segunda-feira, fevereiro 16

Duas maneiras de ver o mesmo fim-de-semana




(Aviso: Esta é uma história verídica, people!)




Ele


Chega a casa na sexta-feira decidido a colocar tudo em ordem. Afinal ele é o líder da casa. As crianças vão passar a fazer pouco barulho e só comerão comida saudável. A casa vai passar a estar em ordem e arrumada e mais importante ainda ela vai passar a fazer os seus pratos favoritos como a sua mãe. Está farto de comida sensaborona. E é isto que lhe diz assim que a encontra.


Acorda sábado de manhã deitado no sofá com um leve ruído de pratos: ela está a pôr a mesa com o serviço reservado às ocasiões especiais e serve-lhe um pequeno-almoço reforçado. Parece que a conversa da noite anterior deu resultados.


Volta a adormecer para voltar a acordar e adormecer. Na prática dormiu todo o fim-de-semana.




Na segunda-feira, muito descansado, resolve combinar uma pescaria em alto mar com os amigos: afinal sente-se como novo e tem direito a um sábado só para si.


Só na sexta feira lhe comunica este momento de lazer para que ela não ande toda a semana a azucrinar-lhe o juízo. Depois de algumas recriminações ela acaba por se levantar na madrugada de sábado só para lhe preparar um termo com café para a pescaria. Nada mau, comenta com os amigalhaços. Ela está a amansar. A pescaria corre bem e, o melhor peixe fica logo escolhido para oferecer à mãe, pena foi as dores de barriga e a diarreia que lhe deu umas horas depois de embarcar, situação muito pouco prática num barco de pesca, e que se prolongou pelo dia todo.




No Domingo, já recomposto, resolve ligar a uma amiga lá do trabalho para combinar um cafezinho. Não se passa nada, claro. É só uma amiga mas sempre que tenta ligar para o número que gravou no telemóvel vai parar a outro lado. As novas tecnologias são lixadas.




Ela


Chega a casa na sexta-feira já meio aborrecida porque sabe que ele vai começar com as suas tentativas de intervenção doméstica. Afinal estamos a falar do gajo que lhe queria ensinar a amamentar as filhas!!!


Serve-lhe a sopa que ele diz que não sabe a nada, a da mãe é que é boa, com um pouco de Sedoxil triturado. Para ela um almofariz é um bem essencial em qualquer lar moderno.


Surpreendentemente ele acorda no sábado para o pequeno-almoço. Ou o gajo está mais gordo ou ela enganou-se na dose. Tira a loiça especial por causa do açucareiro que já tem o açúcar com o sedativo. Por causa das miúdas tem que estar escondido.


Graças ao Sedoxil lá consegue salvar o fim-de-semana.




Na semana seguinte quando ele lhe diz que vai para uma pescaria fica lixada. Tinha pensado mantê-lo acordado pelo menos no sábado. Para ir ao cabeleiro precisa que alguém olhe pelas miúdas. Filho da mãe que não serve para nada!


Um casal deve manter-se unido e se ela vai levar outra vez com as crianças os dois dias ele também vai sofrer. Lá se levanta de madrugada para esmagar o Dulcolax que dissolve no termo com café que lhe prepara. Volta, então, para a caminha que aqui não há pão para malucos.




Quando ele chega no sábado à noite, muito mal disposto e com o rabo a arder pondera dissolver um sedativo mas desiste. Aposta que depois do que passou no barco vai dormir sem ajuda.




Aproveita a ocasião para lhe controlar o telemóvel. Lá está o número em marcação rápida que o parvalhão passa a vida a ligar a toda a hora e que ela não conhece. Altera o último dígito e grava novamente. A ela ninguém a come por parva!






E eu é que sou o peixe palhaço!!!???




terça-feira, fevereiro 10

Manneken Pis

Sempre que o Júnior está em casa e decide fazer xixi grita Bonequinha, o mano vai fazer xixi e de seguida oiço os passinhos dela a correr cheia de pressa pelo corredor. Esta corridinha é acompanhada por algumas interjeições de alegria. Anda! Anda, diz o míudo, depressa.
Quando chegam ao WC os gritinhos de alegria da Boneca aumentam e assim que vê a pilinha do irmão chega mesmo a bater palmas. Ele ri-se e diz é a pilinha do mano, a Boneca não tem uma mas não faz mal, é do mano...
E é sempre assim até passarem à fase em que ele tem que lhe desviar as mãos porque ela quer por força colocá-las debaixo do jacto de líquido amarelo e ele diz não Boneca, não não pode é xixi enquanto ri muito satisfeito.
Assim que se esgota o xixi lá sai à Boneca um grande oooooooooooh desolado mas tem sempre a resposta consoladora do Júnior que diz daqui a bocado há mais.
O Júnior,claro, pensa que todo o entusiasmo da irmã é pela sua extremidade de micção e fica com o ego em cima , muito feliz, sente-se importante e superior às meninas, até porque ele não sente nenhum entusiamos especial por qualquer parte da anatomia dela, dá-lhe tempo, penso eu. O que ele não sabe, e não sou eu que lhe vou dizer, é que ela reage com essa mesma alegria e entusiasmo quando vê a torneira do bidé aberta. Rsrsrsrsrsrsr
Eu não lhe vou dizer nada, afinal tem muito tempo para perceber, que não vai nunca perceber a motivação de uma mulher se a analisar com o seu cérebro masculino. É que as gajas são do caraças!
PS (salvo seja): Agora não pensem que estou na casa de banho desde o mês passado...Eu sou é um animal de estimação que gosta do contacto com a água.

terça-feira, janeiro 20

Nozes




Numa das minhas idas ao piso de cima, a Ana tem dias que me leva para todo o lado e é essa a razão porque comprou um aquário tão pequeno (não é que eu me esteja a queixar, certo?), ouvi uma conversa com o Júnior que não posso deixar passar em branco.

Ora a criança tinha acabado de fazer o seu xixi antes de ir dormir quando de repente se vira para nós e pergunta naquela sua vozinha de macho em formação:

- Mamã, o que são estas bolinhas debaixo da minha pilinha? - e pergunta isto segurando cada uma das referidas bolinhas com as mãos.

A Ana que estava a olhar para mim com ar meio perdido a pensar, talvez, em como seria bom ser ela também um peixe, responde:

- Então essas bolinhas chamam-se testículos e só os rapazes é que as têm. A criança vira e revira os ditos cujos e volta a perguntar:

- Então e os testículos servem para quê?

Para nada, apeteceu-lhe ela dizer mas depois olhou para mim e decidiu dar uma resposta mais pedagógica, afinal tinha uma testemunha.

- Olha, fofo, essas bolinhas são uma espécie de fábricas de bebés. Quando quiseres ter um vão ser-te muito úteis.

Foi então que as coisas se descontrolaram com o Júnior com um ar muito aflito a dizer que não queria ter bebés e a virar e a revirar os dois apêndices para ver por onde é que poderiam sair os tais bebés como se procurasse um buraquinho...enquanto dizia:
-Mas eu não quero ter bebés! Eu não quero ter bebés!
Como se de repente eles pudessem começar a chover no chão da casa de banho...LOL


sexta-feira, dezembro 12

Um Falso Natal

Este ano, por motivos profissionais, sigo de perto uma campanha de Natal de recolha de brinquedos, vestuário e equipamento para crianças carenciadas.

Tudo, como é evidente, dentro de Espírito de Natal.

As pessoas dão imensas coisas e sentem-se bem por isso. Acham que fizeram a sua boa acção anual mas em muitos casos limitam-se a esvaziar a casa ou a arrecadação de toda a tralha que juntaram durante anos.
Que generosidade será esta em que se dá aquilo de que se não precisa? Em que não se dá como se gostaria de receber...

O que se passará pela cabeça de um pessoa quando entrega uma cadeira bebé, para automóvel, tão suja que nem para cesto de cão vadio serviria?
E o que dizer da entrega de bonecos tipo "doudou" tão cheios de nódoas e porcaria? Os exemplos são muitos.
Para que houvesse verdadeira dádiva os artigos seriam entregues limpos, impecáveis. Usados mas tratados como se estivessem prontos para receber mais um bebé lá de casa. Acho eu.

Eu não gosto do Natal.
Até porque ele nem existe.

quarta-feira, dezembro 10

Tristeza

A minha Branquinha está triste e disse-me que não é por causa do abominável Natal.
Está triste e pronto. No entanto disse-me para não me preocupar porque é uma tristeza criativa. Seja lá o que isso for.
Desabafando eu também tenho que dizer que nestas alturas dava muito mais jeito que eu fosse um homem e não um peixe. Talvez assim a conseguisse consolar...ou não!

Pensando bem, acho que estou melhor assim...Estas gajas são muita complicadas!

sexta-feira, novembro 28

A Amadora Conta?

Um destes dias durante uma pausa no serviço a conversa foi parar aos imigrantes e à imigração. Um dos meus colegas, que é super divertido, e a quem perdoo todas as afirmações polémicas, que acabam por nos fazer rir até às lágrimas disse:
- Pois é, people, há zonas de Lisboa em que um gajo pensa que não está Portugal. É só p...
Aqui pára, olha para mim a pedir ajuda porque quer evitar aquela palavra que quer sair. Eu ajudo e digo já meio a rir:
-É só minorias étnicas.
Claro que esta afirmação provoca muito mais gargalhadas nos outros do que se ele dissesse o que estava a pensar.
- No outro dia fui ao Babilónia e aquilo estava cheio de lojas de p..., olha de novo para mim com ar divertido, está cheio de lojas de minorias étnicas. Supermercados, cabeleireiros, é o caraças. Pá até parece que um gajo está em África!
- A Amadora conta? é o que se ouve quase em coro na sala assim que ele termina a frase já com o pessoal todo a rir à gargalhada. Quem é que não viu esta peça dos Gatos Fedorentos com o Professor Chibanga a fazer a pergunta? É de facto hilariante.

