espreitar atrás de uma nuvem ou estar sentado numa estrela a passear...
quarta-feira, dezembro 7
A fuga
Ontem foi um grande dia! Aquela cabeça no ar deixou uma nesga da janela da varanda aberta e foi à vidinha dela. Eu fiquei na minha gaiola apesar dos meus resmungos de coelha contrariada e o Júnior ficou no sófa a vêr o canal panda à espera da música das galinhas (doidas, doidas, doidas andam as galinhas...não sei porquê não me parece nada uma música infantil, mas adiente que atrás vem gente). Isto para dizer que o Júnior se portou como um verdadeiro messias, tão apropriado para a época, pois é não abriu as águas do mar vermelho porque não é da família de Moisés mas sim da família de um outro profeta que não vem nada ao caso, mas que por acaso ajudou o dito cujo...Estou-me a perder, estou-me a perder, a maluca anda a dar-me ração com estupefacientes, só pode! O Júnior abriu a porta da varanda e deu inicio à grande mudança, começou a transportar tudo o que lhe fazia falta para a varanda, a saber: o triciclo, a cadeira da vaquinha, a vaquinha, o piano, o cesto das molas, o pião musical... mas a glória foi quando abriu a minha gaiola e me soltou...Júnior, amigo, a Dulcineia está contigo!
segunda-feira, dezembro 5
Semelhanças entre moi e o Júnior
No outro dia enquando ouvia a Ana que me admoestava já não sei porquê comecei a pensar que eu e o Júnior temos muito em comum o que é invulgar se tivermos em conta que eu sou uma coelha e ele um miúdo de dois anos. Temos uma fixação enorme pelas coisas um do outro! Por exemplo se ele apanha a porta da varanda aberta vai logo mexer nas minhas coisas, na minha casota, na minha ração e até no meu wc e eu se apanho a porta da sala aberta fujo invariavelmente para o quarto dele, gosto de andar em cima e debaixo da cama, em cima e debaixo da mesa e no meio de um monte de coisas à minha disposição para roer prefiro de longe os livros dele...Nos dias em que encenamos uma fuga conjunta escolhemos sempre o escritório, eu gosto de estar atrás da secretária no meio daqueles fios todos e já me aconteceu ficar mesmo presa por lá...O Júnior opta por abrir as gavetas que ele sabe que são off ground...No outro dia até entalou os dedos quando a gaveta fechou mas não tugio nem mugio (salvo seja) lá esteve a tentar libertar-se da ratoeira e quando soltou a mão parecia que os dedos eram de cera tão descorados estavam...Força miúdo, unidos venceremos!
A falhar como as notas de 1000
ou como as notas de 500 euros ou como os drops de iogurte que nem sempre aparecem na minha boca...Depois de combinar com um ano de antecedência a comparência no segundo jantar da avenida, depois de conseguir convecer o casal de emigras a dar as caras, depois de dois meses de dieta para estar bem nessa altura ( com resultados nulos para ela e muito prejudiciais para a minha frágil rotina diária como sabem os que acompanham os meus lamentos) a pobre da Ana não foi ao jantar...Pois é! O Perna Peludas, que é um incompetente, e nunca mais é promovido a major ficou de serviço exactamente nesse sábado deixando a pobre com a criança literalmente nos braços...Eu por acaso até disse que ficava com o Júnior...mas não deu. Esta criatura de Deus que é tão organizada quanto optimista já marcou a nova data no calendário, primeiro sábado do mês de Dezembro de 2006. Veremos, já dizia o cego ( ou o invisual para se politicamente correcta...)
quarta-feira, novembro 30
Coitada da Ana!

A sério, ontem garanto que senti pena dela. Toda pronta para ir trabalhar para o trabalho da treta dela (palavras dela como sabem, está a perder o ar de princesa está está..) depois de fazer montes de coisas inúteis na minha opinião e indispensáveis na opinião dela...Enfim foi dia de Edna e estávamos as duas meio tensas por razões opostas. Ela porque não consegue deixar de brincar às Donas de Casa Perfeitas e eu porque dispenso o barulho. Mas parece que não éramos as únicas...O Júnior acordou entornado, não quis mudar a fralda, não quis a Rá, gritou, gritou até ficar roxo durante à vontade uns 20 minutos e a Ana claro já saiu super atrazada...Eu quando ouvi isto aproveitei para me esconder atrás do sofá com a leve esperança que ela se esquece-se de mim para me poder esgueirar para o resto da casa tão limpinha e fresca que claro dava mesmo vontade de marcar...Mas não, afastou o sofa agarrou-me sem cerimónias e eu? Sabem o que fiz ?Deixei, claro...não dá gozo nenhum morder o corpo de quem já tem alma ferida...
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