Esta história da "Amadora conta?" levou-me de imediato para uma outra história que se passou comigo na Amadora no inicio dos anos 80...
Aproveitando o feriado municipal de Cidade Satélite, no tempo em que até as escolas faziam ponte, rumei à Amadora onde vivia uma das minhas tias para um fim-de-semana prolongado (o que não era de todo um hábito). Fui ter com ela à Escola Secundária onde trabalhava. Cheguei cedo e tive que esperar dando uma volta por lá. Recordo-me que estava muito nervosa/curiosa porque estávamos no final do ano lectivo e no ano seguinte eu iria passar do Ciclo Preparatório para a Escola Secundária (para o 7º ano unificado como se dizia na época).
Fui até ao campo de jogos onde decorria um partida de andebol. Jogos de equipa nunca foram o meu forte se exceptuarmos o futebol ou o rugby. Assim quando me convidaram para jogar recusei dizendo que não me podia demorar. Voltaram a insistir mais tarde, deviam ter mesmo falta de um jogador, e disseram-me que se mudasse de ideias só tinha que dizer.
A dada altura vi a minha tia ao longe a fazer sinais para ir ter com ela, despedi-me do pessoal do jogo e lá fui toda satisfeita. Afinal ir para o Liceu não seria assim tão mau. Ela, que afinal de contas me tinha tido sempre debaixo de olho sem que eu soubesses, assim que me aproximo diz com um ar pesaroso:
- Então foste pedir para jogar e não te deixaram jogar...
- Não. Eles é que me convidaram, disse eu.
A minha tia arregalou os olhos incrédula.
-Eles queriam que tu jogasses com eles!? Filha isso não é normal. Aqui nesta escola há uma grande rivalidade entre brancos e pretos. ( Escusado será dizer que mais uma vez nem sequer me passou pela cabeça pensar neles como pretos ou brancos. Era uma classificação que eu ainda não tinha interiorizado. E lá tive que levar com a questão racial sem estar mesmo nada à espera.) Aqui os pretos só se juntam aos brancos para andar à pancada. Como é que é possível? Pediram-te para jogar? O que é que eles viram em ti?
Não se calava com isto. Olhava para mim com um ar curioso, perplexo, como se de repente tivesse descoberto que a sua sobrinha era encantadora de serpentes ou domadora de leões. Aquilo já me estava a enervar até porque não acreditava que as coisas fossem assim tão radicais.
Mas o pior ainda estava para vir porque optou por contar isto tudo à família toda sempre com um ar de quem tinha presenciado um milagre qualquer e queria passar testemunho. Fartei-me de receber olhares do tipo "esta miúda não é normal"...
E foi assim que ganhei fama de Negro Lover ... É que nem dá para acreditar!...

quarta-feira, novembro 26

São pretos

O Júnior partiu o coração à Ana e não foi porque ela teve que ir novamente com ele para o Hospital de Santa Maria, pela segunda vez em 5 meses, por causa de mais uma brincadeira mal calculada. Não. O problema é que o miúdo está naquela fase em que começa a pensar por ele próprio e como já seria de esperar não pensa como ela em algumas coisas. E isto provoca-lhe uma certa melancolia.

Um noite destas, pedagogicamente, os dois comentavam os artigos da Newsweek desta semana, quando ouvi a Ana dizer apontando para uma fotografia:
- Olha Júnior, este é o novo presidente dos EUA. E esta é a sua família. Os EUA é o país onde mora a tia. Já viste?
O Júnior olhou com ar meio desinteressado, maçado e lança a bomba:
- São pretos, e volta para o desenho que estava a fazer de uma máquina de não sei o quê.
O "são pretos" foi dito num tom pouco simpático, de descaso, semelhante ao tom que utiliza para se referir às meninas e às suas brincadeiras pouco interessantes e até mesmo patetas. Para ele as meninas são mais do que de um género diferente são mesmo uma espécie à parte.
- Então se eles são pretos tu és o quê?, pergunta a Ana.
- Eu sou claro!, diz como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Claro, resmungou a Ana...Eu acho que se eles são pretos tu és branco, não é?
- ´tas tonta , não? Eu não sou branco, branco é isto , diz apontando para a folha de papel que tem no colo.
- Eles não são pretos, preto é isto diz a Ana apontando para o casaco, tentando imitá-lo. Eles não são pretos. Quanto muito são castanhos ou então escuros.
- Não é nada, voz de nanainina, não são nada escuros. Eles são pretos, não vês que são pretos? E aponta para a fotografia da revista, já com um leve tom de desprezo, tipo a mãe está cega ou que? Eu sou claro, diz. E acabou. Não quero falar mais sobre isto.

Eu continuei a nadar como se de nada se tratasse mas pelo canto do olho bem via o ar desanimado dela.

Jonas, ouviste isto? Como é que é possível que isto me esteja a acontecer? Logo comigo que sou colorblind até ao absurdo. Já sei que em relação às meninas isto vai passar de desprezo a preso em alguns anos mas, e o resto? Onde é que ele foi buscar esta ideia?
Branquinha, minha linda, estás a exagerar. As coisas são como são. E muitas vezes são mesmo assim. A preto e branco.

segunda-feira, novembro 24

As aranhas têm família???

Ao contrário da minha antecessora não costumo comentar aqui o que acontece no aquário. Sou uma criatura mais virada para o exterior. A Dulcineia é que era dessas coisas talvez porque estivesse quase sempre em conflito com a Ana. Havia de facto uma competição entre fêmeas. Eu, ao contrário da Dulcineia, gosto incondicionalmente da Ana. Agrada-me, diverte-me e se postasse sobre ela seria sempre parcial.
No entanto esta noite não resisti porque aquilo que se passou deixou-nos a mim Jonas e a ela Ana a pensar.
Hoje à noite a Ana distraiu-se ocupada num dos seus projectos alternativos e esqueceu-se do Júnior na sala. Passou a hora de dormir e eu e o miúdo ficamos a ver a novela. Quando de repente a Ana chega à sala, meio apressada, o Júnior aponta para a TV e diz:
- Este é o senhor que matou um cão. É mau. E o cão morreu de olhos abertos, sabias?
- Não devias ver isto, já é muito tarde, vamos dormir, respondeu a Ana com um ar culpado.
- Mas ele matou o cão, insistiu ele.
- Como é que sabes? Se calhar não foi ele...
- Já vi isto mais vezes com a avó. Ele é mau. Tem mau humor. Olha, é como o pai!
- O pai não é mau, Júnior. Por exemplo o pai nunca matou um cão!
- Pois não. Mas matou uma aranha, que eu vi! E uma aranha é um animal, não é? Então matou um animal. E uma aranha tem família, não é? Então? É mau.
A Ana ficou a olhar para ele sem dizer uma palavra. Eu fiquei de boca aberta, impressionado com o pensamento lógico dele, afinal tem só cinco anos. Ele ficou a olhar para nós os dois. Abanou a cabeça e disse:
- Então, mãe, anda lá, vamos para o meu quarto. Hoje quero que me contes uma história que não venha num livro!
Subiram a escada e eu fiquei a pensar:

Mas será que as aranhas têm família?

sexta-feira, novembro 21

Mais humor branco

Foto: Louva a Deus, pois claro!

Já a Palin tem uma atitude diferente face à derrota e a propósito de se recandidatar às próximas presidenciais diz:

"I´m like, OK, God, if there is an open door for me somewhere...show me where the open door is"

E viva a auto-estima.

quinta-feira, novembro 20

Humor branco


Não pude de deixar de ficar surpreendido com a resposta que John McCain deu a Jay Leno quando ele lhe perguntou como estava a reagir ao facto de ter perdido as eleições com Obama:


"Well, I´ve been sleeping like a baby. I sleep two hours, wake up and cry. Sleep two hours, wake up and cry"

("Bem, tenho dormido como um bebé. Durmo duas horas, acordo e choro. Durmo duas horas, acordo e choro")


Então não é que o cota tem sentido de humor!!!

segunda-feira, novembro 10

A 2ª vez que vi um preto

E ela a dar-lhe, disse-me o Jonas, quando lhe falei nesta ideia de retomar este tema. Achas mesmo que alguém vai querer ler uma postagem dessas?
Jonas, se eu quisesse que me lessem publicava um livro de autor e vendia-o porta a porta, não achas? Não escrevia neste blog mal frequentado, não é?
Porque é que não consigo arranjar um animal de estimação que me estime?
Não consigo parar as minhas memórias só porque são meio despropositadas. As minhas desculpas desde já aos três leitores desde blog.

Como disse antes a questão da cor não se colocava na Cidade Satélite. Era uma cidade pequena e sossegada com meia dúzia de personagens exóticas como o pastor protestante de que já falei ou o vizinho que se dizia ser cigano e que pirateava aquelas K7 enormes que existiam na época ou ainda aquele bêbedo que levava a vida a fazer de polícia sinaleiro.
Esta monotonia só era quebrada pelas férias de verão no Algarve. Todos os anos passávamos pelo menos um mês em Lagos. Lagos estava cheia de estrangeiros principalmente nórdicos cabeludos mas também se viam alguns espanhóis, franceses, portugueses, etc. Era a época das praias desertas e do pessoal de rabo ao léu. Havia espaço para tudo e para todos.
Todas as tardes me sentava lá fora a ver passar as pessoas ao fim do dia. Havia um casal que me tinha despertado especialmente a atenção. Falavam em francês e ele era mesmo muito alto e ela mesmo muito pequenina. Tinham um filho pouco mais velho do que eu, talvez 8 ou 9 anos, mas que já estava mais alto que a mãe. Aquilo fazia-me uma impressão horrível. Só pensava como é que era possível uma mulher tão pequena ter um filho tão grande e sobreviver ao parto? Ficava toda arrepiada só de pensar...

Um dia eles passaram enquanto o meu pai estava sentado ao meu lado e eu fiz um comentário qualquer sobre essa família porque queria perceber qual seria o risco se um dia casasse com um homem enorme. Não me lembro da pergunta que fiz mas lembro-me da resposta do meu pai. O meu pai começou a discorrer por aquilo que ele pensava ser o assunto. Disse-me que em Angola tinha visto alguns casos assim. Que não era comum mas que podia acontecer. Mas que muitas vezes não funcionava por razões culturais. Eu que estava à espera de outro tipo de resposta fiquei de olhos arregalados com a resposta. Pensava que eram todos franceses, disse. Isso não sei, disse o meu pai, mas sabes estes casamentos entre pretos e brancos acabam por ser relacionamentos mais frágeis. Acho que o deixei de ouvir. Pretos e brancos?... Mas então não estamos a falar de homens grandes e mulheres pequenas?, pensei eu. O meu pai continuou a discorrer enciclopedicamente como de costume sobre aquilo que era para ele o assunto quando eu o interrompi para perguntar qual deles era o preto e qual era o branco. Aqui o meu pai olhou para mim como se de repente a sua inteligente filha tivesse desaparecido. Mas tu não vês que ela é preta?, perguntou. Não me digas que não consegues destinguir um preto de um branco? Ainda balbuciei que ela parecia um bocadinho mais escura mas que ele também estava escuro...

Agora até a mim me parece incrível esta história mas naquela época as pessoas passavam tanto tempo na praia e ao sol que todos mas todos acabávamos pretos. Até eu. Durante alguns dias passei o tempo a tentar destinguir os pretos dos brancos na praia. Enganei-me tantas vezes que o meu pai um dia aborreceu-se comigo a sério porque acreditava que por alguma razão eu só queria gozar com ele e eu dei por terminada a minha pesquisa.

Voltámos para a Cidade Satélite e a questão nunca mais se colocou. Mas os tempos estavam a mudar com a independência das colónias e o afluxo dos portugueses ultramarinos de todas as cores...

sexta-feira, novembro 7

Dilema de pobre

Jonas,
Que fazer quando nos pedem para apoiar um partido e nós já nos comprometemos com o partido concorrente? Estou com um problema ético.
Problema ético? Tu estás é com um problema de pobre! Tens que pensar como um rico: apoias os dois! Um deles vai ganhar e tu ganhas sempre!!!
Branquela burra...

quarta-feira, novembro 5

Pila

No words. É assim que fiquei. Sem palavras. De boca aberta com a conversa que ouvi entre a Ana e e mãe dela.
Tudo começou com a mania que o Júnior tem agora de dizer Pila. Assim sem mais nem menos e por tudo e por nada. Está sentado a ver o Canal Panda e de repente grita Piiila seguido de uma risada tipo Joker do Batman. A meio da refeição grita Pila e diz que almoçou na escola cocó com xixi e depois Pila. Ou então diz o já histórico "vê lá se levas com a pila". Tudo isto acompanhado com gargalhadas de voz grossa.
Eu pessoalmente acho isto espectacular. Revela a sua masculinidade. Afinal ele é um macho e tem pila.
Infelizmente as fêmeas deste aquário não pensam o mesmo. Excepto a Boneca que acho o máximo tudo o que o Júnior diz e tenta também dizer Pila mas como ainda não fala imita só o tom de voz.
Apanhei a avó Livi a tentar reconfortar a Ana dizendo o típico, isso passa, é só uma fase, vais ver que ele esquece o assunto...
Isso passa? É só uma fase? Ele esquece o assunto? Como é que alguém consegue chegar a uma idade tão avançada sem perceber nada de nada?
É CLARO QUE NÃO PASSA! É ÓBVIO QUE NÃO É UMA FASE! E NEM SEQUER CONVÉM QUE ELE ESQUEÇA O ASSUNTO!
A PILA COMANDA A VIDA DE QUALQUER MACHO. CAMBADA DE IMBECIS.

domingo, novembro 2

Se os peixes pudessem votar...


Se os peixes pudessem votar eu votava Obama! E depois quem sabe? Com Obama na Casa Branca the sky is the limit, right? Se um mestiço pode chegar à presidência dos EUA imagino a que destino glorioso pode aspirar um peixe preto como eu...I have a dream today.

sábado, novembro 1

A 1ª vez que vi um preto


Talvez este não seja o blog mais adequado para uma postagem desta natureza afinal foi iniciado por uma coelha, entretanto falecida, e está a ser continuado por um peixe. No entanto este tema da cor era muito querido à Dulcineia tendo sido abordado por ela algumas vezes. Ela que era preta e branca sem ser mulata. E depois o continuador deste blog é completamente preto e eu sou branca. Há ou não há condições de continuidade?

A ideia desta postagem surgiu depois de ler um artigo na Revista Sábado em que se retrata a vida em duas cidades separadas por uma ponte, a maior ponte do mundo, porque vai da América a África. :-) Benton Harbor tem 92% de habitantes pretos e em St. Joseph 90% são brancos. A dada altura uma das entrevistadas diz que a primeira vez que viu um preto era já uma adolescente.

Isto fez-me pensar também. E eu? Quando foi a primeira vez que vi um preto? Não que isto tenha muita importância, ou tem? No entanto lá vasculhei a memória até encontrar aquela primeira vez.

Na Cidade Satélite, onde cresci, não havia pretos. Só brancos. Um dia correu um zunzum no bairro que o irmão do pastor evangélico que lá vivia tinha casado na América, para onde tinha ido estudar, com uma preta americana. Eu tinha 5 anos e aquilo entusiasmou-me imenso. Fiquei com a cabeça cheia de questões práticas. Para mim um preto era um tipo pequenino com uma lança e uma saia de palha. Tal e qual como a aparecia nos filmes a preto e branco do Tarzan que passavam ao Sábado ou ao Domingo na TV. Uma das coisa que me preocupava imenso era se ela não teria frio no Inverno vestida daquela maneira. Tencionava também perguntar-lhe se era verdade que comia pessoas porque me parecia uma fantasia estranha. Queria ainda saber se conhecia o Tarzan e se sabia porque é que ele e a Jane viviam numa árvore e não numa casa como a dela lá em África. E porque é que o Tarzan só se dava com macacos e outros animais e não com as pessoas que lá viviam? E porque é que ele não conseguia aprender a falar a língua da Jane em condições? E depois queria que me explicasse como é que conheceu o marido na América se ela vivia em África. Estava tão excitada que até tinha dificuldade em respirar.

Era um Domingo e estávamos todos em casa. Assim que pude escapei-me para casa deles 3 ou 4 vivendas acima da nossa e fui lá bater à porta. O pastor tinha uma filha Ana, como eu, de quem era amiga e por isso tinha acesso quase livre à casa deles. Para grande desgosto meu já iam a sair todos. Eram mais do que o costume mas acho que nem olhei bem para as pessoas. Ainda pensei em perguntar à Ana pela tia preta porque não a via em lado nenhum mas não sei porquê contive-me e ainda bem acho eu. Voltei para trás com eles, sem fazer nenhuma das minhas perguntas.Passámos em frente à nossa casa, eu entrei para o meu quintal e eles continuaram. A minha mãe estava ao portão assim como a vizinha do lado e outros vizinhos das outras casas.

Quando se afastaram gritei com a minha mãe. Afinal enganaste-me não havia preta nenhuma! A vizinhança começou toda a rir. Então, não me digas que não viste aquela senhora alta e escura? Era ela a preta. Eu olhei para a minha mãe sem querer acreditar e ainda argumentei com um certo desdém ( quando era miúda achava quase todos os adultos pouco inteligentes, excepto o meu pai claro, e mais um ou outro felizardo...de resto dificilmente tinham resposta para as minhas inúmeras e muitas vezes disparatadas questões...) que a tal senhora devia era ter apanhado muito sol na praia. Mais risota dos adultos e eu acabei por me desinteressar pelo tema: afinal um preto era uma pessoa igual às outras e aquela senhora escura deveria saber ainda menos do que eu sobre os problemas do Tarzan.

quarta-feira, outubro 22

Cheguei!

Cheguei e já tenho a responsabilidade de manter um blog! E ainda por cima um blog de babes. O que é que um peixe pode dizer num blog de gajas? ´Tá bem que uma morreu e a outra nunca escreve mas mesmo assim é um blog de gajas, ou não? ( Não sou tão insensível como pareço. Só não sou é piegas. Morreu? Enterra-se!)
E depois se não existe moderação de comentários existe moderação de linguagem e todos sabemos que isso não combina com as hormonas masculinas.
Por falar em hormonas, quem já não ouviu falar do caso dos peixes do Reno ou do Tamisa que viraram peixas devido ao nível de hormonas femininas a circular nos rios? Quem é que me garante que o mesmo não pode acontecer por partilhar um blog?
Bom! Vamos lá ver como isto corre.

sexta-feira, outubro 10

Dia Mundial do Animal

Querida Dulcineia,


No dia 4 foi celebrado o Dia Mundial do Animal. Já sei que detestas estas datas comemorativas. Eu também não gosto. Quando se fala do Dia das Mulher até fico arrepiada.

De qualquer forma eu nem sabia que existia o Dia Mundial do Animal. Ou se sabia já tinha esquecido e como esquece muito a quem não sabe...

Na escola do Júnior resolveram fazer um projecto sobre este dia. Já viste o azar. Se estivesses viva tinha sido possível levar-te na tua caixa de transporte até à sala dele para que todos os amiguinhos te pudessem ver e tocar. LOL! Acho que ias detestar. Todo aquele barulho e aquelas mãozinhas ansiosas...Por outro lado que bela oportunidade para distribuíres arranhadelas e dentadas.

Dei ao Júnior uma fotografia tua e fizeste muito sucesso no meio de todas aquelas fotografias de cães, alguns gatos e poucos pássaros. É claro que todos os outros bichos estão vivos...Who cares? O que conta é marcar a diferença, não é?

Abraços e Abracinhos.

domingo, setembro 7

Girassol de estimação


Cara Dulcineia agora temos um girassol de estimação que levamos para todo o lado. Já podes imaginar a quantidade de pragas que o meu marido roga ao pobre vegetal só porque teve que o transportar da Vila para a Cidade Satélite e da Cidade Satélite para o Algarve e depois de novo no regresso do Algarve para a Cidade Satélite e para a Vila. Afinal é só um girassol com pouco mais de um metro de altura se contarmos com o vaso que cabe na perfeição entre os dois bancos da frente do carro. Pronto não dá muito jeito para meter as mudanças mas não é caso para tanto.Esta coisa das pragas deixa-me perplexa. Quando é que ele começou a praguejar? É raios partam isto e raios partam aquilo a toda a hora. Depois claro o Júnior também já começou a imitá-lo e chega a ser cómico vê-lo a tentar montar um brinquedo qualquer enquanto diz raios partam esta peça que não encaixa com a sua vozinha infantil. E depois não penses que este é um hábito novo do meu marido. Não! O mais chocante é que me disse que sempre praguejou só que para dentro. Que mais fará ele para dentro? Estar casada pode ser um bocadinho assustador.


Por falar em ter medo a Boneca tem medo de moscas e sempre que vê uma chora desesperadamente como se tivesse num filme de terror e lá vamos nós a correr enxotar a mosca. De resto nada de novo a minha mãe continua cada vez mais surda e abstracta, como ela diz. A surdez não a admite mas da abstracção da realidade faz gala. Ontem perguntou-me quais eram as minhas novas funções no serviço porque não se conseguia lembrar apesar de não termos falado de outra coisa antes das férias. Para me vingar voltei pedir-lhe para usar pendurado ao pescoço uma bolsinha daquelas que as crianças utilizam para colocar o passe ao pescoço com um papelinho lá dentro a dizer chamo-me fulana de tal e vivo em tal sítio para o caso de se perder na rua...


Ai Dulcineia que falta me fazes cá em casa. Agora a única criatura normal cá de casa sou eu. ( Bom, não sei se é muito normal uma pessoa falar constantemente com o seu animal de estimação falecido. Uhps!)

Que fazer com este blog?

Não sei o que fazer com este blog que herdei da Dulcineia. Gostava de lhe dar continuidade mas sem ela é difícil. Há por aí algum humano que já tenha herdado o blog do seu animal de estimação ou este é caso único? Se ao menos ela me tivesse deixado algumas instruções...
DULCINEIA FAZES-ME FALTA! E já agora feliz aniversário porque farias 4 anos este mês. Que tal uma dentada espiritual nesta tua amiga?
Bom, estou a conseguir ser ainda mais patética do que é normal...Caramba! Deve ser do regresso ao trabalho...

terça-feira, julho 29

A Dulcineia morreu




É verdade e não se trata de mais uma postagem com título chamativo. A Dulcineia de facto morreu. Eram 7.30 da manhã quando cheguei ao escritório para me despedir dela como era habitual. Quando me parecia que tinha muita fome dava-lhe logo a ração. Estava deitada no fundo da gaiola naquela posição que tanto gostava. Toda esticada e de lado como se estivesse a apanhar sol na barriga. Como se estivéssemos nos primeiros dias de primavera. Só que desta vez não piscou os olhos quando me ouviu chama-la. Nem sequer fez aquele ar enfadado. Lá vem esta interromper o meu descanso! Nem saltou para me cumprimentar como fazia quando estava para aí virada. Nada!

Toquei-lhe e ainda estava quente mas já não respirava. Tirei-a da gaiola e enrolei-a numa fralda da minha filha que tinha uma tartaruga cor de rosa aplicada. De certeza que me detestou por isso ela que se insurgia sempre contra a ditadura do cor de rosa imposta às fêmeas.

Ao fim da tarde enterrámos-la no campo, o meu filho, o meu marido e eu. Não foi propriamente uma guarda de honra mas aposto que ela se teria divertido se tivesse visto o meu marido todo transpirado a abrir um buraco suficientemente grande e desta vez a fazer alguma coisa pela "coelha"sem refilar. Calado. Por último marcámos o local com uma pequena placa em madeira com o nome dela.

E foi assim. Tive que me despedir daquele pêlo macio e... daqueles dentões que me morderam tantas vezes e do ruído daqueles passinhos no soalho. Não foi fácil a despedida como não foi fácil o convívio durante estes quase 4 anos nem para mim nem para ela. Imagino se tivesse sido ao contrário. Aposto que teria ficado furiosa comigo e ter-me-ia acusado de deserção. Fula, de certeza que me gritaria aos ouvidos: ao menos podias ter-me avisado que ias morrer, não é!? Tinha muito mau feitio mas como dizia o meu filho " era mesmo adorável".



Quem assina hoje sou eu: a Ana da Dulcineia.





sexta-feira, julho 4

Cocó na Cueca

Por mais anos que passem de convívio com os humanos nunca irei perceber a fixação que as suas crias têm com o excremento! Já falei nisto noutra postagem mas pelos vistos ainda não esgotei o assunto.

O Júnior agora tem uma nova máxima: Cocó na Cueca. Passa o tempo todo a repetir isto. Chega a casa da escola a gritar COCÓ NA CUECA a plenos pulmões. É como se fosse o seu grito de liberdade ao chegar a casa. Depois corre até à minha gaiola e encosta a cara com ar ameaçador enquanto grita com os dentes serrados COCÓ NA CUECA. Passa então ao corredor onde começa a marchar ao som de COCÓ NA CUECA. Outras vezes vai encenando golpes de uma arte marcial imaginária em que cada movimento é acompanhado de um COCÓ NA CUECA. Quando está muito feliz é capaz de dizer COCÓ NA CUECA tantas vezes e tão alto e tão depressa que começa a tossir e a dar gargalhadas ao mesmo tempo.

Eu já nem pergunto se isto é normal. Nem pergunto se isto passa porque sei que sim, afinal os humanos adultos não têm este comportamento. A minha pergunta, que vai dirigida aos animais domésticos com mais experiência é a seguinte: esta obsessão por fezes é exclusiva do género masculino ou devo esperar uma repetição assim que a Boneca começar a falar? Aguardo...

domingo, junho 22

Corta! (Ou a censura na colónia)

As minhas duas últimas postagens provocaram algum desconforto aqui em casa.

O Pernas não gostou que eu tivesse escaneado a sua condecoração e anda desde então a pedir à Ana para censurar aquilo que eu escrevo. Diz que sente que perdeu toda a sua privacidade e dignidade: onde é que já se viu uma condecoração desta grandeza num blog de uma coelha ???
Também ficou furioso com a revelação sobre o PSD. Diz que eu não tinha nada de falar sobre a filiação da Ana ( ou conversão como diz a Lhena que de tanto viver no estrangeiro já começa a confundir o português).

Na minha opinião só fiz bem. Espicacei a vida social dela. Todas as suas companheiras de armas ligaram para pedir explicações e averiguar da sua saúde mental. Afinal depois de partilharem não sei quantas manifs com ela para já não falar dos bloqueios das avenidas a quando da guerra das propinas e dos apupos ao Ministério da Educação na 5 de Outubro ninguém estava à espera disto. Até os gays do BE para quem ela trabalhou ligaram. Tem piada. Ligaram quando ela saiu do armário...lol. Desculpem mas não resisti ao trocadilho.

O que me vale é que ela por mais que se esforce nunca deixará de ser uma rapariga da esquerda liberal ( isto existe?) incapaz de qualquer acto de censura muito menos por influência militar e vou poder continuar a dizer o que quiser sem cortes. Bom...há uns dias atrás não conseguia dizer grande coisa porque o Júnior cortou o fio do rato...também cortou a pulseira do relógio amarelo...e o cortinado do escritório...mas isso já é outra história. Corta!

sexta-feira, maio 30

Cavaleiro da Ordem de Avis


O Pernas agora é Cavaleiro. Já sei que é esquisito. Não digam nada. Eu pensava que isto dos cavaleiros era do tempo dos reis e rainhas. Mas não. A acreditar nele ainda é possível nos dias de hoje. Assim que soube disto imaginei uma série de piadas para contar aqui só para o aborrecer. Não foi necessário. O Júnior encarregou-se disso. No dia em que o Pernas ia ser investido Cavaleiro despediu-se da família todo aprumado e orgulhoso mas passou-lhe porque o Júnior que vinha a correr perguntou-lhe logo porque é que ele estava vestido de polícia. Lá lhe tentou explicar que era um uniforme especial,ia a uma cerimónia importante. Eu sei o que é! Vais a uma festa de Carnaval! Na minha escola também há. Este ano fui de Tartaruga Ninja. Para o ano quero ir mascarado de astronauta com nave espacial e tudo. Olha, diverte-te ´ta bem? Virou-lhe as costas e foi para a sala ver pela centésima vez "O Noddy salva o Natal". hohohoho...
Não é preciso dizer que quando voltou Cavaleiro vinha todo contente e foi logo mostrar a sua nova condecoração. O Júnior que estava a lanchar o seu pão-de-leite meteu-se na conversa. Não pode ser! Tu Cavaleiro? Mamã o Papá está a dizer uma mentirinha...está a dizer que é Cavaleiro. Toda a gente sabe que um Cavaleiro tem que ter um cavalo e tu não tens. Nananina...A Ana apareceu na sala comigo ao colo e ainda deu para ver que o Pernas estava a icar um bocadinho murcho e assim refreámos a nossa vontade de brincar ainda mais com ele. Há cavaleiros sem cavalo, Júnior. Há com e sem cavalo. O Papá é daqueles sem cavalo disse a Ana.
Foi então que o Júnior saiu a correr da sala para voltar a entrar também a correr. Toma! É para ti. E o Pernas lá ficou, de pé, no seu uniforme de gala com todas as suas condecorações segurando com a mão direita o cavalo de pau do Júnior.

domingo, maio 25

PSD


A Ana entrou no escritório e disse-me que se tinha filiado no PSD. Não reagi. Ou por outra, escondi-me dentro da minha caixa porque achei que tudo não passava de uma estratégia para me fazer sair da gaiola numa nova acção de beleza/higiene: cortar unhas, escovar, verificar dentição and so for.


Até já recebi o cartão! Aí percebi que era a sério e fiquei parada com a boca aberta por uns 10 segundos, o que caso não saibam é muito difícil na minha espécie, enquanto pensava nas hipóteses que teria de convencer o Pernas a entrar com uma acção judicial de interdição da Ana. Oh, Ana! Pensava que nós éramos raparigas de esquerda! Desculpa Dulcineia mas tinha que ser. Estou farta de ser descriminada por ser demasiadamente intelectual e coerente. Algumas pessoas até me acusam de ser pouco humana. Mas agora posso esfregar-lhes o cartão do PSD na cara. Tinha que aproveitar agora com esta história do Luís Filipe Menezes. Posso enfim provar que posso ser boçal, histérica, emotiva, incoerente. Provar que consigo estar 10 anos sem liderar nada, sem manipular ninguém de forma eficiente. Sei lá Dulcineia, até já me imagino a contar piadas acéfalas no serviço. E depois tenho tanta pena do PSD. Tiveram tudo e agora não têm nada. E o PS a fazer de conta que é o PSD também não ajuda. Como é que o PSD pode voltar a ser o que era se o PS está com a mania que é o PSD? O que é que tu queres, é a minha faceta de defensora dos desprotegidos. Chama-lhe caridade se quiseres.


Olhei bem para o cartão que ela tinha na mão. E tive de lhe dar razão. Dava pena. Os cartões do PSD até estão a perder a cor, são agora de um laranja muito desmaiado (a tender para o rosa?). Caridade? Não. Caridadesinha...

sexta-feira, maio 16

domingo, maio 4

Dia da mãe

De vez em quando, quando estou mais nhónhó, penso que deveria ser mãe. Ter alguém do meu sangue. Alguém com quem partilhar esta gaiola. Alguém com quem pudesse ter longas rosnadelas. Enfim, uma família e talvez até um coelho com quem partilhar a ração e a educação dos coelhinhos que teríamos...Snap out of it, Dulcineia!!!
Graças a Deus que existe o dia da mãe para me trazer à realidade. Hoje, que é dia da mãe, a Ana levantou-se de madrugada para dar o leite à Boneca e voltou a deitar-se para se voltar a levantar umas horas depois para vestir o Júnior que queria ver o canal Panda e alimentar novamente a Boneca. Quando será que ela começa a comer sozinha?

Sentou-se na sala depois de ter tomado o pequeno-almoço com os gritos do Júnior que já não é novamente amigo do pai e que quando o pai for velhinho o vai obrigar a beber o leite todo mesmo que ele não tenha vontade e depois vai obrigá-lo fazer xixi mesmo que não queira, ai vai vai grita com a sua voz infantil . Quando é que ele muda a voz? E quando é que o Pernas deixa de implicar com o Júnior? E o Júnior com o Pernas? E quando é que a avó assume que está surda e compra um aparelho para que a Ana não tenha que repetir tudo várias vezes? Não sei. Só sei que a Ana se sentou na sala e esperou pelo seu presente do dia da mãe enquanto segurava a Boneca que quer andar sozinha e que está sempre a cair e a choramingar.

Esperou e vai ter que esperar até ao próximo Domingo porque o Júnior não trouxe a prenda que fez na escola porque meteu na cabeça que o dia da mãe não era hoje e a avó que o foi buscar na sexta não o quis contrariar não vá ele chorar e depois as pessoas pensam que ela não o trata bem!!!

E depois chegou o Pernas com o presente da Boneca que ele comprou e a Ana lá se animou outra vez embora estranhasse aquilo vir embrulhado num papel que até há bem pouco tempo protegia uma moldura velha. Abriu e não era um livro nem um cd nem nada de jeito. Era uma agenda de 1988, velha e suja. Como a Ana disse um dia, oh dia aziago, que gostava de agendas antigas, antigas!!!, não velhas o Pernas agora acha que descobriu a pólvora e sempre que a ocasião é especial lá aparece com uma. Eu bem vi a cara dela quando a veio esconder debaixo das outras que já estão no escritório junto à minha gaiola. Fiquei com pena dela claro mas também ela só se meteu nisto porque quis, não é ? Ana minha linda vai mas é mais cedo para o trabalho. Aproveita e almoça com calma, compra uns sapatos ou outro mimo qualquer para ti. Aproveita esta tarde para respirar fundo porque para o ano que vem há mais. lol

quarta-feira, abril 23

Perigo de nova vida!

A Boneca fez um ano. Já só acorda duas vezes por noite. A Ana anda tão descansada. Sim, porque para ela acordar duas vezes por noite não é nada...Com o Júnior a coisa era de hora a hora e incluía sessões de desenhos animados a meio da madrugada. Eram tempos agitados até para mim que era constantemente interrompida na sala a meio da noite.

Este descanso todo é perigoso! O trabalho da treta dela não a maça. O ginásio não a maça. O Júnior não a maça. A Boneca é um encanto. O Pernas não a maça. A Livi não a maça. Bom esta maça um bocadinho mas também é mãe dela...Uma espécie de Ana a dobrar.

Ela queixa-se porque já começa a ter meia hora livre por dia entre os dois livros que lê por semana e até já fala em me cortar as unhas, escovar-me o pêlo ou levar-me a passear com a trela que tem!!! Estou tramada. Não tarda começa a falar em arranjar um porquinho da índia, depois dois e depois como o Pernas é contra animais em casa começa a falar em ter outro bebé e depois começa a ficar outra vez muito maldisposta e depois tem mesmo outro bebé e pronto lá começa tudo outra vez.

domingo, fevereiro 10

Village People

A bucólica vida na vila...O chilrear dos passarinhos e all that crap. Para mim nada mudou excepto a tosse que não me larga. E o que eu espirro? Será alergia à vida campestre? É que a Ana está na mesma todos já sabemos como ela ficou efervescente quando se mudou para cá...O Pernas, esse, como diz a avó Livi "está tão contente que nem lhe cabe uma palhinha no rabo". Não consigo atingir o sentido desta expressão alegadamente madeirense mas como me parece ter uma conotação algo ordinária não resisto a repeti-la. O Pernas agora passa tanto tempo no quartel que andamos todos desconfiados que é ele que manda naquilo. Parece que o primeiro e segundo comadantes da unidade não passam de testas de ferro dele. Teorias...O Júnior também adora a vida na vila e está completamente imune aos comentários que gera por ser o único menino no ballet. A Boneca põe todos na linha com os seus gritos e ar zangado quando não lhe fazem a vontade e até o Babal, que foi nosso hóspede toda a semana, já percebeu que não se deve meter com ela. O Babal que tem 16 meses, é um rapaz do campo e por isso tem uma especialização em espalhar feno, interagiu muito comigo e ainda deu para o arranhar um bocadinho. Que saudades já eu tinha de dar uma dentadinha! De resto a minha vidinha está na mesma. Feliz e contente a rosnar a toda gente.

sábado, dezembro 29

Natal e coiso e tal

Mais um Natal. Mais uma ida à Cidade Satélite. Podia escrever durante horas sobre isto. Desta vez fiquei fechada no wc pequeno com aqueles azulejos floridos em tons de amarelo que me fazem dor de cabeça. Passear-me pelas preciosas alcatifas é que não! Podia falar do meu desgosto, agora que vivemos na Vila e a Ana não tem ninguém para tomar conta de mim nas férias o que significa ter que ir com eles para todo o lado até mesmo para o t1 da praia. Podia queixar-me porque afinal a varanda de baixo não é só para mim, o estendal também cá está, a de cima é muito maior mas tem pouco sol e não serve para nada. Podia falar disto e do barulho da Ana, da Boneca e do Júnior sempre a tossirem, doentes. Podia falar do eterno boicote às prendas de Natal, do rombo orçamental porque desta vez foi o Pernas que fez as compras. Da alma judia que ela diz estar prisioneira dentro dela e que nesta altura fica mais inquieta. Das piadas do Pernas e do Sissi sobre o assunto. Do ar agastado da Lhena e aborrecido da avó Livi porque este assunto acaba com o Natal delas. Mas não! Não vou falar sobre nada disto. Quero antes desejar um Bom Ano Novo aos meus três fieis leitores. Nada mal. Três anos. Três leitores. Consigo ser mais popular na blogosfera do que aqui na colónia. lol E já agora um Bom Ano também para o novo leitor que vai aparecer este ano. Sim porque isto das médias nunca falha e a minha média é um por ano! E assim me despeço. Dentadas sentidas desta vossa amiga/inimiga (não sou incoerente, não acordo é sempre para o mesmo lado!)

sexta-feira, novembro 16

ADN

A Ana pensou, pensou, puxou pela cabeça e lá teve a ideia brilhante que lhe iria permitir manter a reputação de maluca extravagante na família. Assim ligou à Prima e disse-lhe que precisava dum favor dela. Preciso do ADN do teu pai. A outra nem pestanejou e disse logo que sim. Claro! Tudo o que tu queiras. Vou já falar com o meu pai. De certeza que concorda. Eu ainda pensei que era a anuência prestada aos malucos só para eles pararem de chatear, mas não. Meia hora depois toca ao telefone e era a Prima. O pai dela queria saber quem é que lhe ia tirar o sangue para a análise!!! E acho que até ficou um pouco desapontado quando lhe foi explicado que seria necessário apenas esfregar a parte interior das bochechas com uma escova especial que ela ia mandar vir dos Estados Unidos. Aparentemente estava decidido a deixar que fosse a própria Ana a furar-lhe as veias, o genro o Oceano é que não podia ser porque não confia em analistas...
O que se passa nestas cabeças? Para que quer ela o ADN do tio? E porque é que o tio concordou assim tão rapidamente? O que andam a planear? Será que estou em perigo? E se ela se lembra que quer também o meu ADN? Ou até uma amostra do meu sangue? Pelo sim, pelo não tenho andado mais recolhida. Estou com medo de ser a vítima da primeira temporada do CSI Lisboa!

sexta-feira, novembro 9

A saúde da Ana

A Ana não se sente bem e maça-me a cabeça com todos os sintomas que a afligem. Diz que se sente cada vez pior, que lhe doi o corpo todo, que anda cansada, apática, sem energia. Queixas e mais queixas que me dão dores de cabeça ao ponto das minha orelhas ficarem murchas. Ai, Dulcineia, não sei o que se passa comigo...(suspiro exangue dela ... e meu também)
Entrámos então na fase das consultas. A semana passada foi Dermatologia porque de repente tinha muita comichão no pescoço e Gastroenterologia porque não é possível que as porcarias que come sejam as causadores de tantas diarreias. Esta semana Oftalmologia porque se lhe turvava a vista de vez em quando e Endocrinologia porque só uma alteração hormonal grave poderia justificar um IMC tão elevado. Para a semana será Ortopedia uma vez que está convencida que lesionou um pé a fazer exercício o que lhe provoca um desequilíbrio a andar e daí as dores de cabeça...
Ontem enquanto ela marcava uma consulta de Estomatologia urgente uma vez que sentia que o maxilar superior estava a descair (!!!) aproveitei para descansar a mente com as letras magnéticas do Júnior que estavam no chão da sala e sem saber como as letras agruparam-se assim:

PSIQUIATRIA?
LIO DE MATOS
Conclusão: não correu nada bem. Ela levou a minha franqueza um bocadinho a mal e estou então desde ontem a feno e água na varanda. Eu só queria ajudar...ou não? Pois se calhar não. Acho que queria mesmo gozar com ela agora que revi melhor as minhas motivações. Bolas! Não acredito nisto! Ela é que deveria ir ao psiquiatra e eu é que estou para aqui a fazer análise e a falar sozinha. BOLAS QUE ISTO PEGA-SE!

segunda-feira, setembro 10

O fim das férias

E o circo está de volta. A Ana voltou. Ai que saudades da minha Dulcineia! Coitadinha tanto tempo sem mim. Tenho mesmo que escová-la, limpar a gaiola e a varanda. Claro que eu fugi o mais que pude mas acabei por ser caçada. Que saudades das férias e de ter a casa só para mim...Este ano não saí de Lisboa. Não estava para as lutas de poder que se desenrolam todos os anos no t1 algarvio. É muito pouco espaço para tantos animais e ainda por cima agora com a Boneca. Na verdade a Boneca e eu temos muito pouco interesse uma pela outra mas por alguma razão o Pernas está convencido que eu a quero eliminar ou no mínimo trincar. Vê se atinas oh pateta! Os coelhos são herbívoros! E assim não conseguimos estar nem um segundo sozinhas o que de alguma maneira tem prejudicado a nossa relação. Mal nos conseguimos cheirar e já está o Pernas aos berros:QUEM DEIXOU ENTRAR A COELHA? A Ana claro socorre-me e lá diz que a Dulcineia tem tanto direito como tu a estar na sala. É claro que isto origina logo uma discussão tremenda que vai desde os direitos dos animais, até às potenciais alergias, sim porque para alguns eu posso ser uma ameaça à saúde pública, e depois passam em revista tudo o que não gostam um no outro e nas respectivas famílias com o Pernas a dizer que a culpa toda é da tua tia Lídia que trouxe a coelha, e a Ana a dizer que poderia ter sido pior se fosse um cão e o Pernas fica roxo de raiva e o Júnior começa também a gritar PAREM DE ESCUTIR e olhem é uma barulheira terrível. Enfim! Eles estão de volta (suspiro desalentado)

sexta-feira, julho 13

Diz-me só qual é o pedal - Parte II

Off-line alguns seres vivos mais mórbidos do que curiosos perguntam-me repetidamente o que aconteceu afinal com a experiência de condução da Ana. Correu bem? Correu mal? Na verdade o que posso dizer é que não correu. Por razões que desconheço mas que posso adivinhar a Ana e a avó Livi foram de táxi fazer as compras embora durante semanas e só para torturar o Peludas disseram que levaram o carro.

Na verdade posso imaginar o que aconteceu embora elas evitem falar do assunto na minha presença. Tipo depois de meia hora a tentarem ligar o carro, acender as luzes todas e passar do piso -3 para a porta da garagem accionaram o comando e lá veio o desânimo porque estava a chover. Não posso acreditar, diz a condutora. Que azar! Logo agora que vais conduzir. É que ainda por cima não sei ligar os limpa pára-brisas, lamenta-se a Ana. Isso é fácil. Vamos tentar, diz a condutora mais "experiente".

Depois de apertarem todos os botões, de ligarem os máximos, apitarem abrirem o porta bagagem e etc desistem desanimadas. Só se ligares ao teu marido...Estás parva não? (aqui nem parece uma princesa...) Era o que me faltava: ser gozada por ele! Bom, diz a genial avó, só se formos na mesma e quando já não conseguirmos ver nada por causa da chuva encostas e eu saio do carro e limpo o vidro da frente com um pano (!!!). Está bem! Realmente há males que vêem por bem (mais um tentativa da nossa heroína para coisas positivas na maior trampa). Já pensaste, mãe, se depois não conseguiamos desligar o limpa pára-brisas? A nossa figura ridícula se deixava de chover e nós com aquela porcaria ligada? Tira mas é o pano do porta luvas para estarmos preparadas. E aqui começam os problemas...

Eu tirava filha mas o teu marido não tem aqui pano nenhum! É incrível! Não me digas que vamos ter que ir de táxi porque o Pernas não tem no carro um miserável pano? Realmente o teu marido é muito desorganizado. O teu pai tinha muitos defeitos lá isso tinha e eu penei muito com ele ( aqui a Ana já revirou os olhos ) , mas panos é que não faltavam no nosso carro aliás tinha sempre tudo impecável podera era eu que até o carro limpava mas pronto podia não queres saber e ele lá dizia o que queria no carro pelo menos era organizado...blá, blá, blá.

É isto que eu imagino e não estou muito longe da realidade porque na segunda-feira de manhã assim que o Pernas deu à chave, sempre à pressa, o limpa pára-brisas começou a funcionar e teve que parar a meio do caminho para fechar o porta bagagens que estava a bater e foi aí que viu que ia com as luzes de nevoeiro acesas.

Deixaste o limpa pára brisas ligado, resmungou de passagem quando chegou à tarde, a luz de nevoeiro acesa e o porta...Elas já não ouviram o resto. Olharam uma para a outra começaram a rir. Então não é que conseguimos pôr aquela porcaria a funcionar e não demos por nada?

Moral da história: não há! Mas com estas duas a conduzir é que não me apanham dentro do carro.

quinta-feira, junho 14

Diz-me só qual é o pedal...

Agora que se aproxima a mudança de Lisboa para a periferia o assunto da condução da Ana voltou à actualidade. Na verdade ela ainda não conseguiu a transferência para lá e vai ter que começar a conduzir. (Desde já o meu alerta aos utilizadores da A8: be scare, be very scare!)

Prevenida como é a Ana já anda a pensar no assunto há algum tempo e muitas vezes pede-me para a acompanhar nos treinos. Eu que conheço a sua fama de condutora exímia tenho conseguido evitar sair com ela e escondo-me sempre que a oiço disse "Dulcineia vamos lá meter-te na caixa de transporte e dar a nossa voltinha de carro" e assim ela nunca vai porque não me encontra. Poupo-me a mim e aos outros que se iriam cruzar com ela.

No Domingo passado disse ao Pernas que ia ao Odivelas Parque com a mãe e que ia levar o carro. Eu respirei de alívio: antes a Livi do que eu! O Pernas ficou todo aflito porque ela não conduz há muitos anos. Não de preocupes, disse ela, Domingo é o melhor dia, assim com tantos condutores de Domingo ninguém vai dar por mim. Para além disso vou com a minha mãe que tem carta há mais de 35 anos. Ainda fico mais preocupado, respondeu o Pernas. A tua mãe conduz com as portas abertas porque se esquece de as fechar e depois queixa-se que tem frio e que os outros condutores estão sempre a acenar! Baixa a cabeça quando passa debaixo dos viadutos e pára à entrada das portagens porque não sabe qual escolher enquanto todos os outros carros a tentam evitar! E queres que eu fique tranquilo? Como? Tu fechas os olhos quando te cruzas com os outros carros! Abrandas para nunca ultrapassares. Olha é tão irreal que mais valia que me dissesses que vais comandar uma nave espacial!

Com este comentário a Ana ficou passada. Tu realmente deves pensar que sou anormal! Dá-me já a chave! Abriu a porta da rua e chamou o elevador. Voltou para trás. Só uma coisinha. Diz-me lá qual é o pedal do acelerador que confundo sempre com o travão... O Pernas nem reponde e lá ficou com o ar mais desalentado do mundo agarrado à porta da rua. Eu respirei aliviada e saí de dentro do móvel da aparelhagem...

terça-feira, abril 24

Depressão Pós-Parto

Como se já não fosse difícil conviver com o Pernas Peludas, a Ana e o Júnior sem falar da avó Livi, aos fins-de-semana, agora também tenho que aturar a cria mais recente do jovem casal. É verdade, ela já nasceu e podem tirar esse sorriso embevecido. Se a ouvissem chorar percebiam. Aqueles pequenos pulmões ligados àquela pequena boca à Brigitte Bardot conseguem pôr-me as orelhas a tremer.
Mas de qualquer modo não é este o assunto que me traz aqui. Do que quero falar é da Depressão Pós-Parto do...PERNAS! Pois é o Pernas não anda bem. Sente-se inseguro, exausto, vulnerável e hipersensível. Arrasta-se lá pelo quartel sempre com vontade de chorar ou porque viu uma flor arrancada pelo vento, ou porque pisou uma formiga ou porque viu na TV que há crianças com fome...No outro dia confessou à mesa aqui da colónia que não sabe se aguentará a pressão de cuidar de novo de um bebé.
Tem lógica! Depois de ter sentido náuseas durante os três primeiros meses de gravidez, de se queixar que sentia a barriga a crescer nos restante seis meses e das fortes dores abdominais pós cesareana aguardo ansiosamente que o Pernas começe a produzir leite para poder amamentar a menina! LOL

segunda-feira, abril 9

Dona Xixi e Senhor Cocó

Entrámos na fase do excremento. Por mais anos de convívio com os humanos que tenha continuam sempre a surpreender-me. O Júnior em todas a frases, conversas e situações arranja sempre maneira de utilizar as duas palavras que mais gosta neste momento: Cocó e Xixi!
Diz que se chama Júnior Cocó e que o pai se chama Pernas Xixi...Se lhe perguntam o que quer comer diz Cocó ou Xixi e tem dias em que inclusivamente diz que quer Cocó mole ou duro. É demais! Se o telefone toca atende e diz Cocó. Pede para brincar comigo, abre a gaiola e persegue-me aos gritos de Cocóóóóó...É evidente que andamos todos consternados e apreensivos com a situação apesar da avó Livi garantir que a Ana fazia exactamente o mesmo com a idade dele...(sem comentários!) Será uma predisposição genética?
Depois de algumas situações embaraçosas com vizinhos e desconhecidos a Ana teve uma conversa com ele e explicou-lhe que não era muito educado, que era até feio chamar à avó "Avó Xixi" ou ao Pai "Papá Cocó"...
Como é que o Júnior resolveu a questão? Como gosta de agradar e no fundo até é bem-educado resolveu a questão e agora passou a chamar pela Dona Avó Xixi e pelo Senhor Papá Cocó! Imaginem-no agora a correr atrás de mim a gritar Senhor Cocóóóóóó. Dignificante, não acham?

quinta-feira, março 29

O novo cartaz

Acabou de sair a moçoila da imobiliária que veio colocar o cartaz. Ficámos as duas desoladas. A Ana e eu, claro, a rapariga da imobiliária estava delirante. A nossa mudança parece cada vez mais iminente e começo a perceber que gosto tanto desta varanda como a Ana gosta desta casa e não acredito muito na promessa do Pernas que arranja um jardim só para mim. Sabes, Du, este cartaz veio mesmo a calhar. Pensei que tinha ouvido mal. Mesmo a calhar? Já viste como protege os meus fetos do sol? Todos os anos tinha este problema quando o tempo começava a aquecer. Os fetos não gostam muito de sol e este ano finalmente tenho isto resolvido. Eu sabia que tinha que haver alguma coisa positiva nesta história de vender a casa! (dito com ar triunfante) Fiquei passada. É isto que me enerva nela. Vê sempre alguma coisa positiva nas situações. É isto que enerva o Pernas também e o faz perder a cabeça. Esta atitude positiva absurda e despropositada enerva qualquer pessoa ou animal normal e razoável. Olha, se querias resolver o problema dos fetos já podias ter dito porque bastava pô-los no chão que eu tratava-lhes da saúde e ficavam logo protegidos do sol!

quarta-feira, março 28

As imobiliárias

Com esta história da venda da casa o telefone não pára e não é por causa dos potenciais compradores, não. A Ana colocou um cartaz na varanda no ínicio do mês e desde então é só telefonemas de imobiliárias que estão interessadas em vender a casa cobrando um valor "simbólico" de 5% mais IVA...De qualquer maneira a Ana rendeu-se à ideia (anda muito passiva para o meu gosto) e resolveu aceitar a colaboração (como eles dizem) da imobiliária. Restava escolher o regime: exclusividade ou não. Falou com o Pernas e foi como sempre uma conversa esclarecedora "tu é que sabes, o que for mais rápido, desde que se venda a casa, é preciso é vender...". Assim eu e ela é que tivemos de ponderar e tomar a decisão. Eu disse-lhe logo que preferia a exclusividade de que interessa estar a levar com não sei quantas imobiliárias e vendedores? A nossa situação não ia melhorar. Ainda por cima agora com a desova dela tão perto. Desculpem, com o parto, isto de ver o Nemo sem parar e de fingir que sou um peixe dia sim dia não deixa marcas num animal. E pronto! Agora é só esperar pelo compradores que me vão invadir a varanda sem cerimónias e fazer os comentários mais absurdos sobre a minha existência: O que é que tem aqui? Um rato? Ah, não! É um gato! Não que disparate é um coelho, não ´tava a ver bem. Que giro ele morde? Quem me dera ser um urso para poder hibernar...

terça-feira, março 27

Temos a casa à venda!

O impensável aconteceu. O Pernas conseguiu convencer a Ana de que o melhor seria deixar Lisboa e ir viver para a província suburbana, sim, porque nem sequer vamos viver para o Portugal profundo. A Ana cansada das queixas sobre o trânsito, sobre o stress citadino e sobre a prestação sempre aumentar da casa acedeu. E pronto o Pernas Peludas anda muito mais bem disposto e cheio de ideias de felicidade bucólica. Ele é os passeios ao ar livre com as crianças, ele é a moradia com jardim mais barata que o apartamento actual onde até eu, Dulcineia, vou ser mais feliz. E depois, claro, com o dinheiro que vai sobrar ao fim do mês, porque lá tudo é mais barato, vão poder usufruir de férias exóticas e quiça até comprar um carro topo de gama. A Ana a tudo vai dizendo que sim enquanto dissimuladamente lhe vai passando rasteiras na esperança que ele bata com a cabeça em alguma parede e mude de ideias.

quinta-feira, março 22

Estou viva!







Sim! Estou viva! Apesar de ter verificado que se estão todos nas tintas para este importante facto. Nestes últimos meses em que abandonei completamente o meu diário não recebi um único comentário de pessoas ou animais preocupados pela minha ausência. É assim que estão os meus níveis de audiência! Na prática não quero saber porque o que eu gosto mesmo é de cultivar a minha personalidade pouco atraente. Ou será que quero saber? Não sei. Estou a ficar tão confusa como a Dory do Nemo. Pois é! É o filme que nos acompanha agora a toda a hora. Depois do DVD de Natal do Ruca tive direito à saga do Nemo e companhia non-stop. Agora o Júnior passa a vida a fingir que é um peixe e que o Pernas é um tubarão "simpático"e que a minha gaiola é um aquário e por aí fora. Vão por mim, não é fácil para uma coelha fingir que é um peixe!
E as histórias ocorrem todos os dias, as novidades, as discussões, os imprevistos mas por qualquer motivo não me apetece comentar nada. Estarei a conviver com a minha primeira depressão profunda ou será apenas alergia ao ADSL que o Pernas instalou finalmente? Estará algum psiquiatra animal em linha?

domingo, dezembro 17

Festa de Natal do Júnior

Estive a visionar, a pedido do Júnior, pela enésima vez a gravação da festa de Natal da sua escola e não consigo de deixar de ficar impressionada pela brilhante actuação do pequenote! Bravo Júnior! O tema era a claro a natividade e o Júnior fazia de pastor tal como todos os outros meninos de 3 anos no entanto penso que só ele soube avaliar todo o drama do nascimento do menino Jesus, o frio, a instabilidade política, as perseguições e penso que tal como a sua mãe tem dotes premonitórios que o fizeram adivinhar o final pouco feliz da criança . O Júnior interiorizou tão bem o seu personagem que chegou àquilo que penso se pode chamar "over acting". Assim que o pastores entraram logo se comoveram com o presépio vivo que estava montado no palco e começaram alguns a chorar no entanto já o Júnior soluçava de emoção enquanto olhava para o céu e se deixava ficar para trás indiferente às instruções da educadora. As más línguas dizem que procurava a mamã no topo do anfiteatro mas para mim pedia uma resposta: Deus porque deixaste sofrer Jesus? Depois e à medida que a narradora ia descrevendo toda a situação em Belém os outros pastores/meninos distrairam-se e pararam de chorar. O Júnior não! Continuou a desempenhar o seu papel na perfeição...Foi o melhor. Que emoção! Que sentimento! Temos actor. Só não percebi muito bem aquilo de ele ter saído a meio, de terem interrompido o espectáculo e de uma voz anunciar "os pais do Júnior por favor podem chegar aqui ao palco". É o Show Business! Como pode uma simples coelha compreendê-lo?

sábado, dezembro 9

O Natal para a Ana

Para a minha companheira o Natal é acima de tudo uma época de confusão mental. Por um lado há todo o aspecto festivo e tradicional e por outro o problema ético e religioso que a atormenta ao longo do ano e que se agrava por esta altura. No último Natal estava determinada a se tornar uma católica fervorosa devido à sua necessidade de "vida espiritual" e maçou todos com leituras sagradas durante as festas. Bastou ler o catecismo com mais atenção e mais uma coisitas para perceber que não era para ela. Resolveu então abraçar o Judaísmo mas o problema é que os judeus são muito selectivos e exigentes e ela teve que ficar pelas boas intenções que como todos sabemos delas está o inferno cheio. E assim este ano a alma judia que sente dentro dela vai ter que celebrar o Natal :):):). Já estou a prever as conversas secantes sobre o cristianismo versus judaísmo. Já estou também a gozar antecipadamente a cara e os comentários da mui católica avó Livi. Um autentico Carnaval do qual conto transcrever as melhores partes!

Entretanto e por não os pode vencer vinga-se diminuindo até ao ridículo o orçamento disponível para presentes ao mesmo tempo que resmunga que para ela não quer nada. A verdade é que a Ana necessita de uma infinidade de coisas de que ela nem se apercebe de tão poupada que é. Acham normal que ela ande com um guarda-chuva com 15 anos e que ainda por cima não lhe cabe na mala? Acham normal que ande todos os dias com um cachecol que não gosta e que é do Pernas quando podia comprar um ou dois mais fashion? Acham normal que ande com uma mala que comprou por 10 euros e onde não lhe cabe nada quando podia comprar uma um pouco maior e sem ser uma falsificação da Kipling? Acham normal que gaste em vestuário 50 euros por ano e se recuse a divulgar a verba astronómica que gasta em livros? Pois, o que as pessoas acham normal é oferecer-lhe todos os anos livros e mais livros. Por favor inovem!!!! Mesmo que ela faça aquela cara de repulsa e desgosto. Ofereçam-lhe o "Best of" do Tony Carreira, o Pac 10 semanas da Roc para tratamento de rosto ou uns ténis cor-de-rosa! E depois? Depois sempre podem dizer que foi engano do Pai Natal!!!lollololol

Os pedidos do Júnior

Com 3 anos o Júnior já percebeu o que é o Natal: presentes e muita agitação! De nada serve à avó Livi falar no Pai Natal e no Menino Jesus porque o Júnior sabe muito bem quem lhe pode dar o que ele quer.... Sentado no sofá verde lá vai dizendo quais são os brinquedos que quer à medida que os anúncios do Canal Panda passam nos intervalos do Ruca e do Noddy. Como são tantos os que quer recentemente optou por outra técnica: chama a atenção para os que não quer. E assim até é melhor porque eu até a dormir o ouvia dizer "Qué este, qué este...." e agora diz "nã qué este" o que acontece com menos frequência, não é?
No seguimento da sua estratégia assim que a avó entrou em casa depois das férias nos Alpes saltou do sofá e foi logo dizendo que queria uma bicicleta azul, um comboio amarelo e um guarda-chuva encarnado. À tia pediu um computador do Noddy e mais não sei o quê que não percebi.
O que eu gostava mesmo que ele recebesse era mais umas peças da Mega Bloks porque é o que tem mais interesse para mim...Assim posso passear-me à noite por construções de blocos que ele vai deixando na sala: castelos, garagens, comboios, carros, motas...E quem sabe? Com mais peças até pode ser que venha a ter a minha própria casa! E se poderem apostem em mais DVDs, até podem ser daqueles com as músicas da Carochinha, ou histórias do Ruca ou do Noddy porque enquanto está distraído deixa cair as bolachas no chão e eu sempre vou dando ao dente. E já agora Bom Natal ou será Feliz Chanukah?

terça-feira, dezembro 5

Carta do Pernas Peludas ao Pai Natal

"Exmo. Senhor Pai Natal,
Apesar de desconfiar da sua imparcialidade na atribuição anual de presentes aqui estou mais uma vez.
Este ano como aliás nos anos transactos fui um homem de bem. Fui incansável no cumprimento das minhas missões tanto pessoais como profissionais. Fui justo quando tive que ser e injusto quando perdi a paciência. Fui bom pai, um disciplinador implacável, bom marido e até bom senhorio de uma certa coelha. Estas são as recompensas que penso mereçer neste Natal:
- O Castelo de Alvito;
- Um BMW 525XD em cinzento personalizado;
- Uma vivenda em Mafra toda mobilada e equipada para uma família classe A com piscina e jardim tropical;
- Uma casa grande com piscina no Porto Santo e uma outra um pouco mais pequena no Algarve.
....."

Esta foi a 1ª das folhas porque a lista continuava por aí fora. Com este tipo de expectativas o tipo tem mesmo que andar frustrado todo o ano! Por isso, Pai Natal, não lhe ofereças nada pois de desapontado não passa :) :)!!!

Bom mas como é Natal e a generosidade não pára aqui vai, a pedido da Ana, para aqueles que querem contribuir para a causa do Pernas o que lhe pode ser útil:
- Calças Levis de diferentes tons de azul (atenção ao tamanho porque apesar de todo o exercício físico o nosso herói está a engordar);
- O livroPousadas de Portugal - Morada de Sonho ( já que não pode ter a pousada de Alvito pode ficar a conhê-la melhor lol);
- Martini Rosso para esquecer que o Pai Natal se esqueceu dele mais um ano;
- Jogos de Racing para PC e respectivo volante (como não tem o BMW...);
- Música para acalmar enquanto conduz e muda de faixa e insulta as outras pessoas porque estão a mudar de faixa...

Querem saber o que eu lhe vou dar? Aquela dentada amiga! OOOHHHoooo!OOOHHHoooo! Bom Carnaval.

quarta-feira, novembro 22

Wish List

Chegou a época do consumo selvagem em que todos os cristãos com a desculpa de celebrarem o nascimento do judeu que lhes é mais querido resolvem então abrir os cordões à bolsa. Este ano para me proteger das imbecilidades que normalmente me oferecem resolvi fazer uma lista de coisas úteis e que realmente me fazem falta. Não vou pedir impossíveis e vou tentar ser razoável como sempre. Este ano gostaria que me oferecessem diferentes tipo de ração porque eu como qualquer pessoa ups animal gosto de variar a minha alimentação. Parem de me oferecer Sitcks da Vitacraft. Aquilo agarra-se tudo aos dentes e só aumenta a minha vontade de roer os rodapés e esquinas da casa...Preciso também de desparasitante Flubenol para gatos (sim, as farmacêuticas desconhecem a existência de outros animais de estimação para além dos gatos e cães) em pasta oral. Não é que me esteja a queixar mas a Ana nunca mais me desparasitou (está bem já sei que da última vez não correu muito bem, acabei por arranhá-la e mordê-la mas nem sempre posso estar de bom humor, não é?) e aquilo até sabe bem, é doce. Gostava também de ter um caixote novo na varanda de forma a poder isolar-me convenientemente dos humanos e da vassoura da Edna e uma casa em madeira para a minha gaiola. Já sei que o Pai Natal não existe e que o Menino Jesus cresceu e até foi crucificado por isso este meu pedido vai direitinho ao Deus das Pequenas Coisas...

sexta-feira, setembro 22

Duas novidades

Uma boa e outra má!
Vou começar pela má: a Ana está grávida. É verdade. É como se tivessem atirado uma bomba para a minha gaiola, ainda estou com a palavra a trovejar nas minhas orelhas. Grávida! Para além de todos os inconvenientes futuros existem os contratempos actuais. Não querem lá ver que este mal-estar dela vai ser permanente. Vai continuar a ser a mulher doente e chata de sempre só que ainda pior. E eu que a via tão doente que até já sentia pena dela e afinal dá-me um desgosto destes! Lá vou ter que continuar a ser alimentada, tratada e entretida pelo Pernas nos próximos tempo que se está nas tintas para as minhas necessidades como todos sabem.
A boa notícia é que já não nos vamos converter ao judaísmo. É verdade. A Ana anda tão em baixo que cancelou a inscrição nas aulas de hebraico e cancelou também o curso de conversão. Acabaram as orações em estrangeiro, as velas à sexta e mais uma série de coisas a que nos estávamos a habituar. Agora já posso respirar de alívio. Não sei se sabem mas os Judeus têm regras para tudo e para todos os momentos do dia e do ano. Provavelmente também terão regras especiais para os animais domésticos e eu como todos sabem sou pela anarquia ou pelo absolutismo ( se eu for a absoluta, claro). O Pernas que andava cabisbaixo desde que o moré ( professor em hebraico, que eu mesmo quando me estou nas tintas aprendo qualquer coisa ) dissera que a conversão tinha que ser familiar, não podia ser só da Ana. Andava encolhido com o dito cujo entre a pernas, com medo do dia da circuncisão. Agora já parece outro porque sabe que pelo menos por agora o seu penduricalho está a salvo! E quanto mais bem disposto melhor para mim , não é? E agora cuscos, cuscas e respectivos animais de estimação...digam lá se a vossa vida quando comparada com a minha não é tão monóóóóóótona.

quarta-feira, setembro 20

Férias adiadas

Então não era que eu estava toda convencida que a partir de amanhã iria ter a casa só para mim quando percebo pela conversa deles que foi tudo adiado. Não é justo. Eu ansiava pela visita da minha tratadora Filó que por ser tão distraida me deixaria fazer tudo o que quero...Seria uma maneira fantástica de celebrar mais um aniversário desta vossa amiga. Foi tudo adiado! Ana está doente. Aliás eu acho que ela deveria passar a dizer que É DOENTE, sim porque esta já passou a barreira entre o estar e o ser. O PP também tem dores no corpo e pasme-se na cabeça (sim este também tem cabeça...). E para finalizar o Júnior conseguiu produzir uma rinite, uma otite e uma infecção respiratória em simultâneo! Só espero que nada disto seja contagioso, mas pelo sim pelo não ao pé deles é que ninguém me apanha!

terça-feira, setembro 19

Análises em jejum

O Júnior antes de ir para a escola abriu a porta da varanda ( quando quer sabe ser um grande amigo!) e eu assim que me apercebi que eles tinham saído fui até à cozinha na esperança de petiscar qualquer coisinha. Qual não é o meu espanto quando dou de caras, ou melhor dou com a minha cara no pé da Ana que está sentada à mesa da cozinha a tomar o pequeno-almoço! Antes que ela refilasse primeiro por me ver na cozinha gritei-lhe logo: OH MINHA GULOSA, ENTÃO NÃO IAS HOJE FAZER AS ANÁLISES? Fica descansada que vou hoje...Sim já sei que são em jejum, é o que ela diz enquanto morde despudoradamente o pão com doce, mas há anos que não faço análises em jejum e até agora tem corrido tudo bem! Isso da necessidade de jejum é um mito, até porque se eu tivesse um acidente na rua ia para o hospital e faziam as análises e eu até podia ter acabado de almoçar, não é? E depois lá no laboratório ninguém desconfia de nada...Quando me perguntam se estou em jejum digo que sim e faço um sorriso amarelo, ponho um ar esfomeado e a coisa passa. Tu é que sabes, Ana mas desde já te digo, lava bem os dentes porque esses pedaços de pão e doce que consigo ver daqui podem pôr em causa o teu sorriso amarelo famélico. E com isto fui à minha vida ou seja fui a correr para a minha varanda porque a Ana já se estava a levantar da mesa com ar pouco amistoso. Eu só queria ajudar, não é?

quinta-feira, setembro 14

Diário de Férias - Última Parte


Dia 14
(Sim, já sei que saltei uns dias, mas já nem eu aguento este diário...)

O drama do melão! O Pernas Peludas descobriu o meu segredo de férias: secretamente andava a comer um dos melões que estão debaixo do escadote na cozinha. E a culpa mais uma vez foi do Júnior que não me larga e foi para debaixo do escadote comigo. Aqui vai o diálogo que reflecte o drama : Sai daí Júnior, ficas todo sujo! Já viste isto Ana a TUA coelha anda a comer os melões do meu pai! Era só o que faltava! (a calma da Ana)Ah! Então era por isso que ela passava tanto tempo na cozinha...e eu a pensar que queria a minha companhia. Não faz mal, tiramos aquele pedaço e comemos o resto. Eu não vou comer o melão que a coelha comeu. (Peludas com ar amuado) Mas depois até comeu e chegou à conclusão que era o melhor de todos. (conclusão do super-homem) Pois alguma utilidade esta coelha terá: serve para escolher melão!

Dia 15
O avô da Ana tinha uma mula que conseguia abrir a porta da cavalariça com a chave e fugia quando lhe apetecia. Eu consigo fazer um prodígio semelhante: fecho-me dentro da caixa de transporte sozinha! Agarro no comedoro da porta com os dentes e já está, fecho-me! Fico isolada do excesso de energia e afecto do Júnior. Sim, porque isto de estar num t1 tantos dias com 3 humanos é de rosnar até que a voz me doa. Se calhar quem não quer vir para o ano sou eu!

Diário de Férias - Parte III


Dia 7
É só rir e brincar com o Júnior

Dia 8
O Peludas fez novo ultimato à Ana: para o ano ou venho eu ou vem a coelha! Estamos mesmo a ver quem ela vai escolher, não é? Pobre Pernas! Tudo por causa de uns cocós espalhados na varanda. Eu não quero ser delatora mas não fui eu que fiz xixi no sófa e não ouvi ninguém ameaçar o Júnior. Uns são filhos e outros são enteados é o que é!

Dia9
Sempre a correr, sempre a correr. O Júnior não me dá descanso!

quarta-feira, setembro 13

A verdadeira versão, não autorizada, dos primeiros dias de escola do Júnior

Têm chovido telefonemas da parentela que quer saber como correram os primeiros dias de escola do Júnior. A todos a Ana, eufemisticamente, diz que correu tudo lindamente, melhor do que esperavam e que o Júnior está super adaptado e já gosta muito do colégio que a propósito tem óptimas instalações e pessoal atento...Blá, Blá, Blá!
No primeiro dia que lá foi chorou tanto na hora da despedida que acabou por vomitar. Quarenta e cinco minutos depois quando a Ana o foi buscar ainda chorava e já tinha conseguido mobilizar mais três ou quatro coleguinhas que choravam também. Quando a educadora viu a Ana ficou visivelmente aliviada por se ver livre do elemento subversivo.
No segundo dia chorou mas já não vomitou, é só progressos! Uma hora e meia depois quando a nossa heroína o foi mais uma vez salvar estava sentado à porta da sala com a educadora que não podia perder de vista. Os outros meninos estavam todos sentados na sala. O Júnior mais uma vez era nitidamente o mais adaptado.
No terceiro dia chorou como sempre mas segundo o pessoal correu melhor ( desde que a educadora estivesse visível!). Foi no entanto o único que optou por fazer cocó nas calças...
Ontem, para melhor ilustrar esta minha exposição, tive uma pequena conversa com o Júnior(enquanto a Ana estava deitada porque lhe doía não sei o quê...) que ilustra bem o meu ponto de vista: O Júnior gosta da escola? Não! O Júnior gosta da educadora? Não! O Júnior sabe o nome dos outros meninos? Não! O Júnior gosta da comida da escola? Não! O Júnior quer a mamã, o Júnior quer a mamã, o Júnior quer a mamã!I rest my case.

terça-feira, setembro 12

A colónia de Genebra aumentou!

Isis! Aquiles! Aposto que ninguém ainda vos disse mas a Lhena já teve o bebé! Pois é! Parem de ladrar e de agitar as caudas de felicidade porque nas vossas vidas tudo vai mudar. Agora vai haver alguém que vai conseguir chorar mais alto do que vocês conseguem ladrar e que vai dominar todas as atenções da casa. Vão ter que parar de ladrar para não acordar o bebé e ficar mais tempo no jardim por causa das possíveis alergias da criancinha. Uma seca! E olhem que sei do que falo. Depois cresce e vai puxar-vos a cauda até ganirem, vai atirar-vos tudo à cara, vai comer a vossa a ração e sujar a taça da água, vai fingir que são cavalos...Está bem que vocês são cães e não têm esta raivazinha que me anima, mas bolas também não são ratos e em alguma estratégia têm que pensar! Até eu aqui tão longe já fui afectada. A Ana desde as 7 da manhã que anda a choramingar pela casa. Experimentem a comer ração com lágrimas ao pequeno almoço e logo me dizem. E depois nem eu sei nem ela sabe porque chora. Não sei se é de alegria pelo nascimento ou se de tristeza por estar tão longe ou ainda porque esta explosão de vida a confronta a sua própria falta de vitalidade, sempre doente, com dores aqui e ali...O que eu sei é que resolvi a questão à minha maneira. Dei-lhe duas dentadas na mão até fazer sangue e uma bem grande no tornozelo. Pronto, agora já tem uma boa razão para chorar!

sábado, agosto 19

Diário de Férias - Parte II


Dia 4
A vaga de calor deixa-me tão mole que quase não como. Faço o que posso para combater o calor: deito-me e espero que passe.

Dia 5
Primeira grande discussão com a Ana. Aparentemente, na sua opinião, ando a descurar a minha higiene pessoal e lá fui ameaçada com um banho. O que é que tens a ver com isso minha parva?

Dia 6
A Ana prometeu ao Pernas pela primeira vez nestas férias que não voltaria a trazer-me. Para a próxima fico em casa, como se eu acreditasse...Tudo porque ao saltar para o sófa numa tentativa de ver o National Geographic aterrei no colo dele. Ficou passado até parecia que tinha visto um bicho tal foi o susto. O que é que ele queria? Estava no meu lugar!

quinta-feira, agosto 17

Diário de Férias - Parte I


Dia 1
Passei o dia fechada na minha caixa de transporte porque os pais do Pernas ainda lá estavam. Os sogros da Ana preferem fazer de conta que eu não existo e normalmente quando se encontram comigo perguntam sempre de forma muuuuuito cordial "então ainda não se viram livres da coelha?!!" A Ana faz aquele sorriso verde tipo "eu cá sei quem devia desaparecer"... É uma querida a Ana, apesar das dentadas e arranhadelas continua a ser-me fiel, deve ser a cadela que há dentro dela a falar! lol O Pernas põe o seu melhor ar apologético como se tivesse negado tudo o que os pais lhe transmitiram e olha para mim de forma mortífera. Desse nem bons ventos nem boas cenouras.

Dia 2
Passei todo o dia a marcar a varanda. Espalhei orgulhosamente os meus conguitos no pedaço que me decidi atribuir atrás das cadeiras. Os xixis fiz no meu wc ,claro, que não sou como o Júnior que deixou uma enorme poça na varanda esta manhã...

Dia 3
De manhã a Ana limpou o meu território e o dela e a tarde passei-a a marcá-lo de novo. Teimosas como somos prevejo que se estabeleça esta rotina nos próximos 20 dias. Enfim, tanto eu como ela temos que nos ocupar com alguma coisa este Verão.

quinta-feira, agosto 10

TV

De nada me serviu roer quase todos os botões do comando da TV numa tentativa de mudar de canal e deixar de vêr o AXN e o Panda...O Pernas Peludas comprou um DVD do Noddy na Ilha do Tesouro e desde que viemos de férias está a passar de dia e de noite e mesmo quando o Júnior não está na sala. Sempre que eu ou a Ana mudamos de canal, ele ouve e vem a correr a gritar "NÃÃÃÃãããããooooo, o Juniorzinho (é assim que ele se trata) quer vê Noi!"

P.S. Como é que mudo de canal? Salto em cima do comando várias vezes claro até porque agora já não tem botões não é?

Voltei!

Estou de volta depois de mais umas férias traumatizantes no Algarve. Não foi nada fácil a adaptação de toda a colónia a um t1 na praia! A todos os que me apoiaram nesta fase dedico a minha mordiscadela especial...Conto com o tempo publicar o meu diário de férias com algumas fotos por isso membros da Liga Protectora dos Animias fiquem atentos.

quinta-feira, julho 13

sábado, julho 1

Desabafo da avó

Desabafo da avó depois de uns dias passados cá na colónia que vão no sentido da minha completa integração:
" Louvado seja Deus. Nesta casa todos têm mau feitio... até a coelha!"

segunda-feira, junho 26

O meu estado de espírito

Tenho andado mole, aborrecida, parada e indiferente. De vez em quanto lá dou uma rosnadela à Ana só para que ela não se esqueça quem sou. Ontem ainda lhe dei com a pata mas está cada vez mais dificil esconder que não ando bem e ela já me olha de lado. Se não arranjo energia em qualquer lado é bem capaz de me levar ao veterinário. Mas que querem? Tudo me aborrece: o calor, o frio, o CSI de Santa Comba, o mundial...E nem sequer a perspectiva de marcar a varanda fresquinha e limpinha do Algarve me anima. Sim, porque as férias estão a chegar e a vontade que tenho é de tirar férias das férias. Imaginar a Ana a remungar enquanto lava a varanda duas vezes por dias já não me dá aquele prazer por antecipação. Estarei doente?